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NOTIMP - Noticiário da Imprensa - 01/05/2017 / As chances de sofrer um acidente aéreo e sobreviver a ele


As chances de sofrer um acidente aéreo e sobreviver a ele ...  


Além de comover, grandes tragédias na aviação costumam alimentar outro sentimento nas pessoas: o receio de voar ...  

Mas o fato é que morrer em uma catástrofe aérea é algo bastante raro. Atualmente, para cada 1 milhão de aviões que decolam, menos de dois (1,6) apresentarão problemas no percurso, revelam dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês).

Essa probabilidade inclui imprevistos de todos os tipos, não apenas os grandes infortúnios. Se consideradas somente situações com mortes, a proporção é ainda menor: apenas dez incidentes fatais ocorrem a cada 40 milhões de voos.

"A chance de um indivíduo sobreviver um acidente que ameaça a vida é boa, quase 56%. Se excluirmos acidentes onde todos os passageiros morreram e considerarmos apenas os que são "tecnicamente sobrevivíeis", então, a média de sobrevivência sobe para 71,1%", explica o professor da Universidade de Greenwich Edwin Galea, que é matemático, especialista em engenharia de segurança e desenvolvedor de simulações.

Essa afirmação é baseada em estudos feitos por ele, independentemente da IATA, e que estão disponíveis no site da universidade.

"Acidentes que ameaçam a vida (inclusive aqueles que não têm sobreviventes) são muito raros. Um evento desses só ocorre a cada 5,7 milhões de partidas", afirma.

"Digamos que se uma pessoa voasse todos os dias, experimentaria um acidente catastrófico em algum momento dentro dos próximos 2.700 anos", afirmou à BBC Brasil meses atrás Perry Flint, o porta-voz da IATA, ao comentar o desastre com o avião da Chapecoense, que caiu na Colômbia, matando 71 das 77 pessoas a bordo.

Acidentes substanciais

A edição mais recente do anuário da associação publicada semanas atrás com dados de 2016-- registrou um total de 65 infortúnios para mais de 40 milhões de voos. Destes, dez envolveram vítimas fatais, totalizando a perda de 268 vidas.

No ano anterior, em 2015, o número total de imprevistos foi de 68 em um universo de cerca de 38 milhões de decolagens. Desses, quatro quedas fatais resultaram na morte de 136 pessoas. As estatísticas excluíram dois voos: um derrubado por um piloto suicida e outro explodido por terroristas, uma vez que as causas das quedas não foram erro humano, falha técnica ou mau tempo.

Para a IATA, o conceito de "perda de casco" é a referência para se julgar quando um acidente dificilmente será "sobrevivível". Nesses episódios, a destruição da fuselagem do avião é irreversível, ou o dano é tão extenso que a companhia aérea declara perda da aeronave.

Em 2016, foram registrados 21 "perdas de casco", 13 de aviões de turbinas e oito de hélices. No período anterior, ocorreram 18 situações semelhantes (dez turbinas e oito hélices).

Por exemplo, se no último ano ocorreram 65 tragédias, das quais dez foram fatais, isso significa que 15,3% dos sinistros aéreos envolveram mortes. Repetindo essa relação acidente-morte para as 21 "perdas de casco" --ou seja, levando-se em conta somente casos nos quais a sobrevivência é mais difícil--, a porcentagem de óbitos sobe para 47,6%.

"A maioria dos acidentes não resulta em perda de vida, mas mesmo se tivermos apenas uma perda, isso já é muito", afirmou Perry, da IATA.

Acidentes "sobrevivíveis"

A sorte, ou azar, do viajante está justamente na chance de o impacto não ser substancial.

"É extremamente improvável sobreviver a um acidente. As pessoas que conseguiram, no caso do Chapecoense, possivelmente devem isso também ao fato de a aeronave ter atingido as árvores na montanha, o que absorveu muita energia", avaliou em conversa com a BBC Brasil o consultor aeronáutico Heinrich Grossbongardt, em novembro.

O especialista destacou que, mesmo em situações de "acidentes sobrevivíveis", a violência do impacto ainda é muito grande.

"Uma aeronave a 200 km/h é como se fosse um carro a 20 quilômetros por hora. É um choque em velocidade relativamente baixa, mas as forças envolvidas são enormemente superiores ao suportável pelo corpo humano."

Nesses poucos desastres em que há a possibilidade de tentar se driblar o fim, a adoção de algumas medidas ajudaria a melhorar as chances de se dar bem.

Posição mais recomendada

Uma recomendação é adotar a postura conhecida como "brace", em que o passageiro permanece sentado com o cinto de segurança afivelado, as pernas em ângulo de 90 graus, com os joelhos juntos, os dois pés no chão e o peito apoiado sobre as coxas.

A princípio, os braços devem ficar cruzados, protegendo a cabeça, mas também se pode abraçar as pernas ou, alternativamente, apoiar o antebraço contra o assento da frente.

Todas essas versões estão corretas, mas pode existir uma mais adequada dependendo do avião.

Por isso, "sempre preste atenção na apresentação de segurança", recomenda o professor Galea é nesse momento que a tripulação recomenda a "brace" mais apropriada. Fundamental é que as pernas não fiquem dobradas nem por baixo do próprio assento, nem esticadas sob o assento da frente, para evitar traumas que impeçam o passageiro de se movimentar.

"Assim, você consegue ter as melhores possibilidades de escapar, porque reduz as chances de desmaiar, ficar inconsciente ou sofrer ferimentos que possam dificultar a fuga", aconselha Galea.

Segundo o médico ortopedista Victor Rangel, a posição de brace "é a que melhor ajuda a reduzir as chances de um trauma que ponha a vida em risco".

A postura ainda protege contra outras lesões como o estiramento do pescoço, causado pelo efeito chicote resultante do forte impacto frontal repentino.

Planejamento

Os especialistas também aconselham que passageiros conheçam a "geografia" do avião, sabendo onde fica a saída de emergência mais próxima em ambos os lados. Decorar o número de assentos até a porta possibilita um escape mesmo no escuro, ou em meio à fumaça.

Sapatos devem ter sola lisa e baixa. Eles precisam ser vestidos durante a decolagem e aterrissagem, pois é nesses dois momentos que a maioria dos imprevistos ocorre. Os pés necessitam de proteção contra estilhaços. Atenção: os saltos finos são proibidos, pois podem estourar as rampas infláveis de evacuação.

Nas viagens em família, recomenda-se determinar a responsabilidade de cada adulto para cada criança. O ideal é escapar em duplas e pré-acordar que todos se encontrarão somente do lado de fora, para não atrapalhar o fluxo de saída.
Não se deve levar mais que 90 segundos para fugir, pois há sempre o perigo de incêndio e explosão.

Em caso de pouso forçado na água, os passageiros precisam vestir coletes salva-vidas, que só devem ser inflados fora do avião.

"Inflar um colete dentro vai fazer você ficar entalado no corredor lotado, além disso, se estiver afundando, você vai boiar dentro da aeronave", avisa Galea.




Acompanhe aqui o Noticiário relativo ao Comando da Aeronáutica veiculado nos principais órgãos de comunicação do Brasil. O NOTIMP apresenta matérias de interesse do Comando da Aeronáutica, extraídas diretamente dos principais jornais e revistas publicados no país.




JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO


Lula amplia liderança para 2018, e Bolsonaro chega a 2º, diz Datafolha

* Matéria publicada no dia 30/04

Igor Gielow De São Paulo

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) cresceu e aparece no segundo lugar da corrida para a Presidência em 2018, empatado tecnicamente com a ex-senadora Marina Silva (Rede).
É o que aponta a primeira pesquisa Datafolha após a divulgação de detalhes da delação da Odebrecht, que atingiu em cheio presidenciáveis tucanos –que veem o prefeito paulistano, João Doria (PSDB), surgir com índices mais competitivos.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, mantém-se na liderança apesar das menções no noticiário recente da Lava Jato.
O Datafolha fez 2.781 entrevistas, em 172 municípios, na quarta (26) e na quinta (27), antes da greve geral de sexta (28). A margem de erro é de dois pontos percentuais.
O deputado Bolsonaro, que tem posições conservadoras e de extrema direita, subiu de 9% para 15% e de 8% para 14% nos dois cenários em que é possível acompanhar a evolução. Nesses e em outros dois com candidatos diversos, Bolsonaro empata com Marina.
Ele é o segundo nome mais lembrado de forma espontânea, com 7%. É menos que os 16% de Lula, mas acima dos 1% dos outros.
Com uma intenção de voto concentrada em jovens instruídos e de maior renda, Bolsonaro se favorece da imagem de "outsider" com baixa rejeição (23%) e do fato de que o Datafolha já registrava em 2014 uma tendência conservadora no eleitorado.
Ele parece ocupar o vácuo deixado por lideranças tradicionais de centro-direita do PSDB, golpeadas na Lava Jato, confirmando a avaliação de que há espaço para candidaturas que se vendam como antipolíticas em 2018.
O senador Aécio Neves (MG), que terminou em segundo em 2014 e hoje é investigado sob suspeita de corrupção e caixa dois, é o exemplo mais eloquente da crise tucana. É tão rejeitado quanto Lula: não votariam nele 44%, contra 30% no levantamento de dezembro passado. Sua intenção de voto oscilou de 11% para 8%, quando era de 26% no fim de 2015.
Já o governador Geraldo Alckmin (SP) viu sua rejeição pular de 17% para 28%, e sua intenção de voto oscilou para baixo, de 8% para 6%. Até a delação da Odebrecht, em que é suspeito de receber R$ 10,7 milhões em caixa dois, ele passava relativamente ao largo da Lava Jato.
Marina, com "recall" de candidata em 2010 e 2014, registra tendência de queda nos cenários de primeiro turno. Para o segundo turno, ela segue na liderança, mas empata tecnicamente com Lula.
O ex-presidente mostra resiliência enquanto surgem relatos de sua relação com a construtora OAS e tendo a possibilidade de ficar inelegível se for condenado em duas instâncias na Lava Jato.
Nos dois cenários aferíveis, suas intenções subiram para 30%, saindo de 25% e 26%.
Lula atinge assim o terço do eleitorado que era considerado, antes da debacle do governo Dilma Rousseff, o piso de saída do PT. Parte do desempenho pode estar associado à vocalização da oposição ao governo Michel Temer (PMDB), impopular.
Já na pesquisa de segundo turno, Lula derrota todos exceto Marina e um nome que não havia sido testado até agora: o do juiz Sergio Moro, que comanda processos contra o ex-presidente na primeira instância da Lava Jato.
Sem partido, Moro supera Lula numericamente, com empate técnico: 42% a 40%. No cenário de primeiro turno em que é incluído, o juiz chega tecnicamente em segundo. Neste cenário, o apresentador Luciano Huck (sem partido, mas sondado pelo Novo), estreia com 3%.
Outro neófito na pesquisa é Doria, que tem tido o nome cada vez mais citado como pré-candidato ao Planalto. Ele ultrapassa seu padrinho Alckmin, ainda que dentro da margem de erro. E tem duas vantagens importantes: ainda não é um nome nacionalmente conhecido e tem baixa rejeição, de 16%.
Na hipótese de ser o candidato tucano com Lula, Doria pontua 9% no quarto lugar. Sem Lula, sobe para 11% mas fica na mesma posição, ultrapassado por Ciro Gomes (PDT) –que tenta se posicionar como nome da esquerda caso o petista não concorra. No segundo turno, Doria perderia para Lula, Marina e Ciro.

71% dos brasileiros são contra reforma da Previdência, mostra Datafolha


Sete em cada dez brasileiros se dizem contrários à reforma da Previdência, mostra pesquisa realizada pelo Datafolha. A rejeição chega a 83% entre os funcionários públicos, que representam 6% da amostra e estão entre os grupos mais ameaçados pelas mudanças nas regras para aposentadorias e pensões.
Há maioria antirreforma entre todos os grupos sociodemográficos, e a taxa cresce entre mulheres (73%), brasileiros que ganham entre 2 e 5 salários mínimos (74%), jovens de 25 a 34 anos (76%) e os com ensino superior (76%).
O Datafolha fez 2.781 entrevistas em 172 municípios na quarta (26) e na quinta (27), antes das manifestações ocorridas na última sexta-feira (28). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Apesar da rejeição à ideia de mudanças, a maioria dos entrevistados concorda com tópicos que o governo pretendia mudar na proposta inicial e outros que ainda estão em discussão no Congresso.
MENOS DIFERENÇAS
É o caso, por exemplo, das regras especiais que permitem aos professores se aposentar cinco anos mais cedo do que outros trabalhadores.
A proposta original do governo previa que os requisitos para aposentadoria seriam os mesmos para todas as profissões, gêneros e setor de trabalho, com exceção de policiais militares dos Estados e membros das Forças Armadas.
A proposta foi alterada pelo relator da reforma na Câmara, Arthur Maia (PPS-BA). Na versão que os deputados debatem, professores e policiais mantêm condições mais favoráveis de aposentadoria.
A maioria dos entrevistados pelo Datafolha, porém, é contra essa diferença nos casos de professores (54%), policiais (55%) e militares (58%). O governo promete enviar ao Congresso mais tarde outro projeto para tratar das aposentadorias dos militares.
No caso dos trabalhadores rurais, 52% dos brasileiros querem que eles continuem se aposentando mais cedo, condição também mantida no projeto de Arthur Maia.
Mesmo entre os que se dizem favoráveis a uma reforma previdenciária, há discordância em relação a três pilares: idade mínima de aposentadoria de 65 anos para homens, de 62 para mulheres, e a nova fórmula para cálculo de benefício, que exige 40 anos de contribuição para receber o benefício máximo.
Questionados sobre os três pontos em conjunto, 87% declararam oposição às mudanças. Deles, 83% são contra o tempo necessário para benefício pleno: 60% citaram a regra e outros 23% disseram rejeitar todas as três mudanças.
A regra dos 40 anos não atinge quem contribui pelo salário mínimo. Para esses trabalhadores, mais da metade dos beneficiários, a aposentadoria plena pode ser obtida com 25 anos de contribuição.
A mudança também não leva necessariamente à perda de benefício para trabalhadores do setor privado, que hoje têm o valor reduzido pelo fator previdenciário.
Outros 27% são contra a idade mínima de 65 anos para a aposentadoria dos homens e 25% se opõem à idade de 62 anos para mulheres.
COMEÇA AOS 60
A instituição de uma idade mínima é uma das principais mudanças da reforma, e atinge trabalhadores do setor privado que hoje podem se aposentar por tempo de contribuição, com 30 anos no caso de mulheres ou 35, se homens.
Na média, os pesquisados pelo Datafolha disseram que esperam se aposentar aos 60 anos, mesma idade declarada em pesquisa feita no ano passado e próxima da idade em que, na média, os brasileiros se aposentaram em 2016.
Caiu, no entanto, a parcela dos brasileiros que considera que a população hoje se aposenta mais tarde do que deveria. Eram 59% no ano passado, e hoje são 52%. Os que consideram que a retirada do mercado de trabalho se dá na idade adequada passaram de 27% para 38%.
ENTENDA
A reforma da Previdência foi proposta pelo governo em dezembro de 2016, com a justificativa de que o envelhecimento da população brasileira tornará suas contas insustentáveis.
A Previdência consome hoje 57% dos gastos do governo, que tem aumentado a dívida pública para financiar suas despesas. A queda dos juros e a reativação da economia dependem do equilíbrio das suas contas.
O projeto atualmente em discussão na Câmara dos Deputados, que já fez várias alterações na proposta original do governo, precisa ser aprovado por 60% dos deputados e dos senadores em duas votações para entrar em vigor.

Crescimento de Jair Bolsonaro inclui Brasil em onda conservadora global


Mauro Paulino

O Datafolha revela os reflexos dos desdobramentos da Lava Jato e da impopularidade das reformas propostas pelo governo sobre o cenário político brasileiro.
Temer alcança reprovação próxima à obtida por Dilma Rousseff às vésperas do impeachment. A maioria dos eleitores também desconfia do Congresso e dos partidos. Para completar, o envolvimento de várias siglas em delações combinado à agenda antissocial do governo deu certo alívio ao PT, que até viu a simpatia pelo partido crescer nos últimos quatro meses.
Como consequência, as taxas de intenção de voto em Lula variaram positivamente no mesmo período, apesar de seu governo passar a ser apontado como o mais corrupto pós-redemocratização.
Mas nenhum outro resultado é tão simbólico quanto o crescimento expressivo das intenções de voto em Jair Bolsonaro (PSC) –seis pontos percentuais em relação a dezembro do ano passado e 11 pontos considerando-se a última pesquisa de 2015.
O candidato fica empatado com Marina Silva na segunda colocação nas situações em que Lula é incluído e se isola nessa posição quando tanto o petista quanto o tucano João Doria são excluídos.
Além de figurar como consequência do aumento de rejeição aos tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin, alvos da Lava Jato, a performance recente de Bolsonaro coloca o Brasil no mapa da onda de extrema direita, que pautou as últimas eleições nos EUA e na Europa.
A candidatura encontra ambiente adequado na tendência conservadora de parcela significativa do eleitorado brasileiro, especialmente sobre valores e comportamento, revelada pelo Datafolha ao longo dos anos –por meio da concordância com temas polêmicos, a maioria da população (55%) pende à direita.
Em termos demográficos, a intenção de voto no deputado reflete seu discurso – é muito maior entre os homens do que entre as mulheres (diferença média de dez pontos percentuais) e diminui à medida que aumenta a idade do eleitor. O apoio a Bolsonaro se concentra, em maior grau, entre os que nasceram no processo de redemocratização, após o período mais violento da ditadura militar. Entre os que têm 60 anos ou mais, menções a ele caem para metade da média.
No cruzamento socioeconômico há aparente paradoxo. Os estratos com mais escolaridade e renda são tanto os que mais apoiam como os que mais rejeitam Bolsonaro –nesses segmentos, ele vai melhor nas intenções de voto, mas a rejeição ao seu nome supera a sua média em pelo menos 13 pontos percentuais.
Ao se combinar as duas variáveis –educação e renda– chega-se ao nicho de maior penetração do deputado. Bolsonaro consegue apoio especialmente nos que têm o nível médio e superior de escolaridade associados à uma renda familiar acima de cinco salários mínimos. Nesse subconjunto elitizado, seu maior adversário é Doria.
Lula, por outro lado, triunfa na combinação de baixas renda e escolaridade.
O desafio de Bolsonaro é adequar o discurso polêmico aos diferentes segmentos do eleitorado. Pelos estudos do Datafolha, homofobia e machismo podem não chocar tanto os mais pobres e menos instruídos, mas tendem a afastar parcela dos mais escolarizados e mais ricos, que se mostram mais liberais em relação ao comportamento.
E a defesa de métodos duros de combate à violência, que recebem por um lado o apoio da maioria da população, devem, por outro, levar ainda mais medo aos segmentos carentes do eleitorado, que temem sim os bandidos, mas, diferentemente dos mais ricos, se preocupam também com a polícia.
A tarefa é difícil, mas Donald Trump –com sua pós-verdade e seu micromarketing– já provou que feitos improváveis são possíveis. 

REVISTA VEJA


Lula lidera e Bolsonaro chega a 2º lugar, diz Datafolha

Deputado federal de extrema direita empata com Marina Silva nas intenções de votos para a Presidência em 2018

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém-se na liderança na corrida para a Presidência em 2018 segundo a primeira pesquisa do Datafolha após a delação da Odebrecht à Operação Lava Jato. Apesar de ser um dos nomes citados nos depoimentos, Lula chega a 30% das intenções de votos e amplia a distância dos demais possíveis candidatos.
Marina Silva (Rede) e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) aparecem em seguida. O político de extrema direita subiu de 9% para 15% e de 8% para 14% nos cenários em que disputam, respectivamente, os tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin. Em ambos os casos Bolsonaro surge tecnicamente empatado com Marina. Em simulações de segundo turno, a candidata da Rede e o juiz Sérgio Moro são os únicos que vencem Lula.
A pesquisa também aponta que nomes relevantes do PSDB e o atual presidente Michel Temer (PMDB) sofrem com altos índices de rejeição. Temer, com 64%, lidera o ranking, seguido por Lula (45%), Aécio (44%) e Alckmin (28%). Quem ganha com a queda da popularidade dos colegas do PSDB é João Dória. Com baixa rejeição (16%), o prefeito de São Paulo desponta como um possível presidenciável. Contudo, ainda surge abaixo de Lula, Marina e Bolsonaro nas intenções de votos em um primeiro turno.

PORTAL G-1


Cenipa investiga queda de aeronave em Itapira durante voo de instrução

Piloto e aluno morreram no acidente com avião bimotor que saiu do Aeroporto dos Amarais, em Campinas. Corpos foram resgatados na tarde deste sábado.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) iniciou, neste sábado (29), as apurações sobre o que provocou a queda do avião bimotor em uma área de mata em Itapira (SP). A aeronave estava em voo de instrução quando houve o acidente e duas pessoas morreram, entre elas, um instrutor e um aluno.
O avião saiu na sexta-feira (28) do Aeroclube de Campinas (SP), no Aeroporto dos Amarais, e os destroços foram encontrados quase 16 horas depois, neste sábado, em uma área rural de Itapira. Segundo o Corpo de Bombeiros, por volta das 9h foram localizados os corpos das vítimas no local.
Estavam na aeronave o piloto Bruno Henrique, de 28 anos, morador de Cosmópolis (SP) e instrutor com pelo menos 2 mil horas de experiência; e o aluno Thiago Zvolanek, 22 anos, de Campinas, que fez uma postagem em rede social quando ainda estava no aeroporto, antes do acidente.
Segundo a assessoria do Cenipa, durante a tarde deste sábado houve recolhimento de destroços e avaliação da área onde houve o acidente. Não há prazo para a conclusão das investigações.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou à EPTV, afiliada da TV Globo, que a situação para voo e manutenção da aeronave estavam dia, uma vez que o certificado de aeronavegabilidade só venceria em novembro de 2020. Já a inspeção anual de manutenção teria validade até outubro.
Uma testemunha gravou o exato momento em que a aeronave cai. "Estava eu com meus amigos, daí de repente passou um avião. De repente ele começou a fazer uns barulhos [...] Peguei meu celular, ele [bimotor] deu uma subidinha para cima, de repente começou a falhar o motor e foi girando e caindo. Eu fiquei com dó", contou o jovem para reportagem.
Sobre o acidente
De acordo com o Márcio Doná, responsável pela comunicação do Aeroclube de Campinas, a aeronave modelo PA-30 perdeu contato com a base na tarde de sexta-feira, por volta das 16h. Após um aviso da aeronáutica sobre um alerta de impacto no avião, iniciaram-se as buscas.
Durante a noite, as autoridades locais suspenderam as atividades, mas uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) com uma ferramenta de visão noturna foi deslocada para auxiliar na procura.
Doná destacou que a aeronave estava com toda a documentação em dia e havia passado por uma vistoria em março. O piloto de outro avião do aeroclube, que havia feito o mesmo trajeto minutos antes, teria alertado o instrutor sobre a presença de muitos urubus na região.
Assistência
Em nota, o Aeroclube lamentou o acidente e afirmou que está oferecendo toda a assistência necessária e possível aos familiares e amigos das vítimas.
Os corpos foram resgatados na tarde deste sábado e levados para o Instituto Médico Legal de Mogi Guaçu (SP), Por enquanto, não estão definidos os sepultamentos.

Especialistas contam a história do dia em que aviões da FAB "bombardearam" Formiga, MG

Pilotos de caças da Força Aérea Brasileira faziam testes quando bombas de 230 quilos se soltaram e caíram na cidade. Sem explosivos, cápsulas causaram estragos e renderam indenização milionária ao município.

Ricardo Welbert

Há 30 anos a cidade de Formiga, no Centro-Oeste de Minas, virou notícia no mundo. No dia 2 de abril de 1987, dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) "bombardearam" a cidade. O bombardeio não foi premeditado, ocorreu durante um treinamento, quando duas réplicas de explosivos que pesavam 230 quilos cada, se soltaram dos compartimentos que as seguravam e despencaram.
O impacto causou estragos e gerou pânico na população. O G1 entrevistou especialistas em aviação, que afirmam que o incidente poderia ter sido uma tragédia. Uma das cápsulas está exposta na Praça da Bomba, que foi construída no local exato da queda.
Segundo os registros da época, naquela manhã, em 87, dois aviões F5 do 1º Grupo de Aviação de Caça (Gavca) decolaram da Base Aérea de Santa Cruz, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), para um treino de rotina. A missão era simples: as aeronaves deveriam voar até Formiga e fazer um ataque simulado a uma ponte.
O jornalista, Guilherme Poggio, especializado em forças de defesa, contou ao G1 que os aviões carregavam bombas inertes – sem explosivos. Para que pesassem os mesmos 230 quilos que pesariam se estivessem preparadas para um ataque real, as cápsulas foram enchidas de concreto. Após a simulação de um ataque à ponte, os caças começaram a ganhar altura para retornar à base. Foi quando ocorreu o desprendimento involuntário das duas bombas de uma das aeronaves.
"Em momento algum da simulação as bombas inertes deveriam ser lançadas. Elas eram apenas componentes necessários à configuração de um perfil aerodinâmico em situação de ataque", disse.
Uma das bombas atingiu um muro do Parque de Exposições. A segunda caiu a cerca de 20 metros de um galpão que abrigava a Escola Estadual Aureliano Rodrigues Nunes, onde estavam centenas de pessoas.
O impacto com o solo produziu um estrondo que pôde ser ouvido em toda a cidade. O também jornalista especializado em defesa aérea, Roberto Caiafa, disse que o piloto do avião que perdeu as bombas recebeu um alerta no painel de controle.
"Ele e o piloto do outro caça ficaram loucos. Voltaram e começaram a sobrevoar o centro da cidade em baixa altitude, à procura do local da queda. Isso deixou a população totalmente em pânico, achando que o governo estava atacando por causa de uma manifestação que acontecia naquele mesmo instante contra as altas taxa de juros praticadas pelo governo do então presidente José Sarney", afirmou.

Caiafa disse que, se as bombas que caíram em Formiga fossem de verdade, o estrago teria sido enorme. “Se fosse para valer, Formiga teria ficado bem desfigurada. Não teria sobrado nada do muro onde uma delas caiu e o lugar onde é a praça hoje teria virado uma imensa cratera. Haveria também a destruição secundária, porque quando essas bombas explodem, geram uma onda de choque que destrói tudo em um raio mínimo de 100 metros”.
O especialista ressaltou que os aviões usados naquele treinamento eram os F5-E. "Eles ainda não tinham sido modernizados para o padrão F5-EM. Esse "M" é justamente de "modernizado". Eram caças totalmente analógicos e totalmente diferente do que é esse mesmo avião hoje. Na versão atual, isso jamais aconteceria, porque o gerenciamento é todo eletrônico", acrescentou.
O susto do prefeito
A notícia de que Formiga estaria sendo bombardeada chegou por telefone ao prefeito da cidade na época, Eduardo Brás Neto Almeida. "Alguém me ligou e disse: "Ô, prefeito. Corre lá para o parque que o governo está atacando a gente com avião". Fui correndo. Quando cheguei, tudo estava um caos danado. Muita gente apavorada, sem saber o que tinha acontecido ou o que estava acontecendo. Imediatamente eu mandei isolar a área onde a bomba caiu", contou.
As bombas fizeram dois buracos no chão, com cerca de sete metros de profundidade cada. Quando viu que as cápsulas ainda estavam lá dentro, o prefeito pensou que a segurança de todos no local estava em risco.
"Eu tinha muito medo de que as bombas pudessem explodir a qualquer momento. Imediatamente, liguei para o Ministério da Aeronáutica e me disseram que eu deveria ficar calmo e acalmar também à população, porque os voos de treinamento não usavam bombas de verdade", lembrou.
Ainda insatisfeito com a explicação e com medo de algo pior, o prefeito telefonou para uma empresa especializada em situações de risco. Ao contar que as bombas caíram de um voo de treino e que era possível ver as duas nos buracos que elas fizeram, recebeu a mesma explicação dada pelo órgão do governo federal. "Me disseram para eu ficar tranquilo, porque se fossem bombas de verdade, teriam explodido", relatou.
Almeida, então, pediu aos servidores do setor de Obras que usassem uma retroescavadeira para desenterrar as bombas. "Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, alguém apareceria querendo levar as bombas, mas eu não deixei. Comprei correntes, cadeados e amarrei as duas", disse.
A previsão estava correta. Poucos instantes depois, militares chegaram ao local e exigiram a entrega de, pelo menos, uma das cápsulas. Eles alegaram que ela seria periciada.

Repercussão e teorias
Nos dias e meses seguintes, Formiga foi notícia nacional e internacional. Repórteres de jornais, revistas, rádios e televisão foram à cidade cobrir o incidente. "Lembro que a TV Globo acompanhou tudo. Quase todo dia o Cid Moreira falava de Formiga no Jornal Nacional. Eles cobraram respostas do governo sobre o que aconteceu aqui", afirmou o ex-prefeito.
A cobertura a nível nacional foi reproduzida em veículos de outros países, enquanto autoridades brasileiras tentavm entender o ocorrido e esboçar as providências necessárias. "Alguém disse que um dos pilotos tinha uma namorada em Campo Belo e estava fazendo graça para ela, dando voos rasantes por aqui, quando se descuidou e soltou as bombas sem querer", contou.
Também circulou uma história de que, no mesmo dia, outro avião da FAB deixou cair outras duas bombas falsas, que atingiram a Lagoa do Fundão. "Foi comprovado que tal versão não procede. Foi apenas um factoide criado para confundir as negociações", acrescentou.

Investigações e indenização
Logo após a queda dos artefatos, a Prefeitura de Formiga contratou um serviço de perícia para fazer uma verificação independente. "Não podíamos deixar que apenas o governo federal investigasse o que aconteceu e decidisse o que fazer, porque foi um ato de extrema irresponsabilidade por parte dos pilotos", revelou Almeida.
Após o incidente houve muitas discussões sobre a necessidade ou não de a FAB indenizar a cidade. "O governo dizia que não tinha motivo, pois não houve danos graves. Mas, como prefeito, fui bastante firme. Frisei que por muita sorte não houve perda humana, mas que houve, sim, danos materiais e danos morais, pois muitas pessoas correram risco real de segurança e de morte. A maioria da população entrou em pânico e teve muito medo. Sem falar do despreparo e da irresponsabilidade da Aeronáutica", observou.
Em junho do mesmo ano a Aeronáutica anunciou que pagaria a indenização de 1.586.918,50 cruzados – o equivalente a R$ 5 milhões. Em entrevistas concedidas na ocasião, o comando disse que lamentava imensamente pelo ocorrido e pediu desculpas ao povo formiguense.
O G1 entrou em contato com a Aeronáutica pedindo um posicionamento sobre o caso ocorrido em Formiga e também sobre as medidas adotadas atualmente e aguarda retorno.
Parte do dinheiro recebido foi usada na construção da Praça da Bomba, que tem o formato de um alvo e fica no exato local onde uma das bombas caiu. O artefato que ficou na cidade está exposto lá e junto dele há uma placa que resume a história aos visitantes.

PORTAL CAMPO GRANDE NEWS


Em treinamento com drone, policiais monitoram torcida no Morenão

Corporação estuda alugar ou comprar equipamento para auxiliar nas operações

Anahi Zurutuza

Policiais militares estão recebendo instruções para usarem drones equipados com câmeras no auxílio em operações e no trabalho de segurança em eventos e estádios. Neste domingo (30), o Morenão foi o campo de treinamento.
PMs monitoraram as torcidas durante a partida entre o Novo e o Corumbaense pelo campeonato estadual de futebol.
De acordo com Gilmar Valiente Siqueira, representante da Drone Storm e responsável pela capacitação, na tarde de hoje, policiais aprenderam a manipular um Phanton 4, que tem capacidade para 30 minutos de voo, sobe até 500 metros e pode ir a um raio de até 5 km de distância. “Outros forças policiais já utilizam nossos equipamentos. Eles ajudam muito no trabalho”.
O coronel do Batalhão de Choque, Marcos Paulo Gimenez, responsável pela segurança durante o jogo, explicou que no estádio, o uso do drone inibe agressões e no caso de brigas generalizadas ou outras ocorrências, as imagens auxiliam na identificação dos envolvidos. “A imagens são em tempo real, ajuda muito para a gente identificar os baderneiros, passar para o efetivo, que vai até o local fazer a contenção”.
Na tarde de hoje, entretanto, não foram registradas ocorrências.
O comandante revelou ainda que a PM estuda se alugará os equipamentos para operações ou se a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) vai comprar um drone.
A empresa que ofereceu o treinamento trabalha com o aluguel dos equipamentos, mas por enquanto, o trabalho é feito apenas por meio de parceria, sem ônus para a corporação. O Phanton 4 custa R$ 5,5 mil.
Público – Na sexta-feira, durante os protestos de rua contra as reformas trabalhista e da Previdência Social, a PM usou um drone emprestado para fazer o cálculo do número de manifestantes. A polícia divulgou que havia 10 mil pessoas na rua, enquanto organizadores falaram em “mais de 50 mil” e alguns dirigentes sindicais em “70 mil”.

MINISTÉRIO DA DEFESA


Ministro Jungmann propõe aproximação entre Brasil e México no setor de defesa


Roberto Cordeiro

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, aproveitou o encerramento da Feira Aeroespacial do México (FAME) para reuniões bilaterais com autoridades mexicanas com vista à aproximação entre Brasil e México no setor de defesa. Durante a permanência na capital mexicana, Jungmann entregou ao secretário de Relações Exteriores, Luís Videgaray Caso, convite do presidente Michel Temer para visita oficial ao Brasil do presidente mexicano Enrique Peña Nieto.
À tarde, a delegação brasileira participou do I Seminário de Sinergia de Indústria de Defesa realizado na Secretaria de Defesa Nacional (SEDENA). O ministro Jungmann e demais integrantes da comitiva foram recebidos com honras militares. O ministro foi recepcionado pelo secretário general Salvador Cienfuegos Zepeda e pelo secretário da Marinha, almirante Vidal Francisco Soberan Sanz.
Após o desfile militar, as comitivas brasileira e mexicana iniciaram reunião bilateral reservada. Este é o primeiro encontro no México para tratar de questões relacionadas ao setor de defesa. Jungmann disse que “é muito importante este passo que estamos dando no sentido de estabelecer a parceria com o México”. Os acordos entre os dois países passam pela cooperação em educação militar e participação em operações de paz.
“Temos total interesse em atuar em parceria com o governo mexicano”, destacou o ministro brasileiro.
O organograma do governo mexicano, o cargo de secretário é equivalente ao de ministro no Brasil. A SEDENA abriga o Exército, a Força Aérea e as policiais militares e civis. A Marinha mexicana é abrigada numa outra secretaria.
Relações Exteriores
O primeiro compromisso do ministro Jungmann foi na Secretaria de Relações Exteriores do México. Na conversa reservada, Jungmann mostrou as oportunidades comerciais para os dois países. O ponto mais importante do encontro foi a entrega de uma correspondência do presidente Temer ao colega mexicano.
No texto, Temer reforça a importância dos laços de amizade entre os dois países .”A intensificação crescente de nossas relações, nos mais variados domínios, traduz os valores e interesses que compartilhamos. Em particular, assegura concretude a nosso compromisso comum com a democracia, com a integração regional e com um futuro de justiça e prosperidade para nossos países”, diz o texto da correspondência do presidente Temer.
E prosseguiu: “Ao reiterar convite para visita de Vossa Excelência ao Brasil e reafirmar minha continuada disposição de trabalhar pelo estreitamento dos laços fraternais que unem nossos povos, peço que aceite, senhor presidente, os votos de minha mais alta estima e consideração”, concluiu o presidente.
Na reunião com o secretário Luís Caso participaram, do lado brasileiro, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), almirante Ademir Sobrinho; do secretário de Produto de Defesa, Flávio Basílio, e o embaixador do Brasil no México, Ênio Cordeiro. Pelos mexicanos participaram a subsecretária para América Latina e Caribe Socorro Flores Liera; a diretora Geral Adjunta para a América do Sul, Jacqueline Morán e o chefe adjunto de gabinete, conselheiro Héctor Ortega.
Visita ao México
O ministro Raul Jungmann desembarcou na manhã deste sábado na Cidade do México. Ele foi recebido pelo general Prior Valencia, reitor da Universidade do Exército, na Unidade Especial de Transporte de Alto Mando (UETAAM). Depois, a comitiva se deslocou para o hotel onde ocorreu uma reunião prévia para apontar os principais temas da pauta que nortearia os encontros bilaterais.
Segundo relato do secretário Flávio Basílio, os mexicanos estão interessados nos segmentos de satélites de pequeno porte e armamentos, como por exemplo, mísseis. Há interesse em levar um grupo de especialistas mexicanos a visita o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São Paulo.
Jungmann também visitou a Embaixada do Brasil no México. À noite, a comitiva participou de reunião com o embaixador Ênio Cordeiro. Jungmann retorna ao Brasil neste domingo (30).

PORTAL DEFESANET


SJC - Bandeirante seguiu para restauro no DCTA

O EMB-100 marco na história aeronáutica brasileira foi transferido para o DCTA, após o seu abandono ter sido alertado por reportagem no DefesaNet.

Júlio Ottoboni

O grupo de ex-funcionários do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeronáutica (DCTA), da EMBRAER e a prefeitura de São José dos Campos retiraram, no sábado, dia 29 de abril, o protótipo do avião Bandeirante do Parque Santos Dumont. A previão inicial era de ser movimentada em 11 Abril, mas que atrasou devido às chuvas.
Esse marco na história aeronáutica brasileira que vem sendo recuperado após seu abandono ser alertado em reportagem no DefesaNet.
A aeronave será restaurada em um hangar do DCTA, local onde nasceu a Empresa Brasileira de Aeronaútica (EMBRAER) e se construiu os primeiros protótipos do aparelho. Os trabalhos estão adiantados, a revitalização será a mais completa dos últimos anos. “O grupo deve retirar as empenagens horizontais nas próximas horas e também as asas, que serão colocadas sobre o suporte”, comentou o coordenador da equipe de técnicos, Zoroastro da Silva.
A revitalização do Bandeirante vem sendo feita totalmente por voluntários, na maioria ex-funcionários da EMBRAER, como pintores e mecânicos. O trabalho de revisão geral e pintura terá o apoio de 22 alunos do curso de mecânica de aeronaves do Centro de Educação Profissional Hélio Augusto de Souza (CEPHAS), entidade ligada a Fundação Hélio Augusto de Souza (FUNDHAS), também de São José dos Campos.
A desmontagem e o transporte da aeronave duraram mais de cinco horas. A Secretaria de Mobilidade Urbana realizou na região uma operação especial de trânsito para escolta da carreta com a fuselagem e dois caminhões com as asas até o hangar do DCTA. A operação envolveu agentes em viaturas e motos.
A previsão é ter o restauro do primeiro avião do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) seja concluído em 90 dias. O aparelho será então devolvido ao Parque Santos Dumont até o dia 27 de julho, quando o município comemora 250 anos de emancipação política.
A última manutenção foi realizada há cinco anos, basicamente na pintura e ocorreu dentro do parque. Agora, a recuperação será bem maior, inclusive na parte interna do aparelho, nas escotilhas, hélices, bancos e cabine, além do trem de pouso e asas.
Considerado um marco na aviação, o Bandeirante foi o primeiro avião da EMBRAER a ser produzido em série e a ser comercializado internacionalmente pela aeronáutica brasileira. No próximo dia 22 de outubro, completam-se 49 anos do primeiro voo da aeronave fabricada pela EMBRAER.
O protótipo foi instalado no Parque Santos Dumont, em 21 de fevereiro de 1981, doado pelo fundador da EMBRAER, Ozires Silva. O aparelho foi usado pelo INPE por uma década para missões no Amazonas e outras regiões do país. Atualmente, o projeto de restauro do Bandeirante integra as ações da prefeitura para revitalização do Parque Santos Dumont, o mais antigo da cidade e que ocupa uma área de 46.500 metros quadrados.
No local também funcionam duas escolas municipais e há um grande jardim japonês. Além do avião, o parque tem uma réplica do 14 Bis e maquetes de foguetes da família Sonda. E ainda uma réplica da casa Encantada, de Santos Dumont, que está parada há vários anos sem finalização.

REVISTA ISTO É DINHEIRO


“Não temos popularidade, mas temos o reconhecimento de parte da população de que estamos fazendo o que o País precisa”

Entrevista com Eliseu Padilha, ministro-chefe da Casa Civil

Luís Artur Nogueira

Eram 19h25 da quarta-feira 26, quando o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, encerrou o seu último compromisso da agenda oficial. Minutos depois, a equipe da DINHEIRO foi recebida em seu gabinete, no quarto andar do Palácio do Planalto. Ao fundo, o televisor estava ligado, com a transmissão ao vivo da sessão da Câmara dos Deputados sobre o projeto de reforma trabalhista. Aos berros, parlamentares expressavam suas posições. “Eu gosto muito daquilo lá, mas meu tempo já passou”, disse Padilha, ao ser questionado se não tinha saudades da época em que era congressista. No celular, o ministro recebia informações em tempo real sobre o apoio da base ao projeto. “Teremos 330 votos.” Pouco depois das 22 horas, o plenário aprovaria o texto-base com 296 votos, que, segundo Padilha, servirão de termômetro para a reforma da Previdência, cuja votação requer, no mínimo, 308 votos. “Estamos reformando antes de o País quebrar”, afirmou. Confira a entrevista:
Um estudo da Fiesp aponta que a reforma trabalhista pode gerar um incremento de 5% nas contratações. O sr. acha isso factível?
Acho que sim, pois essa reforma é uma facilitadora. Os empresários, de um modo geral, têm hoje nas suas empresas um número muito grande de funcionários cuidando só de departamento pessoal porque a nossa legislação é muito complexa e traz muita insegurança jurídica. Os empresários não têm muita certeza daquilo que estão fazendo na medida em que a interpretação das regras na Justiça do Trabalho tem propiciado isso. Então, isso muda com regras mais claras e modernas. A CLT, que vem da década de 1940, teve um papel muito importante, mas o Brasil mudou muito – e para melhor – nesses últimos 70 anos. Nós temos de ter uma legislação trabalhista que seja concertânea com o momento histórico do Brasil.
O sr. acha, então, que haverá a contrapartida de mais contratações pelos empresários, que sempre reivindicaram essa reforma?
Nós temos certeza de que, com os esclarecimentos que foram feitos por essa nova reforma, vamos ter condições de gerar novos empregos. Haverá também mais formalização da mão de obra na medida em que uma regra mais clara, que permite às duas partes negociar entre si, aumenta a confiança recíproca entre empregador e empregado.
Na reforma trabalhista, as centrais reclamam do fim abrupto do imposto sindical. É um tema inegociável?
Esse não é um tema que foi levado pelo governo, mas pelo relator (deputado Rogério Marinho). É um tema que o Congresso Nacional precisa definir. Não foi iniciativa do governo, o governo não tem posição sobre o assunto e vai liberar toda a base para votar conforme o interesse de cada partido.
Aprovar a reforma trabalhista é mais fácil que a da Previdência Social?
São temas distintos. A reforma trabalhista interessa muito à organização sindical. Claro que também interessa a todos os trabalhadores, mas não tem a mesma conotação emocional que tem a reforma da Previdência, que trata de quando o sujeito já ficou velho, da segurança que ele vai ter e da segurança que ele não terá.
Mas um bom desempenho na reforma trabalhista é um termômetro para a votação mais difícil da Previdência?
Sim, induz que a gente terá na Previdência um desempenho similar.
O sr., então, está otimista na vitória?
Eu sou um eterno otimista. Eu penso que, com as negociações que foram feitas, resolvemos a questão mais séria, que era a do trabalhador da agricultura familiar, um dos mais vulneráveis no processo. A reforma, por óbvio, não será fácil e não foi em nenhum lugar do mundo. Veja como foi na França e na Espanha, sempre tem mobilização e bastante gente que procura tirar vantagem política, nem sempre falando a verdade. Isso faz com que a gente tenha que dar mais explicações para o convencimento da sociedade. Não temos dúvida de que vamos conseguir aprovar.
É unânime entre empresários e investidores que a retomada da economia depende das reformas. Se o governo falhar…
Eu me atrevo a dizer até que o ajuste fiscal, que deu confiança ao investidor brasileiro e estrangeiro, tem como pressuposto duas partes que são interdependentes. A primeira delas é a fixação do teto para as despesas, que já foi consolidada. A segunda é a reforma da Previdência, pois o valor dessa despesa é muito grande. Em 2015, o déficit total da Previdência foi de R$ 159 bilhões, sendo R$ 86 bilhões do regime geral (INSS) e R$ 73 bilhões do regime próprio (funcionários públicos). Em 2016, o déficit saltou para R$ 227 bilhões, sendo R$ 150 bilhões do regime geral e R$ 77 bilhões do regime próprio. E, em 2017, está previsto um déficit de R$ 274 bilhões, sendo R$ 189 bilhões no regime geral e R$ 85 bilhões no regime próprio. Então, observe que, nesse ritmo, o nosso orçamento não tem nenhuma condição de suportar isso.
O déficit é explosivo…
Se a reforma da Previdência não for feita, nós vamos ter, em 2024, todo o orçamento da República consumido por folha de pagamento, saúde, educação e previdência. Nada mais. Não teremos Bolsa Família, não teremos Minha Casa Minha Minha Vida, não teremos estradas, não teremos pontes, não teremos investimentos, não teremos, não teremos… Por quê? Porque, com um teto fixado, se uma despesa cresce, outra precisa decrescer para que caiba dentro do mesmo teto.
Com as concessões do governo ao texto original da reforma da Previdência, a economia prevista para os próximos 10 anos caiu de R$ 800 bilhões para R$ 600 bilhões. Porém, a previsão para os próximos 20 anos é de R$ 2 trilhões. Por que o Brasil precisará de uma nova reforma no futuro?
A reforma não vai equacionar o déficit. Nós vamos estabilizar o déficit nesse patamar de R$ 250 bilhões a R$ 270 bilhões durante 10 anos, quando haverá um novo pico. A expectativa de vida está aumentando muito e o número de filhos, reduzindo. Em 2024, acaba o bônus demográfico, pelo qual há mais jovens trabalhando do que idosos. Isso vai mudar no futuro. Em 10 anos, vamos ter de descobrir uma nova fonte de custeio, como financiar a Previdência, porque ela terá, de novo, uma subida, que ficará inviável no orçamento.
A greve geral da sexta-feira 29 tem como principal bandeira a oposição à reforma da Previdência. Dado que o sr. já afirmou que não há mais espaço para concessões, podemos concluir que o governo não vai ouvir as ruas?
O governo está ouvindo, mas o que as ruas demandam já foi atendido pelo governo nas emendas feitas no relatório original. O nosso relator (deputado Arthur Maia) já introduziu as demandas. Aliás, não é algo feito pela vontade do relator ou do presidente Michel Temer. Foram ouvidos deputados, senadores, por bancada, por partido. Muita gente foi ouvida. Esses parlamentares retratam a vontade da sociedade e foram os responsáveis pelas emendas que eliminam as resistências. Portanto, essa greve vai servir muito como mote político para a oposição. É a oposição que está trabalhando muito a questão da greve. Mesmo as soluções, que já foram dadas, certamente não serão consideradas pela oposição porque a ela não interessa considerar nada. Essa greve é um movimento político-partidário da oposição.
A abertura de exceções para algumas categorias não enfraquece o argumento de que o objetivo da reforma da Previdência era de unificar as regras?
A regra é igual para todo mundo. Em vários países do mundo, professores e policiais são separados. O trabalhador da agricultura familiar no Brasil, por suas condições, também deve ser tratado em separado. Nós temos uma previdência só para o trabalhador urbano, uma só para o trabalhador rural com carteira assinada, uma previdência só para os políticos, deputados e senadores e uma regra só para os servidores públicos. Portanto, agora é um regime que busca equidade, colocada todo mundo no mesmo patamar. Todo mundo vai ficar com o teto de R$ 5.531,00 e quem quiser aposentadoria maior faça uma complementar.
Por que os militares estão sendo tratados num projeto à parte?
Os militares nunca estiveram no sistema da Previdência. Os militares têm um benefício que foi estabelecido pela Constituição. Agora, dentro desta ideia de equidade, nós conversamos com os militares e eles aceitaram a discussão de um projeto de lei que vai tratar também da aposentadoria dos militares e similitude com o regime geral da Previdência.
Os investidores e a equipe econômica veem com preocupação a situação fiscal dos Estados. Na proposta de socorro dos Estados pela União, votada na terça-feira 25, no Congresso, não passou o aumento obrigatório da alíquota previdenciária de 11% para 14%. Isso vai inviabilizar o socorro?
Não. Muitos Estados já aumentaram para 14%, como o Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, a alíquota é de 13% ou 13,5%. O Estados poderão fazer por conta própria. O fato de não ter sido aprovado aqui não significa que eles não possam fazer sua própria lei para definir a idade mínima e a alíquota que será descontada.
Os empresários estão ansiosos pela reforma tributária. Há espaço?
A ideia do governo é tratar da reforma tributária no segundo semestre, com prioridade para a simplificação de impostos. Vencida a reforma da Previdência, vencida a modernização da legislação trabalhista e até a reforma política, que também está andando, nós teremos condições de encaminhar a reforma tributária.
Muitos investidores estrangeiros se mostram menos preocupados com o curto prazo e mais com o longo prazo. Como convencê-los a investir no Brasil?
Por tudo o que a gente está fazendo, mas principalmente por tudo aquilo que o Brasil é e tem, como recursos naturais, riqueza de águas potáveis, pelo seu território, solo, sua gente especial. Todos os estrangeiros saem encantados do Brasil. Por que se confia no Brasil? Pelo grande potencial que tem e por isso que a gente está fazendo hoje. Estamos fazendo um ajuste fiscal corajoso, a exemplo do que fizeram muitos países da Europa, e aqui o custo para a sociedade ainda não é o mesmo de lá porque nós estamos reformando – vamos falar com todas as letras – antes de o Brasil quebrar.
Mas quando o investidor olha para 2018, ele observa um cenário eleitoral muito embaralhado…
Esse prazo é muito curto para a análise de um investidor estrangeiro. Ele não olha 2017 e 2018. Ele olha 2028 ou 2030. É um olhar com maior distância. Eu penso que neste momento ainda é muito difícil fazer qualquer previsão em relação à eleição de 2018. Nós temos um processo de substituição de lideranças e nós vamos ver quem é que emerge de acordo com essas manifestações de rua, com condições de vir a ser um player competitivo em 2018.
O sr. acha que um dos efeitos da Lava Jato será uma renovação?
Seguramente haverá uma renovação muito grande na política em decorrência da Lava Jato.
Desde a fundação do então MDB, em 1996, o sr. já viu de tudo no partido. Chegou o momento de o PMDB ter candidato próprio?
O PMDB, hoje, está na Presidência da República. Então, é mais do que normal que o PMDB tenha candidato próprio à Presidência da República em 2018. Hoje, se me perguntar nomes, eu não sei dizer. Mas é certo que o maior partido do Brasil tenha candidato.
O sr. vê alguma semelhança entre o governo Temer e o governo Itamar Franco?
Não, são situações muito distintas. Recebemos uma herança maldita. A nossa situação econômica é muito mais difícil que a do Itamar. Em compensação temos uma base de sustentação no Congresso Nacional que Itamar não tinha, que Fernando Henrique não tinha, que Lula não tinha.
A baixa popularidade atrapalha o governo nas reformas?
Atrapalha, eu não posso omitir. Não temos popularidade, mas temos o reconhecimento de parte da população de que estamos fazendo o que o País precisa. A popularidade não virá enquanto não vier a melhora na economia. Estamos confiantes de que ela virá.

Embraer anuncia parceria com Uber para ‘carro voador’


A Embraer vai entrar na corrida para desenvolver “carros voadores”, como estão sendo chamados os pequenos veículos elétricos que decolam e aterrissam verticalmente e fazem deslocamentos urbanos curtos. O projeto, anunciado ontem, nos Estados Unidos, será feito em parceria com o aplicativo de carona paga Uber. A meta é que os primeiros voos experimentais ocorram em 2020, com a operação comercial prevista para 2023. Entre as grandes fabricantes de aviões do mundo, a Airbus também trabalha em pesquisas na área.
A empresa brasileira pretende criar todo o projeto da aeronave, fabricá-la e ficar responsável pela manutenção, além do controle aéreo. O Uber ficará responsável pelo sistema que receberá os pedidos de deslocamento dos passageiros. “Eles têm a demanda. Esse é o ponto forte deles”, disse ao Estado o presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva.
O modelo da aeronave ainda não foi definido. Enquanto algumas startups analisam construir veículos autônomos, com tecnologias semelhantes à empregada nos drones, a Embraer deve apostar em um sistema com piloto. “(O sistema) deverá funcionar com vários hubs (terminais de conexão) na cidade, de onde será possível decolar. O veículo será elétrico e com baixa emissão de ruído e de gases poluentes”, destaca Silva. De acordo com o executivo, aeronaves elétricas, ou ao menos híbridas, são uma das tendências da aviação. Ele admite que a companhia precisa “entender melhor” a tecnologia.
Por enquanto, o valor investido no projeto pela Embraer não é significativo – inicialmente, serão feitos apenas os desenhos da aeronave e definidos os requisitos delas, segundo o executivo. Para ele, o programa abre a perspectiva de um novo negócio para a Embraer, que tem como vantagem ante as startups o fato de poder fabricar aeronaves em série e o conhecimento no setor aéreo.
Preço. O Uber anunciou a intenção de incluir aeronaves em seu serviço de carona paga em outubro do ano passado. Na época, a empresa estimou que, no longo prazo, uma viagem do gênero entre São Paulo e Campinas poderia custar US$ 24 (cerca de R$ 75), valor inferior ao cobrado pela empresa para realizar o mesmo deslocamento de carro. Batizado de Uber Elevate, o projeto, porém, deverá enfrentar entraves regulatórios e técnicos, como a duração da bateria das aeronaves.
Além da Embraer, a companhia americana fechou parceria com outras empresas – Aurora Flight Sciences (americana de drones e helicópteros), Pipistrel Aircraft (fabricante de aviões de pequeno porte da Eslovênia), Mooney (também de aviões) e Bell Helicopter (de helicópteros militares) – para desenvolver a nova modalidade do serviço. A brasileira, entretanto, é a de maior porte.
O Uber também vem realizando testes de carros autônomos nos Estados Unidos. As pesquisas nesse segmento, no entanto, são feitas por engenheiros da própria empresa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

OUTRAS MÍDIAS


JORNAL FLORIPA


As chances de sofrer um acidente aéreo e sobreviver a ele

Além de comover, grandes tragédias na aviação costumam alimentar outro sentimento nas pessoas: o receio de voar.
Mas o fato é que morrer em uma catástrofe aérea é algo bastante raro. Atualmente, para cada 1 milhão de aviões que decolam, menos de dois (1,6) apresentarão problemas no percurso, revelam dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês).
Essa probabilidade inclui imprevistos de todos os tipos, não apenas os grandes infortúnios. Se consideradas somente situações com mortes, a proporção é ainda menor: apenas dez incidentes fatais ocorrem a cada 40 milhões de voos.
"A chance de um indivíduo sobreviver um acidente que ameaça a vida é boa, quase 56%. Se excluirmos acidentes onde todos os passageiros morreram e considerarmos apenas os que são "tecnicamente sobrevivíeis", então, a média de sobrevivência sobe para 71,1%", explica o professor da Universidade de Greenwich Edwin Galea, que é matemático, especialista em engenharia de segurança e desenvolvedor de simulações.
Essa afirmação é baseada em estudos feitos por ele, independentemente da IATA, e que estão disponíveis no site da universidade.
"Acidentes que ameaçam a vida (inclusive aqueles que não têm sobreviventes) são muito raros. Um evento desses só ocorre a cada 5,7 milhões de partidas", afirma.
"Digamos que se uma pessoa voasse todos os dias, experimentaria um acidente catastrófico em algum momento dentro dos próximos 2.700 anos", afirmou à BBC Brasil meses atrás Perry Flint, o porta-voz da IATA, ao comentar o desastre com o avião da Chapecoense, que caiu na Colômbia, matando 71 das 77 pessoas a bordo.
Acidentes substanciais
A edição mais recente do anuário da associação publicada semanas atrás com dados de 2016-- registrou um total de 65 infortúnios para mais de 40 milhões de voos. Destes, dez envolveram vítimas fatais, totalizando a perda de 268 vidas.
No ano anterior, em 2015, o número total de imprevistos foi de 68 em um universo de cerca de 38 milhões de decolagens. Desses, quatro quedas fatais resultaram na morte de 136 pessoas. As estatísticas excluíram dois voos: um derrubado por um piloto suicida e outro explodido por terroristas, uma vez que as causas das quedas não foram erro humano, falha técnica ou mau tempo.
Para a IATA, o conceito de "perda de casco" é a referência para se julgar quando um acidente dificilmente será "sobrevivível". Nesses episódios, a destruição da fuselagem do avião é irreversível, ou o dano é tão extenso que a companhia aérea declara perda da aeronave.
Em 2016, foram registrados 21 "perdas de casco", 13 de aviões de turbinas e oito de hélices. No período anterior, ocorreram 18 situações semelhantes (dez turbinas e oito hélices).
Por exemplo, se no último ano ocorreram 65 tragédias, das quais dez foram fatais, isso significa que 15,3% dos sinistros aéreos envolveram mortes. Repetindo essa relação acidente-morte para as 21 "perdas de casco" --ou seja, levando-se em conta somente casos nos quais a sobrevivência é mais difícil--, a porcentagem de óbitos sobe para 47,6%.
"A maioria dos acidentes não resulta em perda de vida, mas mesmo se tivermos apenas uma perda, isso já é muito", afirmou Perry, da IATA.
Acidentes "sobrevivíveis"
A sorte, ou azar, do viajante está justamente na chance de o impacto não ser substancial.
"É extremamente improvável sobreviver a um acidente. As pessoas que conseguiram, no caso do Chapecoense, possivelmente devem isso também ao fato de a aeronave ter atingido as árvores na montanha, o que absorveu muita energia", avaliou em conversa com a BBC Brasil o consultor aeronáutico Heinrich Grossbongardt, em novembro.
O especialista destacou que, mesmo em situações de "acidentes sobrevivíveis", a violência do impacto ainda é muito grande.
"Uma aeronave a 200 km/h é como se fosse um carro a 20 quilômetros por hora. É um choque em velocidade relativamente baixa, mas as forças envolvidas são enormemente superiores ao suportável pelo corpo humano."
Nesses poucos desastres em que há a possibilidade de tentar se driblar o fim, a adoção de algumas medidas ajudaria a melhorar as chances de se dar bem.
Posição mais recomendada
Uma recomendação é adotar a postura conhecida como "brace", em que o passageiro permanece sentado com o cinto de segurança afivelado, as pernas em ângulo de 90 graus, com os joelhos juntos, os dois pés no chão e o peito apoiado sobre as coxas.
A princípio, os braços devem ficar cruzados, protegendo a cabeça, mas também se pode abraçar as pernas ou, alternativamente, apoiar o antebraço contra o assento da frente.
Todas essas versões estão corretas, mas pode existir uma mais adequada dependendo do avião.
Por isso, "sempre preste atenção na apresentação de segurança", recomenda o professor Galea é nesse momento que a tripulação recomenda a "brace" mais apropriada. Fundamental é que as pernas não fiquem dobradas nem por baixo do próprio assento, nem esticadas sob o assento da frente, para evitar traumas que impeçam o passageiro de se movimentar.
"Assim, você consegue ter as melhores possibilidades de escapar, porque reduz as chances de desmaiar, ficar inconsciente ou sofrer ferimentos que possam dificultar a fuga", aconselha Galea.
Segundo o médico ortopedista Victor Rangel, a posição de brace "é a que melhor ajuda a reduzir as chances de um trauma que ponha a vida em risco".
A postura ainda protege contra outras lesões como o estiramento do pescoço, causado pelo efeito chicote resultante do forte impacto frontal repentino.
Planejamento
Os especialistas também aconselham que passageiros conheçam a "geografia" do avião, sabendo onde fica a saída de emergência mais próxima em ambos os lados. Decorar o número de assentos até a porta possibilita um escape mesmo no escuro, ou em meio à fumaça.
Sapatos devem ter sola lisa e baixa. Eles precisam ser vestidos durante a decolagem e aterrissagem, pois é nesses dois momentos que a maioria dos imprevistos ocorre. Os pés necessitam de proteção contra estilhaços. Atenção: os saltos finos são proibidos, pois podem estourar as rampas infláveis de evacuação.
Nas viagens em família, recomenda-se determinar a responsabilidade de cada adulto para cada criança. O ideal é escapar em duplas e pré-acordar que todos se encontrarão somente do lado de fora, para não atrapalhar o fluxo de saída.
Não se deve levar mais que 90 segundos para fugir, pois há sempre o perigo de incêndio e explosão.
Em caso de pouso forçado na água, os passageiros precisam vestir coletes salva-vidas, que só devem ser inflados fora do avião.
"Inflar um colete dentro vai fazer você ficar entalado no corredor lotado, além disso, se estiver afundando, você vai boiar dentro da aeronave", avisa Galea.

CAVOK


FAB restabelece sistema ILS do Aeroporto Salgado Filho no RS

Fernando Valduga
O sistema ILS (Instrument Landing System) CAT 2 do Aeroporto Salgado Filho, localizado em Porto Alegre (RS), foi restabelecido no sábado (29/04) pela Força Aérea Brasileira (FAB). O equipamento havia sido desligado no dia 27 de março a fim de atender às normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operação ILS.
As obras consistiram na execução de aterro onde foi instalado um novo shelter (construção em alvenaria ou container) para abrigar componentes do Glide Slope (GS) e instalação de uma nova antena de transmissão com componentes frangíveis, que asseguram a segurança das aeronaves em caso de impacto. O Glide Slope é uma antena localizada na lateral da pista que indica o ângulo de planeio correto durante a aproximação da aeronave, num procedimento ILS.

Os testes para a aferição do ILS foram realizados pelo Grupo Especial de Inspeção de Voo (GEIV) na sexta (28/04) e no sábado (29/04).
“A homologação foi feita e o sistema se encontra em perfeitas condições de utilização”, afirma o Comandante do Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Porto Alegre (DTCEA­PA), Major Aviador Diego Ilvo Hennig. “As obras, previstas inicialmente para terminarem em 60 dias, foram realizadas em apenas um mês. Esse desligamento não teve nenhum impacto no tráfego aéreo da região”, complementa o oficial.
Entenda o ILS – O ILS (do inglês “Instrument Landing System”) é um instrumento de pouso de precisão, amplamente utilizado pela aviação mundial. Consiste em um aparelho que emite sinais verticais e horizontais, captado por um instrumento nas aeronaves, permitindo ao piloto aproximar­se na rampa e na direção ideal para o pouso.
O Sistema de Pouso por Instrumentos na Categoria 2 permite uma aproximação por instrumento de precisão e pouso com uma altura de decisão menor que 60 m (200 pés) mas não menor que 30 m (100 pés), e contato visual com a pista não menor que 350 m.
O ILS Categoria 2 está em operação no Aeroporto Salgado Filho desde 2014.
 Fonte: Agência Força Aérea

PLANETA UNIVERSITÁRIO


Pós-Doutorado em Finanças Computacionais no ITA com Bolsa da FAPESP

O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) oferece uma oportunidade de Pós-Doutorado em Finanças Computacionais com Bolsa da FAPESP. O prazo de inscrição encerra em 2 de maio. A bolsa está vinculada ao projeto “Aplicação de técnicas de inteligência computacional e de análise de Big Data em um experimento com sistemas multiagentes na área de finanças”, apoiado pela FAPESP no âmbito do Programa eScience, a ser desenvolvido em parceria com a Universidade de Essex, no Reino Unido. A pesquisa pretende empregar diferentes técnicas de inteligência computacional (aprendizagem por reforço, algoritmos genéticos e lógica fuzzy) e análise de Big Data em experimentos de sistemas multiagentes (simulação do modelo baseado em agentes de um leilão duplo) de finanças.
Os objetivos da pesquisa são: 1) investigar a capacidade das técnicas de aprendizado por reforço em modelar a aprendizagem e a evolução dos agentes nos mercados financeiros, 2) estudar o uso de índice de performance multicritérios para modelar o processo de aprendizado dos agentes, e 3) analisar as consequências do comportamento desses agentes para os mercados financeiros como um todo.
O candidato deve ter obtido o doutorado em Finanças Computacionais ou em área similar há menos de sete anos e ter experiência em finanças computacionais, inteligência artificial, análise de dados e sistemas multiagentes.
Os interessados devem enviar carta de interesse, Currículo Lattes e pelo menos uma carta de recomendação ao pesquisador responsável pelo projeto, Cairo L. Nascimento Jr., da Divisão de Engenharia Eletrônica do ITA, no endereço cairo@ita.br.
A oportunidade está publicada em http://www.fapesp.br/oportunidades/1517/.
O selecionado receberá bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 6.819,30 mensais e Reserva Técnica. A Reserva Técnica da bolsa de PD equivale a 15% do valor anual da bolsa e tem o objetivo de atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.
Caso o bolsista resida em domicílio diferente e precise se mudar para a cidade onde se localiza a instituição-sede da pesquisa, poderá ter direito a um Auxílio-Instalação.
Mais informações sobre a bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP estão disponíveis em fapesp.br/bolsas/pd.
Outras vagas de bolsas de Pós-Doutorado, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades.

CHINA RÁDIO INTERNATIONAL


Drones chineses entram no mercado latino-americano

O governo da cidade de São Paulo, Brasil, anunciou que um drone e o sistema portátil de monitoramento, da empresa chinesa Dahua Technology, serão utilizados pela Defesa Civil a fim de lidar com chamados de urgência. Esta é a estreia de drones chineses no mercado do governo brasileiro, marcando um passo importante da tecnologia no mercado latino-americano.
O drone lançado pela Dahua se caracteriza pela alta tecnologia de vídeo e reúne também diversas inovações como rastreamento inteligente, reconhecimento facial e PTZ. Segundo o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), o drone ajudará a Defesa Civil a tratar urgências nas áreas onde há grande aglomeração de pessoas. O prefeito também se manifestou confiante no melhoramento da eficiência da administração pública e na digitalização da cidade por meio do uso de produtos e tecnologias chinesas.



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