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NOTIMP - Noticiário da Imprensa - 30/10/2017 / Embraer prevê menos vendas e entregas em 2018



Embraer prevê menos vendas e entregas em 2018 ...  


João José Oliveira ...


A Embraer avisou aos investidores que 2018 vai ser mais difícil que  2017, ao divulgar, na sexta-feira, um cenário que apresenta para a empresa retração para receitas, lucro operacional, margens de ganhos e entregas de aviões ante os patamares que a companhia ainda tem para 2017.

Os investidores não gostaram do que ouviram, e a ação da Embraer fechou o dia com queda de 4,17%, cotada a R$ 15,61. O impacto negativo foi tão forte que o mercado ignorou o balanço trimestral, também anunciado na sexta-feira, que reportou números positivos, como o lucro líquido de R$ 351 milhões entre julho e setembro, revertendo perda, de R$ 111,4 milhões, no mesmo período do ano passado. "O ano de 2018 será atípico", afirmou o presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva.

O motivo é a nova família de aviões comerciais da Embraer, aqueles vendidos para companhias aéreas que transportam passageiros em linhas regulares, segmento que representa 62% do faturamento da empresa.

A fabricante começa em 2018 a entregar as primeiras unidades da nova família de jatos E-2, projeto que começou a ser desenvolvido há meia década e consumiu investimentos de quase US$ 2 bilhões. A carteira de pedidos soma 205 pedidos firmes e 297 opções de compra.

Esse fator é positivo, mas existe um desafio: os novos modelos vão dividir linhas de produção com os modelos da família atual de jatos, os E-Jets, que ainda estão sendo produzidos e entregues, por causa de compras feitas anos atrás. Essa duplicidade vai gerar "ineficiências" nas linhas de produção, segundo a direção da companhia, afetando vendas e margens.

Segundo o presidente da Embraer, há ainda outro fator que vai afetar o desempenho da companhia em 2018: a demanda ainda fraca na aviação executiva, a de jatos particulares, que responde por 20% do faturamento da empresa.

Souza e Silva trabalha com um cenário em que as margens de lucro voltarão a subir após 2018, quando espera aceleração nas entregas dos novos jatos comerciais e reação na aviação executiva.

O presidente da Embraer acredita ainda em fortalecimento das vendas na unidade de segurança e defesa a partir de meados de 2018. Segundo ele, a empresa já negocia com Portugal a venda de cinco unidades do cargueiro militar KC-390 - desenvolvido há quase dez anos e que também terá as primeiras entregas em 2018 para o governo brasileiro. Ele afirmou ainda que o Super Tucano, aeronave militar leve fabricado pela empresa, deve ganhar novas encomendas.

De qualquer forma, a direção da Embraer admite que terá um ambiente competitivo mais agressivo em 2018 por causa da sociedade recém anunciada entre a Airbus e a canadense Bombardier, para a fabricação dos jatos CSeries, principal rival da empresa brasileira no mercado de aeronaves comerciais.

O vice-presidente executivo financeiro e de relações com investidores da Embraer, José Filippo, disse que ainda não vê motivos para revisar cenários de vendas. "Ainda precisamos aguardar os desdobramentos." Mas admitiu, entretanto, que a Embraer considerou no cenário para 2018 conjuntura na qual a canadense Bombardier terá de pagar tarifas extras de importação, de quase 300%, para vender aeronaves no mercado americano, o maior do mundo.



Acompanhe aqui o Noticiário relativo ao Comando da Aeronáutica veiculado nos principais órgãos de comunicação do Brasil. O NOTIMP apresenta matérias de interesse do Comando da Aeronáutica, extraídas diretamente dos principais jornais e revistas publicados no país.




JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO


Brasília reage com conformismo a feriadão do STF e viagem de deputados


Leandro Colon Colunista

 "A gente precisa encerrar a denúncia e voltar para a agenda de reformas", afirmou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na véspera da votação em plenário que barrou a segunda acusação da PGR contra Michel Temer.
No dia seguinte à sessão que salvou o presidente, a Casa estava às moscas. Na sexta (27), Maia e uma comitiva de deputados decolaram para um tour de uma semana por Israel, Palestina, Itália e Portugal.
Não há tanta pressa para a retomada da agenda de votações. A viagem, de carona nas asas da FAB, prevê uma agenda oficial que inclui almoço com embaixadores brasileiros, encontros com empresários locais, além de visita a autoridades, entre elas o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Os deputados montaram um roteiro de turismo em Jerusalém e Belém nesta terça (31) com um dia livre (sábado, 4) para passear em Lisboa.
Ali do lado da Câmara, no Supremo, sob o comando de Cármen Lúcia, a semana promete não existir.
Uma canetada transferiu o Dia do Servidor Público, celebrado oficialmente em 28 de outubro, para a próxima sexta (3), um dia depois do feriado de Finados. Será ponto facultativo aos funcionários do tribunal.
Como 1º de novembro já é feriado no Judiciário (mais um, aliás), ministros e servidores ganharam um esquema diferenciado de descanso. O STJ não perdeu tempo e fez o mesmo. Em ofício endereçado à presidente do STF, o ministro Marco Aurélio Mello se disse "perplexo" com a manobra que ampliou o feriadão.
Cármen Lúcia declarou, em um discurso no mês de agosto, que é preciso "acabar com os privilégios" e afirmou querer "mudar o Brasil".
Brasília, terra do serviço público, sempre reagiu com conformismo ao comportamento dos Poderes de utilizar-se de subterfúgios para emendar feriados, adiando sessões do Judiciário e do Legislativo. Uma prática que mantém privilégios para poucos e não muda em nada o país.

Em Israel, Maia e nove deputados visitam Museu do Holocausto


Miriam Sanger Colaboração Para A Folha, Em Jerusalém

No primeiro dia de visita a Israel neste domingo (29), o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia e uma comitiva formada por nove deputados federais visitaram o Museu do Holocausto e em seguida almoçaram com o embaixador brasileiro, Paulo César Meira de Vasconcellos.
À tarde, eles se reuniram com representantes de quatro empresas israelenses da área de segurança pública.
Não foi permitida a participação da imprensa em nenhum dos eventos. Rodrigo Maia vem acompanhado de sua esposa e dos deputados federais Baleia Rossi (PMDB-SP), Marcos Montes (PSD-MG), José Rocha (PR-BA), Alexandre Baldy (PODE-GO), Benito Gama (PTB-BA), Cleber Verde (PRB-MA), Heráclito Fortes (PSB-PI), Orlando Silva (PCdoB-SP) e Rubens Bueno (PPS-PR).
É a primeira vez que um oficial de alto escalão do governo brasileiro visita Israel desde o estremecimento diplomático entre os dois países ocorrido em 2015, após a recusa da indicação do nome de Dani Dayan para o cargo de embaixador israelense no Brasil pelo governo Dilma.
A visita é em resposta ao convite oficial feito no início do mês pelo presidente do Parlamento israelense, Yuli Edelstein. Esse seria o primeiro resultado da reunião entre Binyamin Netanyahu e o presidente Michel Temer, que aconteceu em setembro durante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York.
Nesta segunda (30), a agenda de Rodrigo Maia prevê reuniões no parlamento (Knesset) com o presidente da casa, Yuli Edelstein, e com o ministro de Segurança Pública, Gilad Erdan. Até o fechamento da reportagem, não havia sido confirmado o encontro previsto com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu.
A partir de terça (31), a agenda está concentrada em visitas à Cisjordânia. A comitiva viajará a Belém, onde visitará a Igreja da Natividade. Está prevista uma reunião com a prefeita da cidade, Vera Baboun.
No dia seguinte, o grupo irá a Ramala para se encontrar com o Secretário-Geral do Conselho Legislativo Palestino, Ibrahim Khrishi, e o Presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. Rodrigo Maia e a comitiva seguem para a Itália no final da tarde de quarta (1).
Os nove dias de viagem dos deputados serão bancados pelos cofres públicos.
Além do custo aéreo da FAB (Força Aérea Brasileira), ao todo, cada deputado receberá US$ 2.750 (R$ 8.921), para despesas com hospedagem, transporte local e alimentação. Só as diárias, somadas, custarão quase R$ 90 mil.
No sábado (28), a assessoria do presidente da Câmara afirmou que ele decidiu abrir mão do recebimento das suas diárias.

Marinha envia fuzileiros navais e patrulha para área de conflito no AM


Rubens Valente De Brasília

A Marinha enviou para Humaitá (AM), a 675 km de Manaus, um pelotão com cerca de 30 fuzileiros navais e um navio-patrulha para dar segurança a militares e familiares no município. Entre sexta-feira (27) e sábado, um grupo de garimpeiros atacou e incendiou carros e prédios de órgãos federais na cidade e uma embarcação do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
Os ataques ocorreram dias depois que os órgão federais, tendo o Ibama à frente, desencadearam uma nova etapa da Operação Ouro Fino, que combate o garimpo ilegal em unidades de conservações e terras indígenas banhadas pelo rio Madeira. O Ibama apreendeu 42 embarcações que estavam sendo usadas para o garimpo. Recorrendo a uma previsão legal já aplicada em outras operações de fiscalização no país, o órgão destruiu 31 embarcações dos garimpeiros.
A Marinha confirmou em nota que os garimpeiros também "tentaram invadir e incendiar a sede da Agência Fluvial de Humaitá (AgHumaitá)", uma unidade da Força. "A ação foi contida pelos militares da Marinha com o apoio do Exército e da Polícia Militar do Amazonas", informou a nota. Os fuzileiros navais chegaram a Humaitá na tarde deste sábado (28) em um avião militar.
Com tripulação prevista de 56 homens, o navio-patrulha fluvial Rondônia, enviado de Porto Velho (RO), é equipado com um canhão, seis metralhadoras e dois morteiros.
A Marinha informou que desde a terça-feira (24) vinha dando apoio à Operação Ouro Fino. "A prática [do garimpo] de forma irregular, além de causar prejuízos nocivos ao meio ambiente, contribui para o assoreamento dos rios, contamina as águas com produtos da mineração, bem como, dificulta a navegação", informou a Marinha.
O diretor de Proteção Ambiental do Ibama em Brasília, Luciano de Meneses Evaristo, afirmou que toda a atividade dos garimpeiros na área é ilegal por se tratar de uma unidade de conservação ambiental. "É um grande grupo de pessoas sem licença, poluindo o rio Madeira, jogando mercúrio na água, comprometendo a fauna e a flora e as pessoas que vivem do rio. Nós vamos continuar a fazer o nosso serviço", disse Evaristo.
Em um vídeo gravado depois dos ataques e que circula em redes sociais, o prefeito de Humaitá Herivaneo Seixas (PROS) aparece prometendo a um grupo de garimpeiros que "vai trabalhar" junto com "dez vereadores" da cidade para que o governador Amazonino Mendes (PDT) dê uma "licença ambiental" para o garimpo na região. O prefeito disse aos garimpeiros que Mendes será candidato à reeleição no ano que vem.
"Faço questão de amanhã, com o governador, mostrar para ele esse vídeo, da necessidade que o povo precisa, para nós pegarmos uma licença ambiental para vocês poderem trabalhar aqui dignamente para sustentar a família de vocês. Eu vou direto amanhã ao candidato a governador Amazonino Mendes –eleito, já que não tem quem tira essa eleição dele– para justamente cobrar dele. Eu tenho fé em Deus de que eu, como prefeito e dez vereadores, ele não dizer não para vocês aqui, para o garimpo, para os pais de família que precisam."
Um alto membro do governo do Amazonas também atacou a operação contra os crimes ao meio ambiente. O secretário de Segurança e vice-governador do Estado, Bosco Saraiva, afirmou em entrevista coletiva à imprensa no sábado (28) que o conflito "foi provocado por membros de organismos federais, situação que será efetivamente investigada a fundo e que causou aquele transtorno absurdo na cidade de Humaitá".
"A notícia que se tem é que membros do Ibama teriam ateado fogo, portanto extrapolado aquilo que era uma fiscalização, teriam ateado fogo em balsas, que inclusive teriam residências sobre elas, o que afetou muitas famílias. A população se revoltou contra", disse o secretário aos jornalistas.
Luciano Evaristo, do Ibama, disse que a decisão de queimar as balsas é amparada por lei e só foi tomada porque os garimpeiros impediram que um rebocador, alugado pelo Ibama especialmente para a ação, retirasse as embarcações da área protegida.
O comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar em Humaitá, major J. Antônio, rechaçou as críticas do Ibama de que a corporação teria sido leniente na proteção ao órgão, que teve quatro carros e o prédio incendiados. Ele disse que colocou mais de 80 homens nas ruas na primeira hora do conflito e conseguiu evitar depredações em vários endereços, como a casa de um servidor do Ibama, mas a ação dos garimpeiros foi muito rápida e envolveu centenas de pessoas e diferentes locais ao mesmo tempo. Segundo o major, o prédio do Ibama em Humaitá é desprotegido, sem muro, fica à beira de uma rodovia, e seria "impossível protegê-lo da multidão".
"Nem se eu tivesse 500 homens conseguiria impedir aquela invasão", disse o major. A PM não possui batalhão de choque em Humaitá, mas sim armas não letais. Segundo o comandante, na madrugada deste domingo (29) a PM apreendeu 35 motosserras que haviam sido saqueadas da sede do Ibama. Um homem foi preso. Segundo o oficial, a PM continua atrás de outros objetos roubados do Ibama, como espingardas e redes de pesca.
"Considero que fizemos o possível dentro daquelas condições, sem nenhuma vítima fatal", disse o major.

JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO


Governo Temer deve desistir de reformular Infraero

Retirada de Congonhas do programa de privatização e freio no desmonte da estatal atendem a pressões do PR, que domina a área de transportes

Lu Aiko Otta Brasília

Mesmo após perder a receita dos 9 aeroportos já concedidos e de outros 13 que estão na fila de transferência à iniciativa privada, o governo de Michel Temer deve deixar de lado os planos para reestruturar a Infraero e garantir sua sustentabilidade. Isso porque a desistência de leiloar o Aeroporto de Congonhas, principal fonte de receitas da estatal, vai permitir que a empresa chegue ao fim de 2018 sem depender de dinheiro do Tesouro Nacional para pagar despesas de custeio.
“As medidas já tomadas e as que estão planejadas permitem dar fôlego financeiro para a Infraero até que o próximo governo resolva o que fazer”, disse ao Estado o secretário de Aviação Civil do Ministério dos Transportes, Dario Reis.
Para reequilibrar a Infraero, estavam em análise diversas alternativas, que iam de um total desmonte da empresa até seu fortalecimento com a injeção de recursos privados, passando pela abertura do capital. No entanto, o governo não chegou a um consenso sobre qual rumo tomar. De tudo o que foi discutido, a única mudança com chances de avançar é a criação de uma subsidiária responsável pela navegação aérea.
O freio no desmonte da Infraero atende a pressões políticas do PR, partido que domina a área de Transportes desde 2003, no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Foi por pressão do partido que Temer concordou em retirar Congonhas do programa de privatização. Pela mesma razão, o Ministério dos Transportes autorizou a reabertura do Aeroporto da Pampulha para voos de longa distância.
As pressões do PR são admitidas por fontes do governo e por aliados do ex-deputado Valdemar Costa Neto, que na prática comanda o partido. Os pleitos de Congonhas e Pampulha existiam há bastante tempo, mas as conversas se intensificaram às vésperas da votação, pela Câmara, da segunda denúncia contra Temer. O partido tem uma ban- cada de 38 deputados. Mesmo com as concessões, 10 deles votaram contra o presidente.
O PR disse, em nota, que integra a base do governo e que não negociou votos. O líder do partido na Câmara, José Rocha (BA), disse que as decisões sobre Congonhas e Pampulha são políticas de governo.
Questionada, a Infraero disse que “o adiantado do trabalho de finalização dos estudos indicam que os planos (de reestruturação) serão executados dentro do planejado. A estatal informou, ainda, que Congonhas representa 15% do total do faturamento da Infraero e “segue como fonte indispensável para a solvência do sistema.”
Saneamento. A principal medida de saneamento financeiro planejada para a Infraero é a venda das participações de 49% que ela tem nos aeroportos de Guarulhos, Viracopos, Brasília, Confins e Galeão. Além de receber os recursos referentes à venda de sua participação acionária, a estatal deixará de ter gastos que hoje é obrigada a fazer na condição de sócia das concessionárias desses aeroportos. São investimentos previstos nos contratos e taxas de outorga devidas ao próprio governo federal.
Ainda não se sabe quanto essas participações deverão render. Estão em curso estudos que determinarão seu valor. Mas, segundo Reis, secretário de Aviação Civil, serão recursos suficientes para garantir o funcionamento da estatal por uns dois anos sem precisar recorrer ao Tesouro. Assim, o futuro governo terá tempo para decidir o que fazer com a Infraero.
Este ano, a Infraero deverá fechar com um resultado operacional positivo em torno de R$ 400 milhões. As receitas são estimadas em R$ 3,2 bilhões e as despesas, em R$ 2,8 bilhões. Se forem considerados os investimentos, porém, a conta sai do campo positivo para um prejuízo entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões.
As receitas deste ano foram engordadas pela demora na transferência dos aeroportos de Fortaleza, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre, leiloados em março, para seus concessionários. Os grupos que arremataram esses aeroportos só receberão totalmente os terminais em dezembro. Assim, durante praticamente todo este ano, a Infraero ficou com a receita gerada por eles. É algo como R$ 250 milhões.
“Realmente, é preciso pensar a situação da Infraero num contexto bem amplo”, disse a advogada Letícia Queiroz, do escritório Queiroz Maluf, especialista em concessões. “Não sou de visão estatizante, mas não dá para acabar com ela sem ter certeza que haverá quem opere os aeroportos deficitários.”

Novas concessões poderão ter Santos Dumont


L.a.o. Brasília

Com a saí­da de Con­go­nhas do pro­gra­ma de con­ces­sões, o go­ver­no pre­ten­de dis­cu­tir es­ta se­ma­na se in­clui ou não ou­tros ae­ro­por­tos na lis­ta, in­for­mam fon­tes. É pos­sí­vel que se­ja re­to­ma­do o pla­no de con­ce­der San­tos Du­mont (RJ). E há es­tu­dos pa­ra lei­lo­ar, num só blo­co, o ter­mi­nal de Ma­naus e os ae­ro­por­tos re­gi­o­nais do Ama­zo­nas.
A con­ces­são do San­tos Du­mont ha­via si­do pro­pos­ta pe­lo Mi­nis­té­rio dos Trans­por­tes em agos­to. Po­rém, a ideia foi der­ro­ta­da pe­la área econô­mi­ca, que pre­fe­ria en­tre­gar Con­go­nhas à ini­ci­a­ti­va pri­va­da, as­se­gu­ran­do mais re­cei­tas com a ta­xa de ou­tor­ga.
As re­cei­tas com o lei­lão dos ae­ro­por­tos atu­al­men­te na car­tei­ra do Pro­gra­ma de Par­ce­ri­as de In­ves­ti­men­tos (PPI) só de­ve­rão in­gres­sar nos co­fres pú­blicos em 2019. Es­se foi o prin­ci­pal ar­gu­men­to pa­ra con­ven­cer a área econô­mi­ca a abrir mão da con­ces­são de Con­go­nhas. O pre­ço mí­ni­mo es­ti­ma­do pa­ra o ae­ro­por­to era R$ 6 bi­lhões.
Atu­al­men­te, há 13 ae­ro­por­tos na car­tei­ra do Pro­gra­ma de Par­ce­ri­as de In­ves­ti­men­tos (PPI), pa­ra se­rem con­ce­di­dos. No Sudeste, es­tão Vi­tó­ria e Ma­caé (RJ). Ou­tro con­jun­to es­tá em Ma­to Gros­so: Cui­a­bá, Ron­do­nó­po­lis, Si­nop, Al­ta Flo­res­ta e Gar­ças. E um gran­de blo­co no Nor­des­te: Re­ci­fe, Ju­a­zei­ro do Nor­te (CE), João Pes­soa, Cam­pi­na Gran­de (PB), Ara­ca­ju e Ma­ceió. Os es­tu­dos econô­mi­cos, téc­ni­cos e am­bi­en­tais que em­ba­sa­rão es­sas con­ces­sões ain­da se­rão con­tra­ta­dos.
Se­gun­do um téc­ni­co que par­ti­ci­pou de even­tos nos quais o go­ver­no apre­sen­tou o pro­gra­ma de con­ces­sões no ex­te­ri­or, es­ses blo­cos de ae­ro­por­tos des­per­ta­ram bas­tan­te in­te­res­se dos in­ves­ti­do­res. Al­guns os con­si­de­ra­ram, in­clu­si­ve, mais in­te­res­san­tes do que o de Con­go­nhas. Is­so por­que o ae­ro­por­to pau­lis­ta en­vol­ve ris­co, pe­lo fa­to de es­tar lo­ca­li­za­do no cen­tro da ci­da­de.

REVISTA VEJA


Diário de Pistoia


Por Roberto Pompeu De Toledo

ESSA CIDADE ITALIANA, a meia hora de trem de Florença, abrigou entre 1945 e 1960 os corpos de 465 soldados brasileiros mortos na II Guerra Mundial. Em 1960 seus restos foram trasladados para o monumento então inaugurado no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Hoje, no antigo cemitério de Pistoia, junto a uma bandeira do Brasil e uma pira eterna, ergue-se uma elegante peça de concreto, com formas que lembram uma tenda, ou, melhor ainda, um baldaquino. Desenhado pelo arquiteto modernista Olavo Redig de Campos (1906-1984), o monumento lembra os brasileiros caídos em combate e serve de abrigo ao soldado desconhecido: um último pracinha, encontrado no campo de batalha de Montese depois do traslado dos demais e nunca identificado, repousa entre suas esguias colunas. Num local retirado, junto a uma estrada de pouco movimento e na vizinhança de plantações de oliveira, o Brasil assinala aqui uma pre­sença silenciosa e honrosa.
A participação do país na guerra vai desaparecendo da memória dos brasileiros. Quando se lembram dela, o comum é fazer graça do papel de formiguinha entre as feras em confronto. No entender das próprias feras, porém, o papel da formiguinha não era irrelevante. Em livro relançado neste ano, acrescido de partes inéditas (Getúlio Vargas, Meu Pai), a filha do então ditador brasileiro, Alzira Vargas do Amaral Peixoto, conta que, em viagem de lua de mel aos Estados Unidos, foi convidada, junto com o marido, Ernani do Amaral Peixoto, a visitar o presidente Franklin Roosevelt na Casa Branca. Era julho de 1939, vésperas do início da guerra. Aplicando uma régua sobre um ma­pa-múndi, Roosevelt mostrou a pouca distância entre Natal e Dacar; segundo ele, se os alemães dominassem o litoral africano, teriam um trampolim para, pelo Nordeste brasileiro, invadir o continente ame­ricano. Roosevelt empenhava-se em trazer o Brasil para a causa alia­da, num momento em que nossos dois principais chefes militares, Eurico Dutra e Góes Monteiro, favoreciam o nazifascismo, e os sinais de Getúlio eram ambíguos.
Recado semelhante havia sido dado meses antes pelo presidente americano ao chanceler brasileiro Oswaldo Aranha. Os estrategistas americanos, segundo escreve Lira Neto, biógrafo de Getúlio, temiam que o Brasil se constituísse “na porta de entrada dos nazifascistas no hemisfério”. Ao contingente de 25 000 soldados enviados à Itália somou-se, como contribuição brasileira, a cessão da base aérea com que os aviões americanos, de Natal, abasteciam as tropas aliadas na África. Ao se cogitar do rumo que o conflito poderia ter tomado, apresentam-se dois “e se”. Primeiro: e se o Brasil tivesse optado pela neutralidade, de todo conveniente aos alemães? Segundo: e se da célebre batalha do Norte da África, entre o inglês Montgomery e o alemão Rommel, o segundo tivesse saído vitorioso? Ter o Brasil ao lado garantiu uma vantagem estratégica para a causa aliada à qual não se costuma atentar.
O monumento de Pistoia tem como administrador um batalhador incansável pela divulgação da relevância do Brasil na guerra. O ítalo-­brasileiro Mario Pereira exerce essa função, subordinada à embaixada brasileira em Roma, desde a morte de seu pai, Miguel Pereira, em 2003. Miguel foi um dos 58 soldados brasileiros que se casaram com italianas; radicou-se em Pistoia e assumiu a administração, primeiro do cemitério, depois do monumento, a partir de sua inauguração, em 1967. O filho faz frequentes viagens ao Brasil, para palestras. Quando o colunista lhe pergunta quem paga essas viagens, ele tira a carteira do bol­so: “É isso aqui que paga”.
O terreno do antigo cemitério foi cedido pelo governo italiano ao brasileiro em regime de comodato. O Brasil empenha-se em obter sua doação e as negociações caminhavam bem, segundo explica Mario Pereira, até que o caso Cesare Battisti, ao azedar as relações entre os dois países, reconduziu-as à estaca zero. Atrás do monumento Redig de Campos ergueu um muro em que se inscrevem os nomes dos soldados mortos. No Dia de Finados, como em todos os anos, haverá no local uma cerimônia, com a presença do embaixador na Itália e talvez de alguma autoridade vinda do Brasil. Quando ativo, o cemitério possuiu uma quadra para generosamente abrigar também os alemães mortos nas batalhas com os brasileiros; 47 deles estiveram ali enterrados. Ao contrário de muitos outros, esse é um lugar em que é reconfortante ver tremular a bandeira do Brasil.

REVISTA ISTO É


Devastação criminosa

Por trás do incêndio que já destruiu 26% do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, há uma combinação de interesses econômicos privados e negligência do setor público em relação aos crimes ambientais

Valeria Corbucci

Conhecida como berço das águas por abrigar centenas de nascentes, rios e cachoeiras, a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, foi castigada nas últimas semanas pelo maior incêndio de que se tem notícia na região. Foram destruídos pelo menos 64 mil hectares dos 240 mil que compõem a área protegida como Parque Nacional.
O total queimado corresponde a quase 70 mil campos de futebol e abriga as principais atrações naturais da reserva que injeta R$ 100 milhões por ano na economia local. “Nunca tinha visto um incêndio dessa proporção”, diz Fernando Tatagiba, gestor do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, controlado pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio), órgão do Ministério do Meio Ambiente.
O maior foco de incêndio teve início na terça-feira 17, às margens da rodovia GO-118, próximo ao município de Pouso Alto. Um inquérito para apurar as causas será aberto a pedido do Ministério. Tudo leva a crer que o fogo tenha sido criminoso. “Motoqueiros carregando galões de gasolina foram vistos na região pela população”, afirma o ministro em exercício, Marcelo Cruz. Uma das razões aventadas por ambientalistas é o interesse de fazendeiros da região em ocupar terras da reserva com o avanço de pastos e lavouras. “Não tenho como afirmar a motivação, isso a investigação vai nos dizer, mas sabemos que o fogo começou em locais estratégicos, de difícil acesso e a favor do vento que, nessa região, gira em torno de 50 km por hora”, diz o ministro, reforçando a ideia de origem criminosa.
CORTE DE GASTOS
Pior que uma tragédia ambiental desse porte é o descaso das autoridades, cuja prontidão em dar uma resposta eficaz ao incêndio fez com que ele saísse de controle.
Cruz assumiu interinamente a pasta em substituição ao deputado federal José Sarney Filho (PV), que se licenciou do cargo para poder votar a favor de Michel Temer na quarta-feira 25, durante a sessão que barrou a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente.
Ainda que Cruz afirme ter se empenhado na resposta à tragédia, o fogo já ardia por uma semana quando o governo federal enviou as primeiras aeronaves ao local, iniciando tardiamente o que seria a maior operação de combate na história do Cerrado. Um avião Hércules da FAB, capaz de despejar 12 mil litros de água por voo, se somou a seis aeronaves de pequeno porte e dois helicópteros do Ibama, além centenas de brigadistas e voluntários.
Segundo ambientalistas, a demora em enviar os equipamentos adequados não é o único ponto falho na ação do ministério. O fogo é um elemento natural do ecossistema do Cerrado.
Por isso mesmo, é imprescindível investir na prevenção. De acordo com Marcus Saboya, presidente da ONG Rede de Integração Verde (RIV) e membro do Conselho do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, o número de brigadistas do Ibama na região foi reduzido este ano por corte de gastos. “Esses profissionais são fundamentais para fazer frente ao fogo antes que ele se alastre, porque depois não há número que consiga extingui-lo em pouco tempo.
Os ventos por aqui são fortes e mudam de direção, espalhando as chamas para todo lado”, diz Saboya, que há 18 anos vive na região e já atuou no combate ao fogo muitas vezes – mas nenhum com a força destruidora das últimas semanas. “Foi um dano incalculável e irreparável a esse bioma, que tem espécies ameaçadas de extinção. A flora do Cerrado até pode voltar logo que começar a chover, mas os prejuízos ao ecossistema são imensos com a morte de centenas de espécies”, afirma. Entre as espécies ameaçadas de extinção e endêmicas, que só existem no local, estão o pato-mergulhão, o lobo-guará, o cervo-do-Pantanal e a onça pintada.
A região de Alto Paraíso de Goiás, uma das mais atingidas pelo fogo, ao lado de Cavalcante, já vive também uma crise hídrica. Nos últimos três anos, os índices pluviais do município de Alto Paraíso ficaram abaixo da média histórica. “A nascente que abastece a cidade está sem água e outras estão secando. Não há rios volumosos por aqui, mas muitas nascentes”, afirma Saboya. “As temperaturas estão cada vez mais altas e os ambientes cada vez mais secos.” Com o clima seco, as queimadas, que continuam sendo provocadas por alguns pecuaristas da região, podem se alastrar rapidamente, impulsionadas pelos ventos fortes dessa época do ano. Não ter uma estratégia preventiva eficaz é uma das omissões do poder público que acabaram fazendo da fatalidade o pior incêndio da região.

JORNAL CORREIO BRAZILIENSE


Acidente na Esplanada: motociclista era segundo-tenente do Exército

Rogério Soares Carvalho Silva, 38 anos, atropelou e matou uma mulher em frente ao Palácio do Planalto; ele chegou a ser socorrido, mas também morreu no Hospital de Base

Ed Alves , Deborah Novais Especial Para O Correio

A Polícia Civil apura a tragédia ocorrida em frente ao Palácio do Planalto, no fim da tarde de ontem. Os investigadores querem saber como uma moto matou uma pedestre atropelada, destruiu parte da uma parada de ônibus e só parou após passar por um bueiro. Socorrido, o motociclista morreu logo após dar entrada no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), com ferimentos por todo o corpo.
Testemunhas disseram aos investigadores que o veículo seguia em alta velocidade, em direção à Rodoviária do Plano Piloto, bem acima do limite da via, 60km/h. Mas só a perícia vai dizer a velocidade exata em que a Kawasaki 1000 estava no momento da colisão. Não há prazo para o resultado do exame.
Legistas do Instituto de Medicina Legal (IML) vão fazer teste no corpo do motociclista para saber se ele havia ingerido bebida alcoólica. Também não há uma data para o resultado. O caso está sob responsabilidade da equipe da 5ª Delegacia de Polícia (Área Central), que abriu um inquérito ontem. Testemunhas devem prestar depoimento hoje.
Servidora do GDF
O acidente ocorreu por volta das 18h, quando havia muita luz natural e era pequeno o movimento de veículos e pedestres na região. Beatriz de Souza Santos, 56 anos, tentava atravessar do Palácio do Planalto para o lado sul do Eixo Monumental. Ao avistar a moto, ela ensaiou uma corrida, mas não conseguiu escapar do veículo. O impacto do atropelamento foi tão forte que a mulher teve a perna direita arrancada. Ela morreu na hora.
Servidora da Secretaria de Turismo do Distrito Federal, Beatriz havia acabado de sair do trabalho. Natural de Formosa do Rio Preto (BA), formada em gestão pública pelo Centro Universitário Iesb, ela morava em Águas Claras. Até o fechamento desta edição, o órgão em que estava lotada não havia se manifestado sobre a perda da funcionária.
Militar do Exército
Depois de atropelar a mulher, o motociclista, identificado como Rogério Soares Carvalho Silva, 38 anos, perdeu o controle do veículo e atingiu a parada de ônibus entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. Segundo-tenente do Exército, ele só conseguiu parar a motocicleta após ela atingir um bueiro.
Com o impacto, a vidraça do ponto de ônibus ficou totalmente danificada. Bombeiros interditaram a estrutura. Pela via ficaram espalhados os vestígios da moto. Entre outros, ela perdeu o pneu traseiro. A parte maior do veículo parou a 130m de distância do ponto onde atingiu a pedestre. Não havia ninguém na garupa da motocicleta.
Uma equipe do Corpo de Bombeiros chegou ao local da tragédia logo em seguida e levou Rogério Silva, em estado gravíssimo, para o HBDF. O segundo-tenente deu entrada na unidade de saúde inconsciente, com fratura no braço esquerdo, parada cardiorrespiratória, traumatismo crânio-encefálico e suspeita de traumatismo na medula. Os bombeiros tentaram ressuscitar o colega do Exército, que não resistiu aos ferimentos. Rogério era lotado no Hospital das Forças Armadas (HFA).
Todas as faixas do Eixo Monumental, nas proximidades do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional, no sentido Rodoviária, permeneceram interditadas até 21h20.

Abandono na divisa

Pesquisa revela os efeitos negativos que o contrabando nas fronteiras causa às cidades, principalmente, em Mato Grosso do Sul, entre eles, violência, evasão fiscal e acesso precário a serviços básicos. Taxa de assacinatos na região é de mais que o dobro da média nacional.

Maiza Santos*

O contrabando nas fronteiras é um problema antigo, conhecido, que se renova sem que as autoridades brasileiras consigam controlar. Um estudo recente do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf) evidencia os rastros de violência, evasão fiscal e baixa qualidade de vida deixados pela atividade ilegal. Nas cidades fronteiriças mais afetadas pela prática criminosa, os índices de homicídio representam mais que o dobro da média nacional.
Situada na fronteira com o Paraguai, Coronel Sapucaia, Mato Grosso do Sul, é uma das principais rotas de contrabando. A taxa de homicídios a cada 100 mil habitantes (95,84) é mais que o triplo da média nacional (29,5). Quatro das seis cidades mais afetadas pela prática criminosa ficam no estado. A segunda mais violenta é Guaíra, no Paraná, com uma média de 68,34 homicídios.
“As cidades fronteiriças são duramente afetadas. Junto com o contrabando vem a violência, o crime organizado, embate entre facções. E isso repercute diretamente na segurança pública, não só na fronteira, mas em todo o país”, afirma Edson Vismona, diretor do Fórum Nacional Contra a Pirataria (FNCP). “O Rio de Janeiro é o exemplo flagrante. Está tudo conectado. As ações policiais precisam ser integradas porque não é um fenômeno isolado. As armas, drogas e munições circulam no país inteiro. O volume de recursos do contrabando financia as organizações criminosas”, avalia Vismona.
De janeiro a setembro deste ano, a fiscalização da área de comércio exterior da Secretaria da Receita Federal apreendeu R$ 1,7 bilhão em mercadorias e veículos ilegais. O valor recorde de apreensão de produtos ilegais é 15% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Além das fronteiras terrestres, a mercadoria entra no país por portos e aeroportos. “O trabalho de fiscalização precisa ser feito constantemente. Não pode haver contingenciamento de recursos destinados à segurança pública. Isso representa a paralisação das ações do Estado e o avanço do crime. É preciso apoio às fronteiras e ação integrada entre as forças com foco em grandes depósitos”, analisa o diretor do FNCP.
O combate é insatisfatório e sofre constantes baques por decisões equivocadas. Algumas políticas públicas se mostram um verdadeiro fracasso, como é o caso do aumento de impostos na venda de cigarros. Em 2011, a taxa sobre o produto aumentou. O que era para ser um incentivo ao brasileiro para fumar menos transformou-se em estímulo à compra de cigarros mais baratos contrabandeados do Paraguai. Com isso, além da evasão de impostos, a saúde do cidadão fica mais prejudicada ainda, ao consumir produtos de origem duvidosa. O cigarro representa hoje mais da metade (67,44%) do contrabando que entra pelas fronteiras — um prejuízo de R$ 6,4 bilhões entre perdas da indústria e a não tributação. Destes, R$ 4,5 bilhões correspondem aos tributos que o governo deixa de arrecadar, de acordo com o Idesf.
Reflexo
Em movimento inverso, o setor de informática foi beneficiado pela redução dos impostos. Com preços baixos, os computadores legais ganharam na concorrência com os contrabandeados. O número de apreensões passou de 10 milhões de unidades para 3 milhões, entre 2005 e 2016. A produção nacional saltou de 3 milhões para 13 milhões. O estudo sugere mudanças na política tributária como caminho na luta contra o contrabando.
A pesquisa revela ainda a precariedade de serviços básicos nas regiões de contrabando. O desemprego e o ingresso no mercado informal afetam a qualidade de vida da população. Mundo Novo e Paranhos, em Mato Grosso do Sul, possuem os maiores índices de evasão escolar no ensino fundamental, 4,5 e 6,4, respectivamente. “No início do processo de vida, a inserção na escola, as taxas de evasão e reprovação são maiores que a média nacional. O que fazemos nos passos anteriores à questão da segurança para resolver o problema? Nada. As pessoas trabalham massivamente na informalidade. Os municípios não geram emprego e renda”, explica Luciano Barros, presidente do Idesf e responsável pela pesquisa.
A economia local também é afetada. A média do PIB per capita desses municípios ficou abaixo de R$ 20 mil em 2013, enquanto o PIB per capita médio do Brasil ficou acima de R$ 26 mil. “Todos os municípios têm uma dependência financeira do governo federal e estadual, eles não geram renda própria, aí fica um jogo de empurra. É uma situação terrível. Os municípios deveriam enfrentar o problema de forma independente, mas não têm essa autonomia”, analisa Barros.
* Estagiária sob supervisão de Natália Lambert

Vulcão adormecido

Após a conclusão da missão de paz liderada pelo Brasil, país caribenho busca estabilidade política e conta com a ajuda da Organização das Nações Unidas para aprimorar a justiça. Ex-comandante da Minustah admite o risco de deterioração da segurança.

Jorge Vasconcellos Especial Para O Correio

O futuro do Haiti é uma incógnita desde o fim das operações da Missão de Paz das Nações Unidas (Minustah), no último dia 15, após 13 anos. Existe o consenso de que capítulos melhores da história da ilha caribenha dependem, necessariamente, da estabilidade política e de uma atuação mais eficaz do sistema de justiça e de segurança pública. “Conseguimos trazer ao país uma certa estabilidade com a nossa atuação, mas sabemos que o Haiti é como um vulcão adormecido que, a qualquer nova instabilidade política, ou mesmo um novo desastre natural, pode entrar outra vez em erupção”, disse ao Correio o general Ajax Porto Pinheiro, o último brasileiro a comandar as operações militares das forças de paz da ONU. Ele observou que os episódios mais violentos da história recente do país estiveram atrelados a momentos de insegurança política.
Com cerca de 10 milhões de habitantes, o Haiti é a nação mais pobre das Américas, desprovida de condições técnicas e materiais para manter os avanços trazidos pelas forças da ONU. Nessa condição, agora recebe nova ajuda externa, com o início das atividades da Missão das Nações Unidas para o Apoio à Justiça (Minujusth), que foca na capacitação da Polícia Nacional Haitiana (PNH) e no aprimoramento da atuação do Poder Judiciário local.
A Minujusth mantém, no Haiti, um grupo de operadores do direito para qualificar a atuação do Judiciário e outro formado por 1.275 policiais de diferentes países. Estes últimos darão prosseguimento às ações iniciadas pelas forças de paz para a capacitação e modernização da PNH, criada em 1995 em substituição ao Exército — extinto pelo ex-presidente Jean-Bertrand Aristide. O contingente da PNH deve chegar a 15 mil até o fim do ano, com agentes formados pela Academia Nacional de Polícia. Com esse número, o governo do Haiti e a ONU esperam dobrar a cobertura da segurança pública no policiamento ostensivo, nos tribunais, no sistema penitenciário e nos mecanismos de direitos humanos.
“A Minujusth vem como uma nova janela de oportunidades para consolidar a estabilidade política adquirida nos últimos anos, a fim de abrir caminho a um futuro democrático, estável e próspero para todos os haitianos”, disse ao Correio a porta-voz Sophie Boutaud de la Combes. “A ONU continua empenhada e está pronta para continuar a trabalhar com o governo, sob sua liderança, para as metas de desenvolvimento sustentável, preparando o caminho para uma maior estabilidade, crescimento equitativo e desenvolvimento sustentável, que beneficiem o povo haitiano”, acrescentou.
Violência
Ao abordar o legado da Minustah, que foi militarmente comandada pelo Brasil, com o emprego de mais de 37 mil integrantes de forças armadas de diferentes países, Sophie citou a redução dos índices de criminalidade, alcançada com o desenvolvimento de projetos de pacificação em áreas sensíveis e de reinserção social de ex-criminosos.
“A vitória mais ilustrativa contra o crime foi a redução dos casos de sequestros em mais de 95% em um período de 10 anos, com a diminuição de 722 episódios em 2006 para apenas 25 no período de janeiro até julho deste ano. Os indicadores de violência diminuíram significativamente e estão entre os mais baixos desde 2003, quando os maiores índices foram registrados”, afirmou a porta-voz.
O ano de 2003 foi marcado pela escalada de violentos confrontos entre partidários e opositores de Aristide, que deixou o poder no ano seguinte, em meio a uma série de denúncias de corrupção. Foi nesse ambiente altamente conflagrado que a Minustah chegou ao país em 2004, tendo adiado o fim de suas operações por diversas vezes, em função de sucessivos episódios de violência — geralmente motivados por crises políticas — e de desastres naturais, como o terremoto de 2010 e o furacão Irma, no início de setembro passado.
“A ONU continuará a apoiar a estabilidade e a segurança do Haiti, bem como seu empenho em implementar as Metas de Desenvolvimento sustentável através da nova missão, a Minujusth, e das 19 agências, fundos e programas das Nações Unidas no Haiti”, disse Sophie de la Combes. “A nova missão da ONU defende a reforma da lei no Haiti, que deve ser compatível com os direitos humanos, ancorando as melhores práticas. Um fato particular, no próximo período, incluirá a adoção e a implementação dos códigos dos procedimentos penais, a lei sobre o auxílio judiciário e a lei da prisão”, frisou a porta-voz, acrescentando que, no Haiti, 70% da população carcerária são de réus encarcerados por longos períodos à espera de julgamento. “Às vezes, por mais tempo que a pena máxima que eles receberiam se fossem condenados pela alegada infração pela qual foram presos”, observou.
"A ONU continuará a apoiar a estabilidade e a segurança do Haiti, bem como seu empenho em implementar as Metas de Desenvolvimento sustentável através da nova missão, a Minujusth”
Sophie de la Combes, porta-voz da Missão das Nações Unidas para o Apoio à Justiça (Minujusth)
37 mil
Total de militares de diversos países que integravam a Minustah, comandada pelo Brasil
95%
Taxa de redução de sequestros registrada no Haiti entre 2006 e 2017, após o início da missão da ONU
Três perguntas para
General Ajax Porto Pinheiro, último militar brasileiro a liderar as tropas da Minustah
Como o senhor definiria a experiência de comandar por dois anos as forças de paz no Haiti?
Eu não imaginava que pudesse aprender tanto depois de tanta experiência acumulada no Exército e na minha vida pessoal. Era um desafio muito grande. Primeiro, porque eu comandava a tropa, mas era dirigido por civis das Nações Unidas, fato inédito para mim. A ONU controlava todo o processo, e eu, apenas a parte disciplinar da tropa. Além disso, eu nunca tinha comandado uma tropa tão heterogênea, com militares vindos de diversos países, com culturas bastante diferentes entre si. Mas o sistema da ONU funciona muito bem, e eu não tive maiores problemas. Pelo contrário, foi a maior experiência da minha vida, pessoal e militar. Poderia dizer que foi a aventura militar da minha vida.
Apesar dos avanços conquistados pela missão de paz na estabilização do Haiti, principalmente em termos de segurança pública, ainda há o risco de uma nova explosão de violência no país, como a iniciada em 2003?
O Haiti registra, hoje, cerca de mil casos de homicídios por ano. Não se trata de uma média alta para um país com 10 milhões de habitantes. Mas os maiores episódios violentos na história da nação se deram em momentos de profunda instabilidade política. A violência no Haiti está muito atrelada à questão política, à situação socioeconômica. Em momentos de crise, são comuns confrontos entre manifestantes. Nessas oportunidades, eles vão para as ruas armados de paus, facões e pedras. Houve também graves episódios de violência durante desastres naturais, como terremoto e furacões, em função de saques e de outros conflitos.
E como está a situação no momento?
Hoje, felizmente, o Haiti vive um momento de calmaria, iniciado em fevereiro deste ano com a eleição do presidente Jovenel Moise. Embora haja protestos contra a política econômica que ele vem adotando, os atos são localizados e não representam ameaça à estabilidade do país. Para se ter uma ideia, entre 1986 e 2004, o Haiti teve 15 presidentes, em meio a golpes e a outras tensões. E, a partir de 2004, foram três chefes de Estado eleitos e um indicado pelo Congresso, o que mostra uma crescente estabilização do ambiente político do país. Conseguimos, com a missão de paz, trazer certa estabilidade, mas sabemos que o Haiti é como um vulcão adormecido que, a qualquer nova instabilidade política, ou mesmo um novo desastre natural, pode entrar outra vez em erupção. Daí a importância do trabalho da nova missão da ONU, a Minujusth, focada no aperfeiçoamento da polícia e da Justiça haitiana. (JV)

JORNAL VALOR ECONÔMICO


Embraer prevê menos vendas e entregas em 2018


João José Oliveira

A Embraer avisou aos investidores que 2018 vai ser mais difícil que  2017, ao divulgar, na sexta-feira, um cenário que apresenta para a empresa retração para receitas, lucro operacional, margens de ganhos e entregas de aviões ante os patamares que a companhia ainda tem para 2017.
Os investidores não gostaram do que ouviram, e a ação da Embraer fechou o dia com queda de 4,17%, cotada a R$ 15,61. O impacto negativo foi tão forte que o mercado ignorou o balanço trimestral, também anunciado na sexta-feira, que reportou números positivos, como o lucro líquido de R$ 351 milhões entre julho e setembro, revertendo perda, de R$ 111,4 milhões, no mesmo período do ano passado. "O ano de 2018 será atípico", afirmou o presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva.
O motivo é a nova família de aviões comerciais da Embraer, aqueles vendidos para companhias aéreas que transportam passageiros em linhas regulares, segmento que representa 62% do faturamento da empresa.
A fabricante inicia em 2018 a entregar as primeiras unidades da nova família de jatos E-2, projeto que começou a ser desenvolvido há meia década e consumiu investimentos de quase US$ 2 bilhões. A carteira de pedidos soma 205 firmes e 297 opções de compra.
Esse fator é positivo, mas existe um desafio: os novos modelos vão dividir linhas de produção com os modelos da família atual de jatos, os E-Jets, que ainda estão sendo produzidos e entregues, por causa de compras feitas anos atrás. Essa duplicidade vai gerar "ineficiências" nas linhas de produção, segundo a direção da companhia, afetando vendas e margens.
Segundo o presidente da Embraer, há ainda outro fator que vai afetar o desempenho da companhia em 2018: a demanda ainda fraca na aviação executiva, a de jatos particulares, que responde por 20% do faturamento da empresa.
Souza e Silva trabalha com um cenário em que as margens de lucro voltarão a subir após 2018, quando espera aceleração nas entregas dos novos jatos comerciais e reação na aviação executiva.
O presidente da Embraer acredita ainda em fortalecimento das vendas na unidade de segurança e defesa a partir de meados de 2018. Segundo ele, a empresa já negocia com Portugal a venda de cinco unidades do cargueiro militar KC-390 - desenvolvido há quase dez anos e que também terá as primeiras entregas em 2018 para o governo brasileiro. Ele afirmou ainda que o Super Tucano, aeronave militar leve fabricado pela empresa, deve ganhar novas encomendas.
De qualquer forma, a direção da Embraer admite que terá um ambiente competitivo mais agressivo em 2018 por causa da sociedade recém anunciada entre a Airbus e a canadense Bombardier, para a fabricação dos jatos CSeries, principal rival da empresa brasileira no mercado de aeronaves comerciais.
O vice-presidente executivo financeiro e de relações com investidores da Embraer, José Filippo, disse que ainda não vê motivos para revisar cenários de vendas. "Ainda precisamos aguardar os desdobramentos." Mas admitiu, entretanto, que a Embraer considerou no cenário para 2018 conjuntura na qual a canadense Bombardier terá de pagar tarifas extras de importação, de quase 300%, para vender aeronaves no mercado americano, o maior do mundo.

AGÊNCIA BRASIL


Rio de Janeiro tem aumento de 15% no total de voos internacionais


Da Agência Brasil

Levantamento do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) indica que o Rio de Janeiro registrou um aumento de 15% no número de voos internacionais em outubro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2016.
Atualmente, há 231 frequências semanais diretas, contra 200 de outubro do ano passado. Os dados são da Análise da Malha Aérea Internacional da Diretoria de Inteligência Competitiva e Promoção Turística da Embratur, preparada mensalmente a partir de informações fornecidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), pelo portal Panrotas e por companhias aéreas.
"Queremos que o turista estrangeiro tenha cada vez mais meios e caminhos para chegar ao Brasil e também que o turismo represente o desenvolvimento do país, a partir da capital carioca, considerada uma das nossas principais portas de entrada", afirmou, em nota, o presidente da Embratur, Vinicius Lummertz.
O Rio tem atualmente conexão direta com 24 cidades no mundo. O mais novo lançamento será hoje (29), quando será inaugurada a rota Roma-Rio de Janeiro. Para dezembro, estão previstas mais nove frequências semanais diretas partindo de Miami, nos Estados Unidos.
Edição Kleber Sampaio

REVISTA CARTA CAPITAL


Sonho de Ícaro

Apesar dos percalços, João Boscardin Filho não abandona o projeto do Pai de produzir aviões

Por René Ruschel

Nem o exibicionismo kitsrh de uma vizinha é capaz de tirar o charme dos antigos casarões do bairro do Batel, em Curitiba, que, quando muito, se transformam em lojas, escritórios ou restaurantes. No coração do bairro, em uma área de aproximadamente 20 mil metros quadrados cercada pelo verde, araucárias centenárias e muros, um conjunto de barracões resiste ao tempo. Quem transita pela movimentada rua que dá acesso às construções não imagina que ali, há 45 anos, nasceram e resistem os sonhos de pai e filho: uma fábrica de aviões. Somados, são mais de 300 aeronaves, entre planadores, aeroplanos e aviões. "Meu pai foi apaixonado pela aviação",lembra João Carlos Boscardin Filho, o "Mini".
A história começou na década de 1940, quando seu avô, João Sanson Boscardin, montou nos barracões uma serralheria especializada na produção de vitrais para janelas. "Meu pai passou a auxiliá-lo desde os tempos de estudante até se formar em engenharia civil. A partir desse ponto foi ele quem acabou por administrar a empresa", lembra Mini. Como hobby, João Carlos Boscardin aprendeu a pilotar no Aeroclube do Paraná. No fim dos anos 1950, interessou-se por planadores e começou a frequentar o Aeroclube Politécnico de Planadores, então em São Paulo. "Nessa época, ele passou a trazer planadores antigos, fora de uso, para o Aeroclube do Paraná e, por necessidade, começou a recuperá-los."
Em 1965, a partir de um projeto do modelo alemão Grunau Baby, o curioso Boscardin iniciou a fabricação do primeiro planador. Detalhe: sua formação acadêmica era engenheiro civil. Em aeronáutica, não passava de um prático, construtor autodidata. Acumulou conhecimento técnico por meio da leitura e da pesquisa. "No Aeroclube Politécnico, meu pai conheceu engenheiros e professores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Esses contatos foram de grande valia em sua formação profissional."
O salto ocorreria em 1972. A ditadura tinha interesse em desenvolver a tecnologia na área da aviação e a IPE Aeronaves, empresa criada pela família para se dedicar à fabricação de aviões, venceu uma licitação para a compra de planadores de treinamento militar. "Produzimos e vendemos 157 planadores, modelo Quero-Quero. Ainda hoje existem muitos em atividade pelo Brasil. Foi o nosso pontapé", afirma Mini. Em seguida, foi a vez dos planadores de dois lugares. Tecnologicamente mais modernos, deram origem ao modelo Nhapecan. A IPE vendeu 88 unidades para o governo.
Com o fim da ditadura, em 1985, o Interesse público pelo desenvolvimento da aviação ficou em segundo plano. "Foi um período de crise para o setor", relembra Mini. "A única solução era inventar um novo modelo." Em 2004, parecia ter surgido uma luz no fim do túnel: o projeto Curiango, avião agrícola capaz de carregar 1,1 mil quilos. Barrado pela burocracia oficial, a aeronave, com capacidade de carga 20% superior aos concorrentes e preço 20% inferior, não conseguiu, porém, a certificação integral da Agência Nacional de Aviação Civil nem financiamento.
O desafio do futuro é viabilizar um modelo para 14 lugares, o IPE-014, destinado à aviação regional."Estamos em stand by. A crise econômica a falta de uma política de governo para o setor inibem qualquer investimento", ressalta Mini. O grande equívoco do poder público, acredita, é insistir na busca pela melhora da infra-estrutura aeroportuária, quando deveria escolhe o produto certo para as obras disponíveis. O modelo em questão, segundo o fabricante, atenderia às necessidades da aviação regional brasileira a um baixíssimo custo operacional, algo em torno da 200 dólares por hora. "Dá para competir com os ônibus."
Apesar das dificuldades, Boscardin Filho não abandona o projeto da família. Pretende criar um centro de desenvolvimento tecnológico dedicado não apenas à produção de aeronaves, mas ao treinamento e à formação de recursos humanos e novas tecnologias em parcerias com escolas e universidades. Cita como exemplo a frota de 1,7 mil aviões agrícolas em operação, ante uma demanda de 10 mil aeronaves. Falta, no entanto, mão de obra especializada, incluídos os pilotos. "Planejamento e tecnologia não se compram no balcão. É fruto de anos de pesquisas e estudos. No Brasil, pensamos às avessas." Nem assim Mini deixa de olhar para o céu e sonhar.

COLUNA MAURICIO DIAS


O voto Bolsonaro
A maioria dos brasileiros, para felicidade geral da nação, ainda aposta maciçamente no regime democrático. Há, no entanto, uma parte minoritária da sociedade que guarda com afeto uma melancólica lembrança da ditadura militar, de 1964, estabelecida com a deposição do presidente João Goulart.
Pesquisa do Instituto Paulo Guimarães, do Rio de Janeiro, perguntou ao eleitor qual seria o melhor regime para o Brasil. Eis a resposta.
Democracia, 72,1%. Regime autoritário, 21,6%. Tanto faz, 3,1%. Não sabe, 3,2%.
Os eleitores do "Regime autoritário" são, aproximadamente, 28 milhões dos 144 milhões que estavam aptos a votar em 2016. Eles animam, hoje, as intenções de voto em Jair Bolsonaro. Neste caso, resta perguntar ao pesquisador: seria o tal "Regime autoritário" a meia ditadura ou a ditabranda?
A resposta ao "Tanto faz" pode ser efeito do analfabetismo político.
Prós e contras
Extraído do Twitter do general Villas Bôas, comandante do Exército: "Agradeço a aprovação do PLC 44, que garantirá a segurança jurídica de meus comandados quando em operações de Garantia da Lei e da Ordem".
O ministro Celso de Mello, se não tiver mudado a opinião, falou assim em 1999: "Nada pode justificar a existência da Justiça Militar, seja no plano estadual ou no da União".
O comandante preocupa-se com os soldados. Os civis, com a democracia.

REVISTA ISTO É DINHEIRO


Saab quer o mar brasileiro


Carlos Sambrana

O Brasil está, novamente, na mira da sueca Saab, fabricante de aviões, navios e submarinos, entre outros equipamentos de defesa. Depois do bem-sucedido contrato de US$ 5,4 bilhões para a venda de 36 caças do modelo Gripen, fechado em 2015, a companhia quer replicar a parceria com o governo reaparelhando a sucateada Marinha brasileira. A ideia da Saab é não apenas vender navios e submarinos, mas criar uma aliança estratégica entre a Suécia e o Brasil no campo da defesa. Para se diferenciar dos concorrentes, a empresa afirma que irá propor uma profunda troca de experiências e de transferência de tecnologia.
“Estamos confiantes de que nosso plano para o País na área naval é o melhor que chegará às mãos do governo brasileiro”, disse à coluna o sueco Bo Torrestedt, presidente da Saab na América Latina. “A sintonia já existente entre a Suécia e o Brasil na área de defesa cria o ambiente ideal para fortalecermos essa relação nos rios e mares brasileiros”, acrescentou Alencar Leal, executivo da Saab para a área de novos projetos. Os detalhes da nova ofensiva da Saab no Brasil ainda estão em fase de elaboração, mas os executivos já estão conversando com membros do governo e oficiais de alta patente da Marinha brasileira.

O antivírus do Kremlin?

Acusada de espionar o governo americano, a russa Kaspersky tenta recuperar sua imagem

Rodrigo Loureiro

No dia 5 de maio, especialistas de agências públicas de segurança digital dos Estados Unidos foram questionados por senadores americanos se confiavam nos programas da Kaspersky Lab. A resposta veio em alto e bom som: não. Começava ali o pesadelo da empresa russa famosa por seu antivírus homônimo. Com 400 milhões de usuários em todo o mundo, segundo dados da própria empresa, a companhia passou a ser suspeita de espionar o país americano e enviar dados sensíveis diretamente para Moscou. O governo de Donald Trump, então, proibiu o uso dos softwares russos em computadores utilizados no setor público americano. Varejistas como Best Buy, Home Depot e Staples também retiraram os produtos da Kaspersky de suas prateleiras. “Estamos presos no meio de um confronto geopolítico”, afirmou Eugene Kaspersky, CEO e fundador da empresa, em entrevista à DINHEIRO. “Essas alegações estão sendo feitas sem qualquer evidência.”
Apesar da declaração de Eugene, a situação é bem complexa. Na última quarta-feira 25, a Kaspersky confirmou que, em 2014, conseguiu acesso a documentos confidenciais da Agência Nacional de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) colhidos diretamente de um computador de um funcionário do órgão americano. Segundo a empresa, o usuário daquela máquina havia tentado usar uma versão pirata de um dos programas do Office e, quando o antivírus descobriu uma ameaça, acabou identificando também potenciais riscos em arquivos confidenciais salvos na máquina. Como prática de segurança, os arquivos foram enviados para análise na sede da empresa. Lá, segundo a Kaspersky, foram imediatamente deletados. “O software é feito por pessoas e pessoas cometem erros”, diz Eugene. “Não podemos dar uma garantia absoluta de que não há problemas de segurança em nossos produtos.” Especialista em cibersegurança da consultoria 4CyberSec, Rafael Narezzi concorda. “Nenhuma empresa está realmente segura.”
Verdade ou não, a situação da Kaspersky se tornou, no mínimo, delicada. “Qualquer tipo de acusação, mesmo que infundada, gera um impacto negativo muito grande”, afirma Pedro Hermano, sócio-fundador e especialista em planejamento de marcas da agência digital 242. “Agora é controle de danos.” Para tentar pôr fim à desconfiança, a empresa lançou um programa de transparência global. A iniciativa vai permitir que os produtos da companhia sejam analisados por especialistas em segurança e funcionários do governo americano. “As cobranças definitivamente nos transformaram em uma das empresas mais transparentes de segurança cibernética do mundo”, diz Eugene. “Um homem sábio uma vez me disse que sempre há algo de bom nas piores coisas.” Para o bem da Kaspersky, é melhor isso seja verdade.
Imagem


OUTRAS MÍDIAS


GAUCHAZH.CLICRBS.COM.BR (RS)


Duas pessoas morrem em queda de aeronave no Vale do Caí

As vítimas, dois homens de Bom Princípio, foram identificadas após a chegada da perícia
Felipe Daroit e Cid Martins
Dois homens morreram na manhã deste domingo (29) na queda de uma aeronave de pequeno porte no interior do município de Barão, no Vale do Caí. O acidente ocorreu na localidade de Francesa Alta. De acordo com informações preliminares, o paramotor, caiu nas imediações de uma casa.
A Brigada Militar e o Corpo de Bombeiros de Montenegro atenderam a ocorrência até a chegada da perícia e da Força Aérea Brasileira (FAB). As vítimas, dois homens da cidade de Bom Princípio, foram identificadas como Adilson José Rauber e Amauri José Rockemback. As idades, até o momento, não foram confirmadas oficialmente. As informações foram repassadas pelos Bombeiros de São Vendelino.
Segundo os bombeiros, o paramotor, como se fosse uma asa-delta com motor, saiu do Morro Tico-Tico, em Bom Princípio. No entanto, durante o passeio houve algum tipo de problema que ocasionou a queda da aeronave. As causas do acidente serão investigadas pelo 5º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, com sede na Base Aérea de Canoas. Os bombeiros ainda informam que um dos corpos foi arremessado no momento do impacto com o solo. Mas mesmo socorrido por moradores, a vítima não sobreviveu. O outro tripulante ficou preso às ferragens e morreu carbonizado.

OBSERVATÓRIO DA TELEVISÃO (SP)


Datena grava reportagem em submarino para o Brasil Urgente

Por Neuber Fischer
O jornalista e apresentador do Brasil Urgente, da Band, José Luiz Datena, viajou na sexta-feira (27), junto ao seu diretor e mais um amigo, para um passeio um tanto quanto inusitado em Itaguaí, no Rio de Janeiro, onde fica instalada a base naval de submarinos do país.
Datena gravará uma reportagem dentro do primeiro submarino nuclear brasileiro. Isso mesmo. O que tem chamado atenção são as restrições para o passeio marinho, no caso, pedidos um tanto quanto complexos para o perfil do apresentador. As restrições pedem pouca conversa – e em tom baixo – e movimentos suaves, esses foram os pedidos do comando.
O submarino opera na proteção pela área chamada de “Amazônia Azul”. A matéria vai ao ar, em breve, no jornalístico do apresentador. Vale a pena lembrar que Datena adora fazer matérias assim e já confessou querer voltar a ter um programa de viagens, nos moldes do antigo No Coração do Brasil.



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