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NOTIMP - Noticiário da Imprensa - 06/01/2018 / Azul - "Não vou brigar sozinho contra céus abertos"



Azul - "Não vou brigar sozinho contra céus abertos" ...  


João José Oliveira ...  


A Azul desistiu de brigar contra a aprovação da etapa final do acordo de "céus abertos" entre Brasil e Estados Unidos - que permite que companhias aéreas dos dois países possam criar voos entre os dois territórios sem limites de cotas ou de destinos - e se concentrará agora em aproveitar a regra assim que ela entrar em vigor, com a ampliação dos acordos comerciais que já possui com a sócia United Airlines, terceira maior da aviação americana.

"Sim, vamos fazer JB [Joint Business Agreement, ou JBA]. A United é nosso parceiro, muito forte nos Estados Unidos e vamos fazer acordo", disse o presidente da Azul, John Rodgerson, referindo-se ao tipo de parceria conhecido como JBA, por meio da qual duas empresas aéreas decidem de forma combinada como vão operar os voos entre dois países, dividindo despesas e compartilhando receitas.

O executivo ponderou que seria melhor para o Brasil ter evitado a implementação do "céus abertos" agora, mas admitiu que, uma vez aprovada, a regra deve ser explorada comercialmente. "Para a Azul, não faz tanta diferença, porque os céus que voamos sempre foram abertos. A questão é que demos algo sem ter nada em troca. Mas agora não vou ficar como um bobo sozinho brigando", disse Rodgerson, referindo-se ao fato de as rivais Latam e Gol serem favoráveis ao compromisso de "céus abertos".

A United detém 4% dos direitos econômicos da Azul, fatia pela qual pagou US$ 100 milhões em julho de 2015. Ambas já têm acordo de "code-share", por meio do qual, por exemplo, um americano que voa dos Estados Unidos para São Paulo na United e segue para Porto Alegre em conexão da Azul realiza todo o processo de reserva, emissão de passagens e despacho de bagagens de forma integrada.

Mas com o JBA, a parceria será aprofundada, uma vez que a própria malha aérea da Azul e da United entre Brasil e Estados Unidos será feita de forma combinada.

O modelo de acordo JBA já foi assinado, por exemplo, entre a Latam e a American Airlines, mas para entrar em vigor depende do acordo de "céus abertos". O governo dos Estados Unidos considera essa uma pré-condição para liberar em território americano os contratos de JBA. Por isso, inclusive, a Latam defende de forma mais clara o compromisso entre os países. A Gol já declarou, mais de uma vez, que poderia assinar uma joint venture com a Delta, sua sócia, depois que o acordo de "ceús abertos" com os EUA fosse aprovado.

O acordo, assinado pelos governos brasileiro e americano em 2011, vem sendo implementado paulatinamente. A última etapa - que libera totalmente os céus entre os dois países - depende de ratificação no Congresso. Em 19 de dezembro, a Câmara deu o sinal verde; falta agora o Senado.

Rodgerson disse que as companhias dos Estados Unidos são maiores e as mais rentáveis do mundo, com forte geração de caixa. Por isso, em um mercado aberto, elas poderão vender voos a preços mais competitivos que as concorrentes brasileiras. Para comparar, a United transportou 81 milhões de passageiros e faturou US$ 28,2 bilhões em vendas nos nove primeiros meses de 2017.

No mesmo período, a Azul atendeu 16,5 milhões de clientes para uma receita de US$ 1,8 bilhão pelo câmbio médio do período. "O corte de impostos do governo [do presidente americano Donald] Trump vai tornar as americanas ainda mais fortes", disse Rodgerson, referindo-se à mudança tributária americana aprovada em dezembro último, que cortou a alíquota do imposto cobrado de corporações de 35% para 21%.



Acompanhe aqui o Noticiário relativo ao Comando da Aeronáutica veiculado nos principais órgãos de comunicação do Brasil. O NOTIMP apresenta matérias de interesse do Comando da Aeronáutica, extraídas diretamente dos principais jornais e revistas publicados no país.




JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO


Greve dos policiais do RN completa três semanas sem sinal de solução


Thiago Amâncio E Bruno Santos Publicado Em 05/01/2018 - 11h31

A paralisação das polícias e dos bombeiros do Rio Grande do Norte chega nesta sexta-feira (5) ao 18º dia sem nenhum acordo entre grevistas e governo do Estado.
Parte dos policiais militares não vai às ruas desde 19 de dezembro, e policiais civis reduziram drasticamente o efetivo nas delegacias como forma de protesto para o pagamento dos salários de novembro, dezembro e o 13º, além de melhores condições de trabalho.
O governo promete concluir a folha de pagamento de novembro neste sábado (6) —servidores que ganhavam até R$ 4.000 já tinham recebido este salário—, mas associações da Polícia Militar prometem manter a paralisação, mesmo que o dinheiro caia, até que as condições de trabalho sejam melhoradas: os policiais alegam condições insalubres de trabalho, circulam com carros sem licenciamento e precisam pagar pelas próprias fardas.
As negociações, até agora, não avançaram. O governo convocou reunião na quinta (4) com os grevistas, mas as partes não chegaram a qualquer acordo.
O governo gasta 57,4% de suas receitas com folha de pagamento (que chega perto dos R$ 420 milhões) —o limite legal estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal é 49%. Para se adequar à lei, o governador Robinson Faria (PSD) propôs, na quinta, em reunião com deputados e senadores potiguares, a demissão de servidores com acúmulo de cargos, redução de cargos comissionados, demissão de trabalhadores em regime CLT que estejam aposentados e cumprimento de decisão judicial do STF que obriga a demitir servidores não-concursados.
A gestão sugeriu ainda suspender a concessão de licenças-prêmio e extinguir celulares funcionais e carros oficiais. Outras medidas dependem de aprovação da Assembleia Legislativa: extinção de órgãos da administração, venda de ações da Potigás (empresa local de gás, em sociedade com a Gaspetro, da Petrobras), e venda de imóveis como o Centro de Convenções, Ceasa, DER entre outros.
FORÇAS ARMADAS
Enquanto isso, a maior parte do policiamento ostensivo na cidade é feita pelas Forças Armadas, enviadas pelo presidente Michel Temer (PMDB) à capital e a Mossoró na noite de 29 de dezembro. São 2.800 homens do Exército, Marinha, Aeronáutica e Força Nacional de Segurança, que ficam no Estado pelo menos até 12 de janeiro (o prazo inicial, de 15 dias, pode ser prorrogado).
A presença dos militares ajudou a controlar o crime na capital, segundo números apresentados pelo comandante da operação Potiguar 3, o general Ridauto Fernandes na quinta (sexto dia dos militares nas ruas): houve queda de 41% no número de roubos e 30% menos mortes violentas nos primeiros cinco dias da presença das tropas em comparação aos cinco dias anteriores.
Além disso, como a Folha mostrou, longe dos olhos dos turistas, dos cartões postais e sem patrulhamento do Exército, cujas tropas foram enviadas somente a Natal e Mossoró, o interior do Rio Grande do Norte sofre com a falta de policiamento nas ruas com três salários atrasados, parte dos policiais militares está aquartelada há 16 dias, e delegacias estão fechadas.
Esta é a terceira vez que o governo federal envia militares ao Rio Grande do Norte em menos de dois anos. A primeira vez foi em agosto de 2016, para ajudar no policiamento durante uma série de ataques a ônibus e órgãos públicos. Em janeiro de 2017, as forças armadas também foram acionadas durante as rebeliões na penitenciária de Alcaçuz.
Até agora, nenhum policial grevista foi preso, apesar de duas ordens judiciais mandarem os agentes encerrarem a paralisação. Os agentes negam que seja uma greve e chamam a paralisação de "segurança com segurança": comparecem ao trabalho, mas dizem que não podem ir às ruas com veículos danificados e coletes balísticos vencidos.
Com a paralisação, o Estado passou por uma onda de violência: foram 106 mortes violentas nos primeiros 15 dias sem policiamento nas ruas, uma média de 7,07 mortes por dia, segundo levantamento do Observatório da Violência Intencional do Estado. Nos 15 dias anteriores à paralisação, foram 75 homicídios, segundo o órgão, média de 5 por dia. As cidades mais atingidas foram a capital Natal, com 20 mortes, e Mossoró, segunda maior do Estado, com 21.
Isso, além do motim em janeiro de 2017 na Penitenciária de Alcaçuz, contribuiu para que 2017 fosse o ano mais violento, nas contas da entidade: foram 2.408 mortes violentas (homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte), alta de 20% em relação ao ano anterior.

Polícia Federal rejeita sabotagem em acidente de avião que matou Teori


Rubens Valente Publicado Em 06/01/2018 - 02h00

A investigação da Polícia Federal sobre as causas da queda do avião que matou o então ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki e outras quatro pessoas há quase um ano descartou a hipótese de sabotagem na aeronave.
A perícia sobre esse ponto da investigação, realizada pelo Grupo de Bombas e Explosivos da PF do Rio de Janeiro, não detectou sinais de explosivos, produtos químicos ou de que tenha ocorrido um incêndio interno.
Os peritos criminais federais procuraram, por exemplo, indícios de deformações na fuselagem que indicassem uma explosão interna, mas nada foi encontrado.
No dia 19 de janeiro do ano passado, Teori, 68, morreu após o avião turboélice King Air em que viajava de férias, pertencente ao empresário e passageiro Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, 69, cair no mar próximo à pista de pouso de Paraty (RJ).
Além de Teori e Filgueiras, também morreram o piloto Osmar Rodrigues, 56, a massoterapeuta Maíra Panas, 23, e sua mãe, Maria Hilda Panas Helatczuk, 55.
A morte do ministro, então relator dos casos da Lava Jato sobre políticos com foro privilegiado no STF, gerou dúvidas entre familiares e teorias conspiratórias.
Desde então as causas da queda do avião são apuradas em caráter sigiloso pelo Cenipa, o centro de investigação e prevenção de acidentes da Aeronáutica, em Brasília, e pelo inquérito tocado pela PF e pelo Ministério Público Federal de Angra dos Reis (RJ).
Na PF, mais de 15 peritos de Santa Catarina, Rio, São Paulo e Brasília analisaram aspectos ligados ao voo e ao avião, como motor, destroços, dados coletados pelo tráfego aéreo, análise das gravações feitas por um aparelho recuperado após o acidente e aviônica (conjunto eletrônico e elétrico do avião).
Também foram feitos exames médico-legais sobre a saúde do piloto e dos ocupantes do avião no momento da queda e perícia no local do acidente. Alguns dos trabalhos, como a análise do motor, foram feitos em conjunto com os técnicos do Cenipa.
Conforme a Folha mostrou pouco depois do acidente, o piloto não relatou nenhum problema no avião momentos antes da queda, segundo o áudio captado na cabine. O Cenipa trabalhava com a hipótese de o piloto ter perdido o controle da aeronave.
A PF não tem data para encerrar o inquérito, depende de levantamentos que estão sendo realizados por empresas e outros órgãos. A instituição considera que a investigação está dentro de um prazo compatível em casos de acidentes aeronáuticos.
No Cenipa, que não trabalha para apontar culpados pelo acidente, mas sim para sugerir medidas preventivas para novos acidentes do gênero, há casos que demoram anos até serem divulgados ao público pelo órgão.
O inquérito da PF é presidido pelo delegado Rubens Maleiner, que é piloto.
Procurada pela Folha para comentar o estágio das investigações do acidente que matou o ministro, a presidente do STF, Cármen Lúcia, disse por meio da assessoria que "foi informada de que a conclusão do inquérito depende apenas de um laudo da aeronave, o que, segundo informado, está dentro do prazo legal".
Segundo a presidente do STF, "o Brasil receberá todas as informações tão logo se tenha ciência do resultado do inquérito".

JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO


Lenha pra fogueira inimiga

Ao pedir tropas para proteger Porto Alegre no dia do julgamento de Lula, prefeito faz jogo do réu

José Nêumanne Publicado Em 05/01/2018 - 12h07

O pedido do prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr., do PSDB, para o governo federal enviar tropas do Exército e homens da Força Nacional para a cidade no dia do julgamento de Lula, é extemporâneo e fora de propósito. Só serve para por mais lenha na fogueira que o PT pretende armar nas ruas e parte do pressuposto de que há clima para isso. As mobilizações recentes tentando mostrar que o PT poderá por fogo no País se a condenação de Lula for mantida, especialmente se o for por 3 a 0 e a pena for mantida ou ampliada comprovam que não há, a não ser por parte do partido dele e de seus adversários do extremo oposto, da direita, não têm razão de ser. Parece ser o caso do prefeito. Calma, Bete.
(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na sexta-feira 5 de janeiro de 2018, às 7h30m)

Atos a favor de Lula põem Exército ‘em alerta’

MST convoca manifestações em julgamento no TRF-4 e série de mobilizações pelo País

Roberto Godoy E Ricardo Galhardo Publicado Em 06/01/2018 - 05h00

O líder do Movimento dos Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, anunciou nesta sexta-feira, 5, por meio de um vídeo, que a Frente Brasil Popular pretende realizar atos em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o julgamento do petista pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), no dia 24, em Porto Alegre. O tom da mensagem de Stédile “acendeu a luz de alerta” dos serviços de inteligência das Forças Armadas.
As instituições acompanham as atividades de movimentos como o MST e de seus líderes, como Stédile, “dentro da agenda de trabalho de rotina em todo o País”, conforme disse o Estado nesta sexta-feira um oficial da área de inteligência. O alto comando das Forças recebe regularmente relatórios sobre ações dos grupos mais ativos.
Na convocação feita no vídeo, Stédile também afirmou que o MST e outros 87 grupos e partidos que integram a Frente Brasil Popular preparam, a partir de março, uma série de mobilizações em defesa do ex-presidente que vai culminar em ato para 100 mil pessoas no Maracanã, em julho. A partir de então, segundo Stédile, os movimentos vão transformar a campanha eleitoral em uma “luta de classes”.
Além de atos no TRF-4, no dia do julgamento que pode tornar Lula inelegível, Stédile anunciou manifestações diante de fóruns de cidades menores, “sobretudo da Justiça Federal nas capitais para demonstrar nossa indignação”. “Nosso foco não é apenas Porto Alegre”, disse João Paulo Rodrigues, companheiro de Stédile na coordenação nacional do MST.
O tom do discurso das organizações de esquerda tem endurecido nos últimos dois anos, desde que foi desencadeado o processo de impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, avalia o militar, que, no entanto, não reconhece a existência de “um exército do MST”.
A preocupação é de que as manifestações possam evoluir para o confronto direto – e violento – com a polícia e, “pior, para a pressão além do limite sobre o Judiciário, sobre os magistrados principalmente”.
Outro motivo de apreensão é o choque entre organizações divergentes – como o Movimento Brasil Livre (MBL), apoiadores do deputado Jair Bolsonaro e os quadros do MST, no campo, ou do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), nas cidades. O MBL se mobiliza para protestos contra Lula no dia do julgamento.
No vídeo divulgado nesta sexta-feira, Stédile diz que a ideia é realizar, a partir de março, etapas do processo que ele chamou de “congresso do povo” em todos os municípios brasileiros. Em seguida, as propostas seriam levadas a encontros estaduais. “E, finalmente, depois da Copa do Mundo, lá pelo fim de julho, faremos o congresso do povo nacional em pleno Maracanã para juntar 100 mil, 120 mil militantes”, disse Stédile.
‘Resposta’. A partir do segundo semestre, conforme o líder sem-terra, o foco dos movimentos passa a ser “abraçar a candidatura de Lula que representa a simbologia da classe trabalhadora”. “Teremos um 2018 cheio de mobilizações, de muita disputa política em que a própria campanha eleitoral se transformará em uma verdadeira luta de classes”, disse Stédile.
De acordo com Rodrigues, as mobilizações devem sempre ter caráter pacífico. “Sempre procuramos minimizar qualquer tipo de conflito, até porque quem paga é o trabalhador”, afirmou. O objetivo, segundo ele, é dar uma “resposta política” ao avanço da direita. “Há uma radicalização por parte de vários setores, inclusive entre os militares. Se a gente não resistir eles engolem o campo democrático”, disse.

PCC recruta venezuelanos em prisão de Roraima e amplia frente internacional

Crise no país vizinho fez aumentar o número de imigrantes no Estado e também o total de estrangeiros encarcerados

Marco Antônio Carvalho Publicado Em 05/01/2018 - 03h00

BOA VISTA (RR) - A crise humanitária venezuelana está se somando a uma crise penitenciária e de segurança pública brasileira no interior da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), a maior do Estado de Roraima, com mais de 1,2 mil presos. Integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), que dominam o presídio e há um ano foram responsáveis pela morte de 33 detentos, estão cooptando venezuelanos que chegam cada vez em maior quantidade às cadeias.
Desde o fim de 2016, assistindo a um recrudescimento da crise na Venezuela, notada desde a precariedade do sistema de saúde à oferta de produtos nas prateleiras dos supermercados, os vizinhos decidiram migrar para Roraima em busca de emprego e sobrevivência. A cidade de Pacaraima, na fronteira, e a capital Boa Vista são as que mais notam os efeitos do fluxo, que deixa um rastro de superlotação em abrigos públicos e um número incomum de pedintes nas ruas e nos semáforos. Pelas ruas da capital, não são poucas as pessoas que seguram um pedaço de papelão com uma frase em português: “Procuro emprego”.
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A situação tem culminado com a prisão de venezuelanos que se envolvem em crimes como furto e roubo de celular, além da entrada ilegal de combustível, e tráfico de drogas. Dados da Secretaria de Justiça mostram que de cerca de cinco presos venezuelanos detidos no sistema de Roraima o número passou para mais de 60 em um ano. Quem se aproveitou disso foram os integrantes do PCC, cooptando os estrangeiros para os seus quadros e fortalecendo a sua conexão internacional em busca de armas e drogas.
“Observamos que muitos venezuelanos foram cooptados pelo PCC. Por meio do setor de inteligência, percebemos que esse contato com o País vizinho vem se fortalecendo e tem relação com a imigração descontrolada”, disse o secretário-adjunto de Justiça e Cidadania (Sejuc), capitão PM Diego Bezerra de Souza.
Bezerra disse que a pasta possui um monitoramento dos integrantes da facção, catalogação que inclui pessoas presas e também aquelas que já foram soltas. Sobre os motivos que levam os venezuelanos a se aproximarem do PCC, o capitão disse existir um “conjunto de fatores”. “Eles são intimidados e precisam se agregar a algum grupo para se fortalecer, e isso tem acontecido principalmente com o PCC. Dificilmente, vemos venezuelanos entre os membros do Comando Vermelho.”
Após o massacre em janeiro, a secretaria decidiu retirar todos os inimigos do PCC que ainda estavam presos no Pamc. Eles foram levados para a Cadeia Pública de Boa Vista, que se transformou em reduto do CV, facção que após os assassinatos viu despencar o número de filiados.
A cônsul da Venezuela em Roraima, Gabriela Ducharne, disse nesta quinta-feira, 4, ao Estado que a situação é verdadeira, mas a falta de informações fornecidas pelos presos impede que sejam tomadas providências. “Não tenho muita informação porque eles não falam muito, mas é verdade, estão sendo obrigados a entrar para as facções senão sofrem as consequências. Eles não falam muito, mas diz que estão sendo incluídos. Alguns não falam que são obrigados, mas só fala que eles estão fazendo parte”, diz.
Emergência
No dia 4 de dezembro, a situação de migração levou a governadora Suely Campos (PP) a decretar situação de emergência no Estado. No documento publicado no Diário Oficial, ela sustenta que o agravamento da situação se deu ante ao “ inesperado e rápido aumento do número de imigrantes que chegaram ao Estado de Roraima, majorando significativamente o contingente de estrangeiros, sem que possuam meios e condições para sua manutenção”. Diz ainda que as equipes estaduais enfrentam “sérias dificuldades” para dar apoio humanitário e logístico à situação, com riscos à saúde e segurança dos imigrantes e da população local.
A rodovia BR-174, que dá acesso ao Pamc, é a mesma que, 200 quilômetros mais a frente, vai dar em Santa Elena de Uairén, principal porta de entrada dos estrangeiros vizinhos ao território brasileiro. Nas ruas de Boa Vista, a prefeitura tenta impedir que os inúmeros venezuelanos vendam produtos e limpem parabrisas nos semáforos da cidade, cena pouco comum antes da onda migratória.
Em todo o sistema penitenciário brasileiro, há 2,6 mil presos de outras nacionalidades, de acordo com informações do Infopen, relatório do Ministério da Justiça, entre os 726 mil detentos; 56% dos estrangeiros são provenientes do continente americano, 27% vêm da África e 13% da Europa. O relatório computa dados relativos a julho de 2016, quando em Roraima havia 31 estrangeiros, 1,3% do total de presos do sistema local, sendo que 24 eram de países do mesmo continente.
Morte
A doméstica Cleocinara, de 43 anos, que preferiu se identificar apenas pelo primeiro nome, perdeu o marido no massacre de janeiro na Pamc. Erismar Duran da Silva completou 37 anos dois dias antes de ser assassinado por integrantes do PCC, no dia 6 de janeiro. Seu corpo só foi encontrado no dia 8, já que os assassinos haviam escondido o corpo na fossa do pavilhão, o que fez elevar o número total de vítimas mais de 48 horas depois de o País ter tomado conhecimento do novo capítulo da briga entre facções. Erismar morreu junto com o irmão Edismar Henrique Duran Barreto.
Cleocinara conta que ele não pertencia a nenhuma facção rival, mas se negava a se filiar ao PCC. Ela conheceu Silva já na cadeia, onde no ano 2000 já cumpria pena. “Ele comentava muito comigo que viviam chamando, viviam dando pressão, direto. Eles dão duas opções, ou entra ou segue a vida religiosa, se converte, aceita Jesus. Tem essas duas opções. Como ele não queria, acabou morrendo”, diz.
O presidente do sindicato dos agentes penitenciários de Roraima, Lindomar Sobrinho, cobrou a construção de uma unidade prisional nova para começar a oferecer reação ante aos problemas do sistema local. Segundo ele, a Pamc “tem de ser demolida”, pois representa “um risco para os servidores e para os detentos”. “Os pavilhões são feitos de tijolos, sem concreto, e podem ser facilmente escavados. O presídio como existe já perdeu a sua finalidade.”
Ele chama de “êxodo” a migração venezuelana para o Estado e acredita que, com o atual ritmo de prisões, “em dois anos os venezuelanos estarão em maior número que os brasileiros no sistema”. “O Estado não tem como impedir novas mortes. É um problema que se arrasta durante décadas e nós não interessa saber quem causou o colapso. O que interessa é que ele seja resolvido.”
Análise: Sem resistência, facção se fortalece
"O maior interesse do PCC em países como a Venezuela é lavagem de dinheiro, para tornar o dinheiro lícito. A situação na Venezuela é mais delicada, com uma crise grande, e lá eles encontram mais facilidade do que em outros países. O caminho para o PCC até a Venezuela, mas não só para lá e, sim, para a internacionalização, foi por meio do contato com a Bolívia. Importante notar que o contato boliviano remete a esta década, solidificado com a morte de Jorge Rafaat, ex-líder do tráfico na fronteira, em junho de 2016. No Paraguai, ele representava um empecilho ao contato direto do PCC e a Bolívia. A facção agora se mostra cada vez mais como um cartel e continuará se expandindo até encontrar resistência."

JORNAL VALOR ECONÔMICO


"Não vou brigar sozinho contra céus abertos"


João José Oliveira Publicado Em 05/01/2018 - 05h00

A Azul desistiu de brigar contra a aprovação da etapa final do acordo de "céus abertos" entre Brasil e Estados Unidos - que permite que companhias aéreas dos dois países possam criar voos entre os dois territórios sem limites de cotas ou de destinos - e se concentrará agora em aproveitar a regra assim que ela entrar em vigor, com a ampliação dos acordos comerciais que já possui com a sócia United Airlines, terceira maior da aviação americana.
"Sim, vamos fazer JB [Joint Business Agreement, ou JBA]. A United é nosso parceiro, muito forte nos Estados Unidos e vamos fazer acordo", disse o presidente da Azul, John Rodgerson, referindo-se ao tipo de parceria conhecido como JBA, por meio da qual duas empresas aéreas decidem de forma combinada como vão operar os voos entre dois países, dividindo despesas e compartilhando receitas.
O executivo ponderou que seria melhor para o Brasil ter evitado a implementação do "céus abertos" agora, mas admitiu que, uma vez aprovada, a regra deve ser explorada comercialmente. "Para a Azul, não faz tanta diferença, porque os céus que voamos sempre foram abertos. A questão é que demos algo sem ter nada em troca. Mas agora não vou ficar como um bobo sozinho brigando", disse Rodgerson, referindo-se ao fato de as rivais Latam e Gol serem favoráveis ao compromisso de "céus abertos".
A United detém 4% dos direitos econômicos da Azul, fatia pela qual pagou US$ 100 milhões em julho de 2015. Ambas já têm acordo de "code-share", por meio do qual, por exemplo, um americano que voa dos Estados Unidos para São Paulo na United e segue para Porto Alegre em conexão da Azul realiza todo o processo de reserva, emissão de passagens e despacho de bagagens de forma integrada.
Mas com o JBA, a parceria será aprofundada, uma vez que a própria malha aérea da Azul e da United entre Brasil e Estados Unidos será feita de forma combinada.
O modelo de acordo JBA já foi assinado, por exemplo, entre a Latam e a American Airlines, mas para entrar em vigor depende do acordo de "céus abertos". O governo dos Estados Unidos considera essa uma pré-condição para liberar em território americano os contratos de JBA. Por isso, inclusive, a Latam defende de forma mais clara o compromisso entre os países. A Gol já declarou, mais de uma vez, que poderia assinar uma joint venture com a Delta, sua sócia, depois que o acordo de "ceús abertos" com os EUA fosse aprovado.
O acordo, assinado pelos governos brasileiro e americano em 2011, vem sendo implementado paulatinamente. A última etapa - que libera totalmente os céus entre os dois países - depende de ratificação no Congresso. Em 19 de dezembro, a Câmara deu o sinal verde; falta agora o Senado.
Rodgerson disse que as companhias dos Estados Unidos são maiores e as mais rentáveis do mundo, com forte geração de caixa. Por isso, em um mercado aberto, elas poderão vender voos a preços mais competitivos que as concorrentes brasileiras. Para comparar, a United transportou 81 milhões de passageiros e faturou US$ 28,2 bilhões em vendas nos nove primeiros meses de 2017. No mesmo período, a Azul atendeu 16,5 milhões de clientes para uma receita de US$ 1,8 bilhão pelo câmbio médio do período. "O corte de impostos do governo [do presidente americano Donald] Trump vai tornar as americanas ainda mais fortes", disse Rodgerson, referindo-se à mudança tributária americana aprovada em dezembro último que cortou a alíquota do imposto cobrado de corporações de 35% para 21%.

PORTAL G-1


Com pouca fiscalização, Baía de Guanabara é porta de entrada para fuzis no RJ

Armamento banalizado em território fluminense é entregue em pequenos barcos em favelas à beira da baía, diz promotor. AK-47 e AR-15 são os mais desejados e custam até R$ 70 mil.

Carlos Brito E Marco Antônio Martins Publicado Em 05/01/2018 - 05h00

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A Baía de Guanabara é uma importante rota de entrada de armas e drogas na cidade do Rio e na Baixada Fluminense, segundo investigações do Ministério Público do Rio. O policiamento, no entanto, é praticamente inexistente. Marinha e Polícia Militar dizem que é da Polícia Federal a responsabilidade por impedir o tráfico nos 380 km² da baía. Segundo informações obtidas pelo G1, a patrulha fica a cargo de três ou quatro policiais federais por turno. Em 2017, não houve registro de apreensão de fuzis pela PF na região.
Segundo policiais, falta efetivo para combater o tráfico de armas. Fuzis como o .50, exibido em vídeo com aliados do traficante Rogério 157, chegam às mãos de quadrilhas por meio de barcos pequenos com acesso a comunidades à beira da água.
"Navios chegam à baía com armas de grande porte, como fuzis. Dali, são descarregadas para embarcações menores, bastante comuns na região, e distribuídas pelas comunidades que ficam no entorno", afirma o promotor do Grupo de Ação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP, Alexander Araújo.
As favelas localizadas nas margens da Baía de Guanabara e dominadas por traficantes estão em pelo menos três cidades. O Dendê, na Ilha do Governador, Zona Norte da capital; Beira-Mar, em Duque de Caxias; e o Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, estão entre os principais pontos de receptação dos fuzis.
"A Baía de Guanabara é uma terra de ninguém. Tudo passa por ali e não há policiamento nenhum. O que chega a surpreender, porque há anos essa travessia de armas ocorre no local. Por ser uma rota de entrada de fuzis mais que conhecida, a baía deveria ser uma área de patrulhamento constante", afirmou a professora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) da Universidade Candido Mendes, Silvia Ramos.
A facilidade que bandidos encontram para transportar fuzis na Baía de Guanabara não deverá ser comprometida. É o que se pode compreender pelas respostas enviadas pelas forças de segurança ao G1.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Polícia Militar informou que o Grupamento Marítimo e Fluvial da corporação atua na Baía de Guanabara apenas no combate a crimes ambientais – caso algum armamento seja detectado durante as operações, é levado à delegacia responsável.
Situação semelhante ocorre com a Capitania dos Portos, submetida à Marinha do Brasil. Por meio de nota, o órgão informou que "a instituição cumpre as funções que lhe compete como Autoridade Marítima e apoia os órgãos de segurança pública quando solicitada". "Reitera-se que a responsabilidade da MB como Autoridade Marítima é atuar nos rios e no litoral, fiscalizando o tráfego de embarcações a fim de garantir a segurança da navegação, a proteção da vida humana e a prevenção da poluição ambiental.
"A Marinha do Brasil, por meio do Comando do 1º Distrito Naval, esclarece que a Capitania dos Portos do Rio de Janeiro atua nas águas interiores e no litoral fluminense, fiscalizando o tráfego aquaviário e cumprindo as atribuições legais da Autoridade Marítima brasileira, no que se refere à segurança da navegação, à salvaguarda da vida humana no mar e à prevenção de poluição ambiental, provocada por embarcações."
O G1 apurou que o Núcleo Especial de Policiamento Marítimo (Nepom) da Polícia Federal possui um efetivo de 25 agentes, mas apenas três ou quatro atuam em cada plantão: um permanece na imigração do porto e os outros dois ficam no próprio núcleo. O Nepom possui, pelo menos, três embarcações e dois jet-ski, entre elas uma lancha de 45 pés blindada, que demanda quatro policiais um piloto, um tripulante e mais dois agentes armados.
O núcleo vem atuando apenas em apoio às delegacias da Polícia Federal. Já se considerou a criação de um divisão de investigação marítima. No entanto, mais uma vez devido à falta de efetivo, a ideia foi abandonada.
Em 30 de dezembro passado, agentes da Polícia Federal prenderam três suspeitos em flagrante por tráfico de drogas e apreenderam aproximadamente 380 quilos de cocaína que estavam em um barco de pesca na Baía de Guanabara.
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Recorde de apreensões
"Arma de cano longo, carabina, espingarda". É dessa forma, econômica e simples, que os dicionários definem o fuzil. A realidade que envolve essa arma, no entanto, é bem mais complexa.
Marca registrada da criminalidade carioca, o armamento concebido para ser usado apenas em guerras e confrontos de grande proporções, teve sua utilização banalizada na capital fluminense e na Região Metropolitana do Rio – mesmo para cometer crimes de menor potencial ofensivo, é comum ver bandidos portando fuzis.
Segundo o Instituto de Segurança Pública, junho de 2017 foi o mês com o maior número de apreensões de fuzis nos últimos 10 anos: foram 93 unidades, sendo que 61 delas foram apreendidas durante uma operação realizada pela Polícia Civil no dia 1 de junho, no Aeroporto do Galeão. Investigações apontam que as armas foram pedidas pelo traficante Rogério 157, um dos pivôs da guerra que aterrorizou os moradores da Rocinha em setembro de 2017 e que acabou preso no dia 6 de dezembro, na Favela do Arará.
Até novembro de 2017, 400 fuzis já haviam sido apreendidos no Rio de Janeiro.
Ainda assim, o número de fuzis em circulação nas favelas cariocas é tão elevado que as próprias autoridades não se arriscam a estimar quantos estariam nas mãos dos criminosos.
"Essas armas vêm de outros países, tanto vizinhos quanto de nações mais afastadas. O que nós percebemos é que, onde há circulação de mercadoria lícita, como portos, aeroportos e rodovias, também há passagem de material ilegal, como drogas e armas. A fronteira do Brasil é muito grande e o aparato estatal para impedir esse tipo de crime está aquém do necessário. Por isso, o criminoso tenta o tempo todo burlar a fiscalização e fazer com que esse armamento chegue aqui", diz o titular da Delegacia Especializada em Armas e Explosivos (Desarme), Fabrício Oliveira.
A extensão das fronteiras do Brasil com outros países do continente e a insuficiência de efetivo para patrulhá-las é um elemento que facilita a entrada de armas em território nacional. O país tem 16.886 quilômetros de fronteiras com nove países da América do Sul: Uruguai, Argentina, Bolívia, Paraguai, Peru, Venezuela, Colômbia, Guiana e Suriname, além do Departamento Ultramarino Francês da Guiana.
"Esses fuzis chegam à América do Sul, na Colômbia e Venezuela, mas sobretudo no Paraguai, vindos dos Estados Unidos, de países do leste europeu e também da China, nação onde são fabricadas armas de qualidade inferior e, portanto, mais baratas. O armamento entra no Brasil tanto por via terrestre quanto, no caso do Rio de Janeiro, por via marítima, aproveitando-se da fragilidade encontrada na Baía de Guanabara", explicou o promotor.
Para o diretor da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança (Abseg), Vinícius Cavalcante, é impossível fiscalizar uma área tão extensa.
"Temos que deixar uma coisa clara: todo o trabalho e esforço das forças de segurança nas fronteiras podem diminuir a chegada de armas em território nacional, mas é ilusório acreditar que é possível conseguir, com a extensão fronteiriça que o Brasil tem, fechar o país à entrada clandestina de armamento. Tome, como exemplo, a tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, em Tabatinga, no Amazonas. Ali há pontos onde o Rio Solimões possui mais de um quilômetro de distância entre uma margem e outra e por onde passam muitas armas. Como é que se consegue vigiar um espaço desse tamanho?", indaga.
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A rota paraguaia de transporte de armas até o Rio de janeiro é bem conhecida pelas autoridades: o fuzil sai do país, sobretudo das cidades de Pedro Juan Caballero, Salto del Guairá, Ciudad del Este e Capitán Bado, e entra no Brasil por Ponta Porã e Coronel Sapucaia, já no Mato Grosso do Sul.
Dali, as armas são divididas em carros e seguem por rodovias federais – BR-277, BR-369 e BR-374 – até São Paulo. A partir deste ponto, há duas grandes veias de escoamento terrestre de fuzis para o território fluminense: a Via Dutra e a Rio-Santos.
"As armas passam por essas rodovias, não há dúvida. Os traficantes fazem o que chamamos de `tráfico pingado`, realizado com grande frequência, mas em quantidades bastante reduzidas, para evitar que se percam muitas armas caso haja uma apreensão. São dezenas, talvez centenas de veículos passando pela Via Dutra e pela Rio-Santos carregando fuzis para os traficantes cariocas quase sempre sem maiores problemas. Mas, é claro, às vezes a polícia consegue fazer algumas apreensões", explicou Cavalcante.
Apreensões como o carregamento com quase nove mil cápsulas para fuzil e pistola feito no dia 15 de outubro pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na Rodovia Rio-Santos (BR-101), altura de Itaguaí, na Baixada Fluminense.
Segundo a PRF, a carga seria entregue em uma comunidade da Zona Oeste do Rio. Os agentes faziam uma blitz quando abordaram um Fox, que era conduzido por um rapaz de 21 anos. Ele estava acompanhado da mulher, de 39 anos, e de duas crianças, de 1 e 6 anos. Em um compartimento secreto do carro foram encontradas 4.011 cápsulas para fuzil calibre 5.56 e 4.826 para pistola calibre nove milímetros.
"Nesse caso específico, nosso serviço de inteligência monitorou a comunicação deles. Os criminosos estavam até com batedores para trazer a carga. Eles fazem de tudo para tentar ocultar as armas e a munição – utilizam fundos falsos e até colocam munição e fuzis dentro dos tanques de combustível", explicou o superintendente substituto da PRF no Rio de Janeiro, inspetor Rafael Alvim.
Até o dia 14 de outubro de 2017, a PRF havia apreendido 370 armas nas rodovias que seguiam em direção ao Rio de Janeiro – um aumento de 110,23% em comparação às 176 apreensões no ano passado. A abordagem na Dutra e na Rio-Santos – por onde passam, em média, 90 mil carros por dia – é feita por monitoramento e também por amostragem em blitzes.
"Fazemos patrulhamento diário, permanente. Sabemos que a Dutra e a Rio-Santos são corredores importantes para os criminosos, mas é um equívoco achar que a chegada de fuzis ao Rio de Janeiro se dá apenas pelas estradas", avaliou Alvim.
"Locais como o Complexo da Maré, por exemplo, possuem importância estratégica para os criminosos: basta observar que aquele conjunto de favelas fica próximo a locais por onde os fuzis podem ser transportados com facilidade, como a Baía de Guanabara, a Linha Vermelha e também o Galeão, que é outra importante porta de entrada. Vale lembrar que a maior apreensão de fuzis feita em muito tempo no Rio de Janeiro aconteceu ali", diz Vinícius Cavalcante, da Abseg.
Todos os fuzis apreendidos no Galeão durante a operação realizada no dia 1 de junho vieram de Miami dentro de contêineres junto com uma carga de aquecedores para piscinas. Segundo a polícia, o empresário Frederik Barbieri, dono de uma empresa de transportes em Miami, seria o responsável pelo envio das armas - ele negou qualquer participação no episódio.
Na ocasião, Barbieri também afirmou que policiais civis estariam envolvidos no tráfico de armas. Em nota, a instituição informou que, caso as acusações de Barbieri fossem verdadeiras, os agentes "responderiam na forma da lei".
"O fato é que comprar armas nos Estados Unidos é algo muito fácil. Lá, é possível adquirir um fuzil de forma legal por apenas US$ 1 mil. Ou seja, pode-se comprar uma arma de guerra de maneira lícita e, logo em seguida, enviá-la para o Brasil", explicou o delegado Fabrício Oliveira, lembrando que, no mercado negro, traficantes pagam entre R$ 50 mil e R$ 70 mil por cada fuzil.
Modelos
Tanto na avaliação de integrantes do Ministério Público quanto na de agentes da Polícia Civil, há dois modelos de fuzis prioritários na ordem de preferência dos criminosos cariocas: o russo AK-47 e o americano AR-15.
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AK-47
"O AK-47 é o fuzil mais vendido do mundo, a arma que você vê com facilidade na maioria dos confrontos armados em qualquer parte do planeta. Isso não acontece por acaso: o AK é prático e quase indestrutível. Pode cair na água e na lama e mesmo assim continua funcionando sem problemas. É uma espécie de `pau para toda obra` com excelente relação custo-benefício. Sua utilização também não requer muito treino", explicou Cavalcante.
Criado logo após o fim da Segunda Guerra Mundial pelo militar russo Mikhail Kalashnikov, o AK-47 hoje é fabricado em diversas partes do planeta – a arma possui licenciamento aberto, ou seja, sua patente não pertence a ninguém. Estima-se que haja pelo menos 65 milhões de unidades desse fuzil em circulação no mundo.
"Já cheguei a ver, aqui mesmo no Rio de Janeiro, modelos de AK-47 feitos na República Tcheca, Bulgária, Romênia, entre muitos outros países", relembrou o diretor da Abseg.
AR-15
"Mais leve e bem mais preciso que o AK-47, o AR-15 é a versão semiautomática do M-16 e também uma espécie de resposta americana ao fuzil russo. Não oferece a mesma praticidade do primeiro, mas, nas mãos de um atirador mais habilidoso, sua estrutura dificilmente permite que o alvo não seja atingido. É uma arma mais profissional e sua utilização exige algum nível de treinamento, mesmo que elementar", disse Cavalcante.
Embora não na mesma proporção que o AK-47, o AR-15 também é fabricado de forma clandestina em diversas partes do mundo. Utilizando munição calibre 5,56, a arma pode disparar entre 750 e 800 tiros por minuto.
Aluguel e leasing
O poder de fogo dos fuzis não se presta apenas a garantir a segurança dos territórios dominados por traficantes. O efeito de intimidação dessas armas fez com que passassem a ser usadas de forma recorrente por bandidos nos mais variados tipos de atividades criminosas, o que ocasionou uma banalização da presença do fuzil no Rio de Janeiro.
"O fuzil é uma arma criada para situações de guerra que praticamente elimina a possibilidade de defesa, mesmo quando um agente das forças de segurança está armado com uma arma mais leve, como uma pistola. Por isso os criminosos passaram a utilizá-la para tudo, até mesmo para a prática de crimes menores. Esse tipo de armamento deixa a vítima sem possibilidade de defesa", avaliou o promotor Alexander Araújo.
O temor provocado pelo fuzil levou os bandidos a diversificarem sua posse: muitas vezes, a arma é emprestada para outros criminosos, ou seja, ter um fuzil se tornou uma forma alternativa de lucro.
"Muitos ladrões de carros e cargas utilizam fuzis, que muitas vezes nem pertencem a eles. Esses criminosos alugam o armamento de traficantes e os devolvem logo após as ações. Soa absurdo, mas o crime no Rio de Janeiro inventou e consolidou o leasing de fuzil: uma espécie de `aluguel` para a utilização dessas armas", explicou a professora Silvia Ramos.
O delegado Fabrício Oliveira informou que algumas investigações feitas pela Desarme apontaram, de fato, para a existência desse tipo de transação comercial de fuzis entre os criminosos.
Fascínio e domínio territorial
Além da força bélica que garante aos criminosos, os fuzis também dão vantagens psicológicas aos bandidos.
"Não bastasse seu poderio letal, a presença do fuzil traz elementos simbólicos. Quando disparado, o som de seu tiro ecoa por vários quilômetros. Moradores de bairros vizinhos às áreas controladas por bandidos sabem que há armas de guerra bem próximas. De certa forma, é como se os bandidos que as utilizam mandassem um recado para mostrar que ali, naquela comunidade, quem manda são eles, não o Estado. Esse tipo de dinâmica, de criminosos armados com fuzis dominando grandes áreas urbanas, acontece em poucas cidades do mundo. O Rio, infelizmente, é uma delas", afirmou a professora.
"O fuzil é um símbolo de poder e, infelizmente, isso gera uma espécie de fascínio, sobretudo nos jovens arregimentados pelo tráfico. Para crianças e adolescentes que crescem junto à criminalidade, portar um fuzil significa crescimento na hierarquia do tráfico. E isso é muito triste", lamentou o promotor.
Reação demorada
A demora na criação de uma delegacia especializada no combate ao tráfico de armas é apontada por especialistas como um sinal da demora do Estado no enfrentamento à criminalidade no Rio de Janeiro.
A Desarme nasceu apenas em 2017. A Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE), que atuava no combate e apreensão ao armamento pesado, foi extinta em 2011. Segundo o governo, na época comandado por Sérgio Cabral, o número de ocorrências era "muito baixo" e não justificava a existência da delegacia.
"Há pelo menos duas décadas, a entrada de armas no Rio de Janeiro é o principal causador de violência no estado. É surpreendente que a Desarme, uma delegacia dedicada a combater esse problema, só tenha sido criada em 2017 – já seria muito tarde se tivesse surgido em 2007. Para se ter uma ideia, em 2009 um helicóptero da Polícia Militar foi derrubado por bandidos no Morro dos Macacos. Pois nem um episódio grave como aquele foi o suficiente para que o Estado criasse uma delegacia que centralizasse as investigações sobre a entrada de armas no Rio de Janeiro", ponderou a professora Silvia Ramos.
"Depois que um fuzil entra em uma favela e está nas mãos de um bandido, e isso pode ocorrer inclusive com a corrupção de agentes públicos, o poder dessa arma só poderá ser combatido com o emprego de outro fuzil. Com isso, teremos confronto, troca de tiros e, de forma quase inevitável, a morte de inocentes. Logo, fica evidente que é fundamental impedir a chegada desse tipo de arma aqui", finalizou.

Caminhão da Aeronáutica tomba e militares ficam feridos nos Jardins

Pelo menos cinco militares ficaram levemente feridos.

Publicado Em 05/01/2018 - 10h28

Um caminhão da Aeronáutica tombou, na manhã desta sexta-feira (5), no bairro dos Jardins, na Zona Oeste da cidade de São Paulo. Segundo a Polícia Militar, pelo menos cinco militares ficaram levemente feridos.
Ainda de acordo com a PM, o caminhão tombou sozinho na Rua Bolívia, próximo à rua Argentina, mas não foi um acidente grave. Não há mais informações sobre o acidente.
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Ultraleve faz pouso forçado na praia de Coroa Vermelha, no sul da Bahia

Situação ocorreu em Santa Cruz Cabrália. Não há informações sobre feridos.

Publicado Em 05/01/2018 - 13h06

Um ultraleve fez um pouso forçado na praia de Coroa Vermelha, no município de Santa Cruz Cabrália, no extremo sul da Bahia.
Segundo informações de testemunhas, o incidente ocorreu no final da tarde de quinta-feira (4), por volta das 17h30. Não há informações sobre feridos.
O G1 entrou em contato com o Fly Club, espaço que trabalha com aeronaves em Porto Seguro, a cerca de 18 quilômetros de Cabrália, e a gerência informou que o ultraleve não pertence à empresa.
A gerência contou também que chegou a mandar um profissional no local, a fim de dar um suporte, e que chegando lá obteve o relato de que a aeronave estava sendo usada por pessoas do distrito de Santo André, também em Cabrália. Não há informações sobre a localização dos ocupantes, que não teriam ficado feridos.
Em contato com o G1, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que fica em Brasília, contou que o Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes (Seripa 2) está levantando informações sobre o caso.
Até a publicação desta reportagem, a delegacia da cidade ainda não tinha obtido o registro da situação.
Porto Seguro
Uma situação semelhante ocorreu na praia de Pitinga, no distrito de Arraial D´Ajuda, município de Porto Seguro, extremo sul da Bahia, também no extremo sul, no dia 27 de dezembro. Um helicóptero particular precisou fazer um pouso forçado após uma pane em um equipamento da aeronave.
O caso ocorreu por volta das 15h30. O piloto e proprietário do helicóptero, Felipe Simioni, afirmou ao G1 que estava com a namorada em um voo particular, quando detectou a pane no equipamento chamado "governador", que fica ao lado do motor e é responsável por segurar a potência da aeronave.
Ele disse que informou a necessidade de fazer o pouso ao Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Porto Seguro (Decea-PS), por razões de segurança. Logo depois do pouso, ele percebeu que o "governador" estava funcionando manualmente e conseguiu voltar a decolar.
Depois do pouso, Felipe afirmou que também informou a situação à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

PORTAL R3 (SP)


Defesa, MJ, GSI e Governo do Rio estabelecem protocolo de segurança para 2018


Publicado Em 05/01/2018

Na quinta-feira (4), os ministros da Defesa, Raul Jungmann; da Justiça e Segurança, Torquato Jardim; do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Sérgio Etchegoyen; e o governador Fernando Pezão, estiveram reunidos no Palácio do Planalto para discutir o prosseguimento das ações de segurança no estado do Rio de Janeiro e as medidas de acompanhamento que serão implementadas em 2018.
Para o ministro Raul Jungmann a reunião visa aperfeiçoar a parceria criada em 2017, dentro do Plano Nacional de Segurança Pública, que reforçará mutuamente os órgãos envolvidos na questão, para atingir objetivos administrativos e institucionais estabelecidos.
“Nós fizemos aqui um balanço do Plano Rio de Segurança 2017 e traçamos metas, traçamos compromissos, estabelecemos exatamente como vamos trabalhar e melhorar o nosso desempenho em 2018”, ressaltou o ministro da Defesa.
Além do balanço feito entre os órgãos, foi decidido que haverá um sistema de acompanhamento e monitoramento dos compromissos e metas estabelecidos. “Vamos estabelecer um conjunto de indicadores para que tanto nós como a sociedade possa acompanhar o que está acontecendo”, explicou Jungmann ao final da reunião.
Para o acompanhamento proposto haverá reuniões periódicas, no nível mais alto e nos demais níveis e, em 30 dias, será entregue um plano integrado de segurança para o Rio de Janeiro 2018, com a participação de todas as Forças Estaduais e Federais.
A próxima reunião está marcada para o dia 12 de janeiro, no Rio de Janeiro, no Palácio da Guanabara.

JORNAL O POVO (CE)


Uma tragédia próxima, a 2,3 mil km de distância


Erico Firmo Publicado Em 05/01/2018 - 01h30

A rebelião no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia é uma tragédia humana perigosamente próxima dos cearenses e todos os brasileiros. Está perto para além da empatia com os nove seres humanos assassinados cruelmente, um deles que teve as vísceras retiradas de dentro do corpo e penduradas com arame do lado de fora do presídio. É um horror cujo espectro está tenebrosamente próximo.
A expansão das facções criminosas interligou em rede detentos de todo o Brasil, de forma muito mais intensa, concreta, orgânica e descentralizada do que as forças de segurança pública jamais conseguiram fazer. A capacidade de articulação permite-os espalhar o terror antes que os gestores públicos saibam o que caiu sobre as cabeças deles;
Em janeiro de 2017, rebeliões começaram em presídios do Norte e espalharam efeitos pelo País. Na primeira quinzena do ano passado, 56 morreram no Amazonas, 31 em Roraima, 26 no Rio Grande do Norte. Em Minas Gerais, nove ficaram feridos. No Paraná, 28 fugiram.
Para além do efeito momentâneo, as rebeliões foram sinal de que a trégua entre facções havia terminado e demonstração do poder de força que elas têm. A brutalidade vai além da crueldade - óbvia condição para que os atos sejam realizados. Porém, há também um recado a ser dado. A violência é forma de comunicação e propaganda para as facções.
A partir daí, a violência foi desencadeada em toda parte. O Ceará, que vinha de 2016 com os melhores resultados na segurança pública em muito tempo, viu o recrudescimento da violência. Pela primeira vez, o Estado ultrapassou os cinco mil homicídios em um ano.
Essa calamidade teve como estopim as rebeliões em estados tão distantes quanto Amazonas ou Roraima. São questões que, para além da competência ou incompetência dos gestores estaduais, não podem ser resolvidas no plano local. As facções são interestaduais, algumas internacionais. O problema é maior que qualquer estado.
Por isso, a emergência em Goiás deve deixar em alerta todo o País, em particular os responsáveis pela segurança pública. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirma que a situação goiana está monitorada e não hás risco de efeito cascata por outros estados.
Talvez o Governo Federal esteja muito seguro e resguardado de riscos. Porém, os problemas normalmente ocorrem quando se julga que eles não irão acontecer. Ex-secretário da Segurança Pública do Ceará, Delci Teixeira chegou a dizer que os que se supunha membros de facções eram, na verdade, “pirangueiros” cujo maior risco que representavam era jogar “pedra no vidro da janela de uma delegacia”.
Delci deixou o cargo na virada do ano passado, por decisão própria, dias antes de a crise das facções explodir. Talvez tenha sido coincidência, ou talvez estivesse mais bem informado do que parecia, meses antes, ao demonstrar minimizar a ameaça representada pelos grupos organizados.
A Emergência Estadual e a Omissão Federal
Governadores do Nordeste reiteradas vezes já pediram socorro federal para conter a crise da segurança. Ontem, governadores de Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Rondônia e Maranhão lançaram manifesto no qual cobram a União. É um pedido de socorro.
Em comum com os governadores do Nordeste, a proposta de um fundo nacional para financiar a segurança pública. Ideia similar havia sido levada pelos nordestinos a Michel Temer (PMDB) em maio do ano passado. O presidente respondeu com a clássica resposta de quem não quer resolver: propôs formar uma comissão para negociar o assunto. Faz oito meses e o fundo não nasceu.

REVISTA ISTO É DINHEIRO


Guerra nos ares

Em um cenário de consolidação, Boeing e Embraer querem unir forças para ganhar escala na batalha pelo mercado de jatos regionais. Mas é na área militar que o acordo entre as duas companhias desperta mais interesse. Com os avançados Super Tucano e KC-390, a grande joia da indústria brasileira é estratégica para os americanos, que não vão poupar esforços para convencer o presidente Michel Temer de que o negócio será bom para ambas as partes

Rodrigo Caetano Publicado Em 05/01/2018 - 19h00

Em agosto do ano passado, os céus do Novo México, nos Estados Unidos, foram tomados por uma verdadeira demonstração de poder de fogo. A Força Aérea Americana (USAF) realizou uma série de provas com aviões leves de ataque nos arredores da base de Holloman, um importante centro de testes militares. O exercício faz parte do programa Combat Dragon, um antigo projeto militar – seu início remete aos tempos da Guerra do Vietnã – para desenvolver aviões menores capazes de combater insurgentes e terroristas, a um custo mais acessível do que o dos jatos mais avançados. “O objetivo é observar novas formas de aumentar a eficiência e a letalidade”, afirmou, em nota oficial, o General David Galdfein, chief of staff da USAF. Das quatro aeronaves participantes, no entanto, apenas duas realmente concorrem pelo contrato, que pode movimentar algo em torno de US$ 3,5 bilhões: o AT-6 Wolverine, da americana Textron, e o A-29 Super Tucano, o pequeno notável da brasileira Embraer.
A uma semana do Natal passado, as chances do Brasil levar essa disputa aumentaram consideravelmente. Foi quando a americana Boeing anunciou que havia iniciado conversas com a Embraer para uma possível união de forças. Inicialmente, a intenção das duas companhias parecia uma reação a outra grande união no setor de aviação, entre a franco-germânica Airbus, maior rival da Boeing no setor de aviões de médio e grande porte, e a canadense Bombardier, principal competidora da Embraer entre os jatos regionais e de pequeno porte. Esse segmento responde por 60% do faturamento da companhia de São José dos Campos, cuja previsão de receita para 2017 gira em torno de R$ 17 bilhões – os outros 40% são divididos igualmente entre as áreas militar e executiva. De fato, o movimento da Airbus é um grande incentivo para o negócio entre brasileiros e americanos. Ao adquirir o programa C-Series da Bombardier, em outubro, a Airbus entrou de cabeça no mercado da Embraer (o acordo envolveu o pagamento simbólico de US$ 1 e depende de aprovação do governo canadense, o que é esperado para o primeiro semestre).
Na quarta-feira 3, a Embraer confirmou que as tratativas envolvem o setor de defesa. No mesmo dia, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que o governo não se opõe a uma parceria na área militar, “desde que seja resguardado o sigilo, caso a caso”. “Só não faremos alienação, venda ou transferência do controle”, disse o ministro. Em nota, o Comando da Aeronáutica afirmou que “considera a Embraer uma empresa estratégica e fundamental para a soberania nacional, assim sendo, qualquer proposta que venha a ser feita deverá ser analisada também sob esses enfoques.” Qualquer acordo do tipo precisa passar, necessariamente, pelo aval do presidente Temer, uma vez que o Brasil possui uma “golden share”, ação especial que dá ao governo o poder de veto em transações, uma herança da privatização. O dispositivo visa resguardar não só os interesses de defesa brasileiros, como também os cofres. Em grande parte, o programa militar da Embraer foi financiado com dinheiro público. Só no desenvolvimento do KC-390, o governo investiu R$ 6 bilhões, se comprometendo a comprar 28 aeronaves.
As duas empresas trabalham, no momento, para criar uma figura jurídica que dê à Embraer algo como uma dupla nacionalidade. Atualmente, a companhia tem como maiores acionistas o fundo americano Brandes, com 15% de participação, o britânico Mondrian, com 10%, o BNDES e outro fundo americano, o Black Rock, ambos com 5%. No dia 21 de dezembro, no anúncio das tratativas, as ações da Embraer na B3 subiram quase 30%. Existem alguns modelos em cima da mesa. A Boeing fez algo semelhante na Austrália, enquanto a britânica BAE Systems trilhou o caminho inverso e passou a fornecer para o governo americano. Mas, ao que tudo indica, os dois lados estão longe de uma solução. O que está claro é uma união entre Boeing e Embraer pode trazer dividendos para o Brasil, uma vez que abriria uma enormidade de mercados para o KC-390 e o Super Tucano. Os Estados Unidos, por sinal, já atuam como um verdadeiro revendedor do caça brasileiro, tendo negociado o avião com Líbano e Nigéria, além do Afeganistão. Isso é possível porque a Embraer mantém uma unidade de fabricação da aeronave em solo americano, em parceria com outra gigante do setor de defesa, a Sierra Nevada. O contrário também acontece: recentemente, os EUA barraram a venda da aeronave para a Venezuela. Entre os americanos, a possibilidade de não se chegar a um acordo com o Brasil nem é cogitada – no Brasil, a empresa é liderada por Donna Hrinak, ex-embaixadora dos EUA no País. Na semana passada, a Boeing comunicou oficialmente o governo americano sobre as tratativas. Os corpos diplomáticos dos dois países já estariam conversando.
Na Embraer, há uma grande confiança de que, unindo-se à Boeing, seja possível apontar o A-29 Super Tucano como favorito absoluto na corrida pelo Combat Dragon. Afinal, em duas ocasiões, o caça brasileiro derrotou o similar americano em licitações da USAF, em 2011 e 2013. Na primeira vez, no entanto, a compra foi cancelada após ser contestada pela Beechcraft, então fabricante do AT-6, posteriormente incorporada pela Textron. Nesses casos, no entanto, o objetivo da compra era armar as forças do Afeganistão, que passaram a operar Super Tucanos em 2015. Incorporar uma arma estrangeira ao poderio bélico dos Estados Unidos é muito mais difícil. A situação muda de figura se a empresa em questão for parceira de uma das maiores fornecedoras de equipamentos militares do país, no caso, a Boeing.
Há um contexto importante nesse interesse pelo avião brasileiro. Logo quando assumiu o governo, Trump fez duras críticas à Lockheed Martin – se a Airbus é a grande concorrente da Boeing na aviação comercial, a Lockheed ocupa esse espaço no setor de defesa – por conta do alto custo de desenvolvimento do caça F35, o mais moderno da frota americana, que já teria ultrapassado a marca dos US$ 400 bilhões. Cada vez mais, os estrategistas militares americanos veem pouco sentido em usar máquinas extremamente potentes, como caças F-15, cuja hora de voo demanda um investimento de US$ 34 mil, para combater terroristas em picapes e jipes adaptados nos desertos do Iraque, da Síria e do Afeganistão. Um Super Tucano ou um AT-6, com propulsores turboélice, desempenham o mesmo papel, com mais eficiência e por uma fração do custo. Dependendo da configuração, o preço do avião brasileiro varia entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões. Seu custo de operação é estimado em US$ 1 mil por hora.
Um cenário parecido se dá com o KC-390, ainda que não exista uma licitação em vista para o cargueiro. Mas o fato é que o avião, o maior já produzido em solo brasileiro, concorre diretamente com o Hercules, aeronave de transporte militar, que é um grande sucesso comercial da Lockheed Martin, mas foi desenvolvida na década de 1950. “Uma união entre Embraer e Boeing traria uma escala importante para as operações comerciais de ambas as empresas, mas eu diria que a área militar é tão importante quanto a civil”, afirmou, também em condição de anonimato, outra pessoa a par das negociações. DINHEIRO apurou, ainda, que a Boeing tem interesse em estreitar as relações no setor espacial. Nesse mercado, Embraer e Telebras firmaram uma joint-venture para criar a Visiona, uma integradora de sistemas espaciais. Mas o grande interesse americano está na base de lançamento de foguetes de Alcântara, no Maranhão, que tem uma localização geográfica privilegiada.
NOVO PANORAMA É praticamente impossível apontar uma empresa tão identificada com o Brasil quanto a Embraer. Criada durante a ditadura militar, a companhia soube navegar por todas as crises nacionais e se reinventar várias vezes, atuando em um mercado altamente competitivo. Acabou se transformando num orgulho nacional e no exemplo máximo do “Brasil que dá certo”. Nos últimos anos, sob o comando de Paulo Cesar de Souza e Silva, ela se consolidou como uma força inovadora, focada mais no desenvolvimento de tecnologias, do que na fabricação de aviões, tanto na área militar, que tem como CEO o veterano Jackson Schneider, quanto na civil. O corpo de engenheiros da empresa é tido como um dos melhores do mundo. A Boeing, por sinal, espera contar com esse time de profissionais para repor suas equipes, já que muitos dos seus engenheiros estão se aposentando.
É esse posicionamento que, hoje, faz da Embraer um verdadeiro divisor de águas no mercado de aviação. O setor passa por um momento crucial, no qual se inicia um novo ciclo de desenvolvimento. As decisões tomadas agora traçarão os destinos das empresas na próxima década, o que faz do ufanismo desprovido de pragmatismo um inimigo mortal de qualquer companhia. Há que se esperar oposição. “O negócio preocupa porque defendemos, além da preservação dos empregos, a manutenção da soberania da Embraer no segmento de defesa”, afirmou o diretor do Sindicado dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Herbert Claros.
O primeiro sinal de mudança foi, justamente, o acordo entre Airbus e Bombardier. A notícia pegou o mundo da aviação de surpresa. O movimento era ousado. A companhia francesa estava assumindo um programa problemático, parte de uma empresa em dificuldades e que havia acabado de ser acusada de receber US$ 4 bilhões em subsídios indevidos do governo canadense, o que lhe rendeu uma sobretaxação de quase 300% no mercado americano, após uma reclamação da Boeing – a demanda ainda está pendente de julgamento. Pouco depois do anúncio, DINHEIRO visitou as instalações da Airbus em Toulouse, no Sudoeste da França – no Brasil, a companhia é dona da fabricante de helicópteros Helibras (leia entrevista ao final da matéria). O que se via era uma empresa a pleno vapor, orgulhosa do sucesso de suas linhas de médio porte, em especial do A320, o avião de corredor único mais vendido do mundo. Nem mesmo as denúncias de corrupção envolvendo a companhia, decorrentes de investigações na França e no Reino Unido, pareciam abalar o ânimo dos funcionários. O escândalo provocou uma série de mudanças no comando e o anúncio de que seu CEO, o alemão Tom Enders, irá deixar o posto ao final do seu mandato, em 2019.
Em meados de novembro, a Airbus recebeu a maior encomenda de sua história: 430 aviões modelo A320, por US$ 49,5 bilhões. Com isso, ultrapassou a Boeing em pedidos no ano. Mas a empolgação com o sucesso da linha de médio porte, que inclui também o A330, esconde as dificuldades com a grande estrela da companhia, o gigante A380. Lançado há dez anos, o enorme avião não emplacou. A verdade é que a linha, atualmente, é sustentada por praticamente uma só companhia aérea, a Emirates, que opera 100 aeronaves, de um total de 218 entregues pela Airbus. Ainda restam 42 pedidos da companhia baseada em Dubai, nos Emirados Árabes, e ela já disse que comprará mais. Porém, trata-se da única a apostar no avião. Outros clientes, como Singapore, Qantas e Lufthansa, não demonstraram interesse em novas aquisições.“O problema é que a Airbus apostou num modelo que pressupunha a preferência dos passageiros por voarem em um avião maior e mais confortável, mesmo que seja preciso fazer mais conexões”, afirma um executivo de uma grande companhia aérea brasileira. “Só que, na verdade, as pessoas preferem voos diretos.”
A tendência, em especial nos países emergentes, é de, cada vez mais, usar aviões menores e mais eficientes, o que justifica os movimentos, tanto da Airbus quanto da Boeing, de buscar complementar a linha com os jatos da Bombardier e da Embraer. Ao mesmo tempo, ambas as companhias enxergam no horizonte a chegada de novos competidores, em especial a chinesa Comac, com seu C919 – conhecido como “Airbus Chinês” –, e a japonesa Mitsubishi, que, apesar de alguns atrasos, prepara a entrega dos primeiros MRJ90, de até 96 lugares, um oponente direto da Embraer.
O que todos esses movimentos evidenciam é que o setor de aviação chegou ao fim de um ciclo de desenvolvimento. A partir de agora, as fabricantes darão início a uma nova rodada de projetos. Uma das primeiras a anunciar um novo avião foi, justamente, a Boeing. Batizado de NMA, trata-se do primeiro projeto “clean sheet”, ou seja, do zero, da companhia desde 2003, quando foi anunciada a criação do 787. Segundo DINHEIRO apurou, a Embraer deve ser incluída nesse programa, principalmente por conta de seus equipamentos de navegação, conhecidos como aviônicos, área em que a Boeing não atua. Ainda não há detalhes sobre o avião, mas especula-se que o NMA deverá ser uma aeronave de médio para grande porte, similar ao A350, mas com alcance maior. A previsão é de que ela chegue ao mercado em 2025.
Outra área que está ganhando atenção, por incrível que pareça, é a de carros voadores. A Airbus mantém o projeto Vahana, que tem como meta desenvolver corredores aéreos urbanos, baseados em veículos autônomos em ambientes controlados. “A aeronave seguirá rotas predeterminadas, movendo pessoas pelas cidades de forma econômica”, explica Rafael Alonso, presidente da companhia na América Latina. A Embraer, por sua vez, também entrou nessa por meio de uma parceria com a Uber. O objetivo é criar veículos elétricos que decolam e pousam verticalmente e fazem pequenos trajetos. Se tudo der certo, os primeiros voos vão acontecer em 2020. Nesse contexto de mudanças radicais, ficar sozinho talvez não seja uma boa ideia. Mas também não precisa trocar de nacionalidade.
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ENTREVISTA
“O Brasil é estratégico para a Airbus”
O executivo francês Richard Marelli comanda a única operação industrial da Airbus na América Latina: a fabricante de helicópteros Helibras. Conhecida, popularmente, como a “Embraer dos helicópteros”, a empresa foi criada há 40 anos, como parte de um projeto do govero militar, em conjunto com o grupo francês Aérospatiale – após várias fusões envolvendo seus controladores, a Helibras se tornou parte da Airbus, em 2014. A aliança entre a empresa e o governo brasileiro, especialmente com as Forças Armadas, continua. A companhia tem contratos com o Exército e a Marinha para fornecer ou renovar 50 aeronaves. Ela também fornece grande parte das frotas das polícias e dos bombeiros nacionais. Nessa entrevista, concedida em novembro, antes, portanto, do anúncio das negociações entre Boeing e Embraer, Marelli comentou sobre o mercado atual e o futuro da aviação.
DINHEIRO: O mercado de helicópteros esteve bastante aquecido por conta do pré-sal e dos investimentos das forças armadas. Porém, esses mercados deram uma arrefecida. Como está a situação do setor atualmente?
Não vou negar que a situação econômica do País está ruim. Mas estamos num momento de estabilização. Trabalhamos com o mercado do futuro. As Forças Armadas, por exemplo, precisam de helicópteros. O Brasil opera cerca de 240 helicópteros militares. Na Europa, cujo território é menor do que o brasileiro, são quatro mil, entre todos os países. Há a necessidade de mais helicópteros e estamos conversando com as Forças Armadas. O que me dá confiança é a qualidade do nosso produto.
Neste momento de estabilização, é possível buscar novos mercados fora do País?
Sim, também. A Airbus está organizada por região e a Helibras faz parte da América Latina. Temos três filiais, México, Brasil e Chile. A única subsidiária equipada com capacidade industrial é a nossa. Estamos trabalhando para tornar a Helibras um hub de manutenção e customização ou modernização na região. A linha de produção em que estamos fazendo a modernização dos helicópteros Pantera, para as Forças Armadas, por exemplo, deve receber aeronaves de outros países para fazer o mesmo tipo de renovação. Já o mercado civil mudou um pouco. Os clientes estão demandando helicópteros mais equipados, com duas turbinas, para voar em condições meteorológicas mais difíceis. Estamos trabalhando para desenvolver essas aeronaves.
Na área de defesa, o Brasil deu início a um grande projeto de renovação das Forças Armadas, no governo Lula. Há uma continuidade nesse processo?
Em termos de projetos, não parou. Em termos de financiamento, o País está em dificuldades. Não tem muito dinheiro. Mas essa situação é temporária. No ano passado já houve algumas movimentações positivas, que dão uma boa perspectiva para este ano. De qualquer maneira, são projetos de longo prazo.
A Airbus promoveu mudanças em suas operações de helicópteros no Brasil, recentemente?
Na verdade, o que foi decidido foi a criação de uma marca, chamada Airbus Corporate Helicopters. O objetivo é oferecer serviços específicos. Não muda a estrutura da Helibras. Trata-se de uma questão mais de marketing e relacionamento. O cliente civil que opera só um helicóptero precisa de contratos específicos de manutenção, diferentes de uma organização como a Polícia Militar de São Paulo, que opera 22 aeronaves.
Mas o sr. também assumiu uma nova função…
Sim. Fui nomeado head of country do Brasil para a Airbus. Como tenho boa articulação com governo e as Forças Armadas, minha função será buscar sinergias com outras áreas da empresa. No setor militar, por exemplo, a Airbus fornece aviões de transporte para a Força Aérea Brasileira. É um segmento que podemos pensar em maneiras de tornar a operação mais eficiente.
O Brasil ganhou importância para a Airbus, nos últimos anos?
O interesse da Airbus no Brasil está muito claro. Historicamente, a aviação do Exército sempre esteve muito ligada à Airbus. Todo os anos, pelo menos dois coronéis vão à França fazer treinamentos. O Brasil é estratégico para a Airbus.
De qualquer forma, França e Brasil já estiveram mais próximos. Durante um bom tempo, o Rafale, da francesa Dassault, foi o favorito para vencer a disputa pelo novo caça brasileiro. Mas quem ganhou foi a Saab com o Gripen. Agora, a Airbus está entrando no mercado da Embraer com a compra do programa C-Series, da Bombardier. Está havendo um acirramento da concorrência?
São duas questões diferentes. A opção pelo Gripen foi uma decisão de mercado. A Dassault se candidatou e perdeu. É a vida, não dá para ganhar todos os contratos. Competição é competição. Em relação à Embraer, a empresa brasileira tem aviões muito bons, tanto que praticamente todas as companhias aéreas europeias os utilizam, incluindo Air France e Lufthansa. Sobre a Bombardier, não posso comentar, ainda é muito recente.
Em relação ao futuro da aviação, é preciso ressaltar que muitas operações que antes eram feitas apenas com helicópteros, hoje podem ser realizadas por drones, por uma fração do custo. Como isso afeta o negócio da Helibras?
Eu sou piloto de drones. Tenho três. É fantástico. Para a Airbus, trata-se de uma oportunidade de novos negócios. Claro que, de início, a tecnologia voltada para o usuário final, que qualquer um pode comprar, avança mais rapidamente do que a tecnologia de ponta, como a da aviação. A grande diferença é a qualificação. Um drone, por enquanto, não é qualificado. Na aviação, a segurança é a prioridade. Essa é a diferença entre um helicóptero e um aplicativo do iPad. Mas, a tecnologia do drone será qualificada um dia, isso vai acontecer. Só que precisa um pouco de tempo. O que estamos fazendo, agora, é conversar com operadores, militares ou civis, para saber a necessidade em relação a essas novas tecnologias e preparar o futuro. O drone pode fazer várias coisas. Fazê-lo voar não é tão difícil. Agora, é preciso identificar que tipo de tecnologia embarcada ele precisa ter. Vamos trabalhar nisso, em conjunto com nossos clientes.

OUTRAS MÍDIAS


JORNAL ARAXÁ (MG) - Serviço Militar: A partir deste ano, é possível fazer o alistamento militar pela internet

Neste ano, é a vez dos jovens que nasceram no ano 2000 se alistarem. Fique Por Dentro...

Publicado Em 05/01/2018

Você sabia que a partir deste ano o alistamento militar poderá ser feito pela internet? Isto mesmo! Agora o alistamento para fazer parte do Exército Brasileiro, da Marinha do Brasil ou da Força Aérea Brasileira vai poder ser feito de forma online pelo site www.alistamento.eb.mil.br.
Neste ano, é a vez dos jovens que nasceram no ano 2000 se alistarem. Ou seja, todo brasileiro do sexo masculino que completar 18 anos é obrigado a se alistar pela internet ou então deve comparecer a uma Junta de Serviço Militar mais próxima da sua residência. O prazo máximo é até o dia 30 de junho.
Quem optar por fazer o alistamento pela internet deve preencher o formulário e informar o número do CPF para validação dos seus dados pessoais. Agora quem não tem o CPF deve levar os seguintes documentos na junta de Serviço Militar: certidão de nascimento ou no caso de brasileiro naturalizado ou por opção, a prova de naturalização ou certidão do termo de opção; um comprovante de residência ou declaração assinada; e convém também levar um documento oficial com fotografia que permita sua identificação, caso necessário.
Caso perca o prazo, é preciso comparecer a Junta de Serviço Militar mais próxima da sua residência, pagar a multa militar por estar fora do prazo e fazer o alistamento. Esta multa é uma pena, em dinheiro, que é corrigida de três em três meses.
Quem não se alistar dentro do prazo, além de ter que pagar esta multa vai estar em débito com o Serviço Militar e não poderá obter passaporte ou prorrogação de sua validade; não vai poder ingressar como funcionário, empregado ou associado em uma instituição, empresa ou associação oficial, oficializada ou subvencionada; não poderá assinar contrato com o Governo Federal, Estadual, dos Territórios ou Municípios; e prestar exame ou matricular-se em qualquer estabelecimento de ensino.
Além disso, o jovem ficará impedido de obter carteira profissional, registro de diploma de profissões liberais, matrícula ou inscrição para o exercício de qualquer função e licença de indústria e profissão; de inscrever-se em concurso para provimento de cargo público; exercer, a qualquer título, sem distinção de categoria ou forma de pagamento, qualquer função pública ou cargo público, eletivos ou de nomeação; e receber qualquer prêmio ou favor do Governo Federal, Estadual, dos Territórios ou Municípios.
SAIBA MAIS:
- Posso adiar o alistamento?
Não. No entanto, depois de alistado, caso satisfaça algumas condições, poderá solicitar o adiamento de incorporação.
- Estou cursando a Faculdade de Medicina, Farmácia, Odontologia ou Veterinária, posso adiar a incorporação?
Sim, pode adiar até o término do curso, quando concorrerá a seleção para servir como oficial temporário médico, farmacêutico, dentista ou veterinário.
- O portador de necessidade especial (deficiência física e/ou mental) se alista?
Sim, o alistamento é obrigatório para todo brasileiro do sexo masculino.
- Tenho necessidade especial visível, devo me alistar?
Sim. No entanto, mediante apresentação de parecer médico, poderá solicitar na Junta de Serviço Militar o Certificado de Isenção (CI) do Serviço Militar.
- E o portador de incapacidade absoluta que não pode comparecer a Junta de Serviço Militar?
O portador de incapacidade absoluta poderá ser representado pelo seu tutor ou curador legal, mediante apresentação do documento competente (hábil ou comprobatório).
- Estou alistado. O que eu faço?
Consulte o site www.alistamento.eb.mil.br para saber se foi dispensado ou encaminhado à seleção para servir o quartel da Marinha, Exército ou Aeronáutica.
- Mudei de cidade. Como eu faço a transferência de endereço?
Deve comparecer à Junta de Serviço Militar mais próxima levando um comprovante de sua atual residência e documento de identidade.
- Sou o único sustento da minha família. Posso ser dispensado do Serviço Militar?
Sim, porém deve apresentar na Junta de Serviço Militar documentos que comprovem essa situação, tais como certidão de nascimento dos filhos, certidão de casamento, comprovante de renda e outras provas que achar necessárias.
- Fui dispensado. O que devo fazer?
Deve levar os seguintes documentos: documento oficial com fotografia (carteira de identidade; carteira de trabalho; carteira profissional; passaporte; carteira de identificação funcional ou outro documento público que permita a identificação), além do comprovante de residência.
- Por que o dispensado tem que ir à Junta de Serviço Militar?
Porque tem que participar da cerimônia cívica de Juramento à Bandeira e receber o Certificado de Dispensa de Incorporação (CDI).
- Por que fui dispensado se eu nem fui à seleção?
Foi dispensado por excesso de contingente, isto é, na sua região a quantidade de alistados é bem maior que as vagas para servir o quartel ou por residir em município não tributário que por sua localização e/ou quantidade de habitantes não colabora para o Serviço Militar Inicial.
- O dispensado pode se alistar novamente para servir?
Não, o alistamento é realizado uma única vez e quem for dispensado está quite com o Serviço Militar Inicial. Todavia, existem outras formas de ingresso: como militar de carreira, mediante a aprovação em concurso público, ou como militar temporário por um período de tempo determinado.
- Faltei o juramento à bandeira. O que devo fazer?
Deve comparecer a Junta de Serviço Militar com a máxima brevidade possível, a fim de agendar uma nova data para o juramento à bandeira.
- Qual é o prazo para retirar o Certificado de Dispensa de Incorporação?
Após fazer o pagamento da taxa militar na Caixa Econômica, Banco do Brasil ou Correios, você pode receber seu certificado após três dias, durante a cerimônia de juramento à Bandeira programado pela Junta de Serviço Militar.
C/ Agência do Rádio

EXTREME TECH (EUA) - New Jersey Plans to Outlaw Drunk Drone Flying


Ryan Whitwam Publicado Em 05/01/2018 - 07h30

The government is chronically behind the times, but lawmakers in New Jersey are looking to make one important change in the coming weeks to address one very modern problem: drones. No, it’s not the privacy aspect or the use of drones in restricted areas. New Jersey is planning to make it illegal to fly a drone while drunk. Drunk droning could get you a fine or even jail time.
New Jersey is choosing an opportune moment to enact some restrictions. Sales of personal drone aircraft reportedly surpassed $1 billion in 2017, and it’s expected to continue increasing. Drones are becoming more capable and less expensive, encouraging more consumers to pick one up.
However, many drones are not intended to be used as toys. They can cause severe damage to people and property even when used in approved ways, and no one is making a drone controller with a built-in breathalyzer yet. Many drones now come with software that limits where they can operate and the altitude at which they can fly, but some users circumvent those limits. One state rep who fancies himself a drone enthusiast compared drones with “flying a blender.”
The state assembly is currently scheduled to vote on the bill next week. The proposed legislation makes it illegal to operate a drone aircraft while intoxicated, and also blocks flying the vehicles over a prison or in pursuit of wildlife. Most other states are considering placing new restrictions on drone aircraft in the coming legislative session, and several already have laws that make it illegal to fly over prisons. The drunk droning law would be a first in the nation.
Anyone caught flying a drone under the influence would be issued a $1,000 fine and could spend up to 6 months in jail. Although, jail time seems unlikely. Drunk droning would fall under New Jersey’s “disorderly persons offense” category, so it’s not a felony.
The State Assembly seems poised to pass the bill early next week in the absence of significant opposition. At that point, it would be up to Governor Chris Christie to sign the bill before he leaves office later this month. If he fails to do so, the Assembly would be forced to reintroduce it in the next session. Lawmakers say they are worried that local ordinances on drone usage may vary, causing confusion for operators. The state-level law would make things clear, even if you do have to cancel that drone-powered kegger you had planned.

FLIGHT GLOBAL (EUA) - OPINION: Boeing and Embraer have much to gain from tie-up

A combination of Boeing and Embraer would make a powerful team in commercial aviation, deepen a potentially disruptive alliance with Saab in the defence market, and could upset the business aviation status quo.

Publicado Em 05/01/2018

It remains unclear what level of combination is under discussion after the two parties acknowledged ongoing discussions on 21 December.
But it is already obvious that both companies have much to gain from a well-managed partnership of any kind, and little to lose.
On the surface, Embraer seems well-positioned as the world’s third-largest aircraft manufacturer, with a broad portfolio of positions in commercial, defence and business aviation.
But the manufacturer is entering a critical period. The E190-E2 and the KC-390 are set to enter service later this year, but are yet to gain significant order traction, despite impressive potential. Unless new deals materialise soon, it could be years before deliveries of the E2 family match the annual pace of 90-100 set by the original E-Jets. And the KC-390 still has to prove it can compete with the Lockheed Martin C-130J. A partnership with Boeing could provide a serious boost for both jets.
Boeing also has much to gain from a commercial alliance with Embraer. First, the Seattle airframer obtains a product to compete with the pending joint venture between Airbus and Bombardier on the CSeries. But Boeing also has ambitious cost targets to meet in order to deliver a competitive new mid-market airplane in the mid-2020s. Embraer has 4,000 engineers on the payroll with no obvious new projects after the E175-E2 arrives in 2021. The timing works perfectly for both companies.
The defence sector – a sensitive area for the Brazilian air force – also offers opportunities beyond the KC-390. Embraer and Boeing are involved in separate projects with Saab to develop new aircraft – Brazil’s Gripen E/F fighter and a T-X trainer candidate for the US Air Force. By deepening the relationship between the three companies, Boeing would command a formidable alliance of top engineering talent and low-cost manufacturing.
Even the business jet market creates some intriguing possibilities, especially in light of Embraer’s acknowledged lack of an ultra-long-range, large-cabin product.
Many obstacles remain to completing a deal between Boeing and Embraer, with the Brazilian government’s golden share a potentially insurmountable hurdle.
But the opportunities on both sides are too big to ignore forever.



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