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NOTIMP - Noticiário da Imprensa - 22/07/2016 / Aviação agrícola exige preparo e cuidado na aplicação de defensivos


Aviação agrícola exige preparo e cuidado na aplicação de defensivos ...


Wilhan Santin ...

Conheça a rotina de alguns dos 1.500 profissionais que sobrevoam as plantações brasileiras ...


Todos os dias, Bruno Gomes Tagliari, de 34 anos, levanta às 5 horas e, antes mesmo do café da manhã, olha o céu para conferir como está o tempo. Se o clima é bom, ele se prepara para encarar mais um dia de trabalho na lavoura. Mas Bruno não suja as botas no campo: está sempre nas nuvens, pilotando avião.

Na pista de terra no meio do canavial, ele checa o equipamento, confere os comandos da cabine, o óleo do motor, os freios, as rodas. Enquanto isso, um técnico agrícola já preparou o defensivo agrícola que será aplicado na lavoura e o bombeou para o tanque de 1.980 litros da aeronave.

Em seguida, o piloto recebe um relatório agronômico do produto que vai aspergir, programa o GPS – equipamento fundamental no serviço –, liga o motor e levanta voo. Em instantes, estará voando a apenas 5 metros de altura em relação à lavoura, a 230 quilômetros por hora, com as mãos no manche, os pés nos pedais, controlando o leme de direção, que está na parte traseira da aeronave, e os olhos atentos para qualquer imprevisto, sobretudo fios elétricos, pássaros e árvores.

Bruno está entre os 1.500 profissionais brasileiros que, segundo levantamento do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), sobrevoam as lavouras aspergindo defensivos, fertilizantes, além de lançar sementes nos campos. A aviação agrícola acompanha o ritmo do crescimento do agronegócio brasileiro. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), 2.035 aviões agrícolas estão registrados no órgão atualmente. Em 2011, eram 1.695.

É um trabalho para poucos, que exige perícia, atenção intensa e uma boa dose de conhecimentos sobre agricultura. Bruno conta, com bom humor, que se considera um verdadeiro tratorista do ar. No curso que pilotos comerciais fazem – depois de já terem mais de 370 horas de voo – para se habilitar como pilotos agrícolas, boa parte da grade teórica aborda mais os assuntos relacionados às lavouras do que à aviação.

Bruno sonhava em ser um piloto de caça, mas acabou indo para a aviação civil. “Daí, optei por ser piloto agrícola porque gosto da interação homem-máquina. No nosso caso, não existe piloto automático. Temos de agir o tempo inteiro”, explica.

Agir o tempo todo significa também desviar de pássaros. Na região onde Bruno voa, urubus e gaviões-carcará são os obstáculos mais comuns. “É preciso ter técnica, calma e precisão. Sempre desviar para cima, pois o animal vai mergulhar”, comenta o piloto.

O técnico de solo também informa ao piloto qualquer adversidade que possa atrapalhar o voo. Tudo é controlado ao máximo, inclusive para evitar que se repita uma situação que o piloto viveu em 2011. Trabalhando na região de Campo Grande (MS), ele colidiu com um fio de eletricidade. Felizmente, conseguiu controlar o avião e não caiu. O fio se rompeu e levou junto quatro cabeças de postes.

Acidente
Dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) mostram que, entre 2010 e 2015, aconteceram 132 acidentes com aviões agrícolas no Brasil, nos quais 29 pessoas morreram. Ainda não há dados dos primeiros três meses de 2016, mas somente em um acidente registrado em Londrina, no dia 20 de janeiro, morreram seis pessoas.

Um avião agrícola havia decolado do Aeroporto 14 Bis, no fim da tarde, com destino ao interior de São Paulo. Pouco depois, com problemas, o piloto tentou retornar à pista. Não deu. Ele caiu antes, em uma rodovia estadual, atingindo em cheio uma Kombi com trabalhadores da construção civil que voltavam de uma obra. Todos os que morreram estavam no veículo. O piloto teve ferimentos, mas já está bem. O Cenipa ainda investiga as causas do acidente.

Segundo dados do Cenipa, 65% dos acidentes que ocorreram entre 2010 e 2015 foram registrados em quatro Estados: Rio Grande do Sul (19,7%), São Paulo (18,94%), Mato Grosso (17,42%) e Paraná (9,8%).

O especialista em prevenção de acidentes aeronáuticos, o major-aviador do Cenipa, Daniel Moreira Peixoto, de 35 anos, diz que a atividade realizada pelos pilotos de aviões agrícolas “tem margem restrita de erros”. Mesmo assim, ele não considera os voos de alto risco. “Todo voo tem seu risco”, argumenta.

Questionado se considera alto o número de acidentes no Brasil, ele diz que não. “O número absoluto não diz muita coisa, porque nós não conseguimos mensurar quantos acidentes evitamos. Mesmo no ano de 2014, quando tivemos mais acidentes (29), será que não evitamos outros 2.900? Acreditamos que o trabalho de prevenção deve ser constante e o trabalho de conscientização também”, justifica o militar.

Com a experiência de quem é piloto de aviação agrícola desde 1980, Rolemberg Vidotti, de 60 anos, concorda com o major-aviador Peixoto. “O voo que fazemos é trabalhoso, intenso, mas não se torna de alto risco quando atuamos preventivamente, seguindo normas de segurança, atuando com treinamentos”, diz ele.

Ele é proprietário da Viagro, empresa à qual pertencia o avião que se envolveu no acidente em Londrina. “Foi uma tragédia. Um piloto muito preparado, tanto que vai continuar trabalhando conosco, comandando um avião com toda a manutenção rigorosamente em dia. Se a Kombi tivesse meio segundo para frente ou para trás, não haveria a colisão. Infelizmente, acidentes acontecem em qualquer tipo de aviação, mesmo quando se faz tudo certo.”

Botinudo e ninja
Rolemberg começou a voar quando um ditado era comum na aviação agrícola: “Piloto bom é aquele que suja o pneu do avião com folhas de soja”. Quem contratava exigia que se voasse muito baixo. Hoje, estudos técnicos mostram que o ideal é voar de 3 a 5 metros da lavoura. “Evoluímos muito. A aviação agrícola de hoje é ambientalmente correta e eficiente, principalmente com o advento do GPS, que dá ao piloto, em tempo real, as informações exatas de onde ele já pulverizou”, destaca Rolemberg.

Também experiente, voando desde 1993, José Marcelo Morandi, de 45 anos, que trabalha em uma área de cana-de-açúcar no município de Jaguapitã, no norte do Paraná, diz que o piloto agrícola, para ser feliz na profissão, tem de ter o espírito do homem do campo, “ser botinudo”, nas palavras dele. “E tem mais uma coisa. Há quem diga que piloto agrícola tem de ser ninja. O dia em que ele se achar ninja, estará derrotado na profissão. É preciso ser consciente, concentrado e gostar do que faz”, destaca José Marcelo.

Na última vez em que o Sindag fez um levantamento, em 2014, havia apenas seis mulheres pilotando aviões agrícolas no Brasil. Uma delas é Juliana Aparecida Torchetti, de 36 anos. Mineira de Belo Horizonte, filha de um encanador e de uma costureira, ela se apaixonou ainda menina por aviação. Olhava os aviões e ficava imaginando como objetos tão pesados podiam voar, sonhando com o dia em que poderia pilotar um daqueles.

Primeiro fez o curso de comissária de bordo. Trabalhou seis anos em uma companhia aérea e utilizou o dinheiro para bancar os cursos de piloto. Formada, aos 26 anos, aprimorou-se até ser contratada por uma grande companhia.

Durante dois anos, voou pelo Brasil levando dezenas de passageiros a cada viagem. Depois, passou outros dois anos pilotando grandes aviões de carga. “Porém, eu sempre quis pilotar aviões agrícolas. Sou da capital, mas, quando criança, ia para o sítio de familiares da minha mãe no interior. Então gosto de estar na lavoura. E gosto também do estilo de voo, de estar sozinha na cabine, sem auxílio de piloto automático”, relata Juliana.

Há três anos, ela trocou a aviação de carga pela agrícola. Atualmente, trabalha no Triângulo Mineiro, em áreas de cana-de-açúcar, e vai espantando a surpresa daqueles que se admiram em ver a cena rara de uma mulher comandando um avião agrícola.

Sobre os riscos da atividade, Juliana diz que, sim, eles existem, mas são superados com profissionalismo. “Temos de acabar com esse estereótipo, segundo o qual piloto de aviação agrícola é maluco. Tudo em nosso voo é controlado, desde a presença de obstáculos até a aplicação, com margem de segurança para trabalhadores, animais, suspensão e deriva do produto. Nada é aleatório”, diz ela.

Um piloto de aviação agrícola dificilmente tem trabalho nas lavouras o ano todo. Os serviços variam de acordo com o calendário agrícola de cada região do país. Mas, em um mês bom, dá para faturar entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.

Na média, o presidente do Sindag, Nelson Paim, estima que o rendimento mensal em um ano fique na casa dos R$ 8 mil, considerando que, em alguns meses, o profissional não vai conseguir trabalho, por causa do período de entressafra. “O trabalho no Centro-Oeste coincide com o mesmo período de safra do Nordeste e do Sul.

Então, em média, eles trabalham de quatro a seis meses por ano”, diz.

Atualmente, o custo médio do trabalho de avião por hectare gira em torno de R$ 15,30 a R$ 25, dependendo da região agrícola. O setor deve faturar em torno de R$ 1,3 bilhão em 2016.




Acompanhe aqui o Noticiário relativo ao Comando da Aeronáutica veiculado nos principais órgãos de comunicação do Brasil e até do mundo. O NOTIMP apresenta matérias de interesse do Comando da Aeronáutica, extraídas diretamente dos principais jornais e revistas publicados no país.




PORTAL PANROTAS


Airbus testa uso de drone para inspecionar avião


Fernanda Cordeiro

A Airbus está testando o uso de drones adaptados na hora de inspecionar possíveis falhas em componentes ou detectar danos em aviões, antes deles serem entregues aos compradores.
A construtora americana e a empresa de tecnologia Intel adaptaram um AscTec Falcon 8, e o drone é usado principalmente em levantamentos topográficos. O equipamento conta agora com câmeras capazes de fazer uma série de imagens com uma resolução de 42 megapixels.
Para a tarefa, o drone é programado para percorrer uma rota em torno do avião e fazer a sequência de fotos do avião. Todo o percurso é acompanhado em terra por um operador de qualidade da Airbus. A primeira demonstração do serviço foi feita no Farnborough International Airshow, na Inglaterra.

Em um voo, cerca de 150 imagens são capturadas e enviadas a um programa de computador que cria um protótipo virtual da aeronave(foto). Com isso é possível aumentar as imagens em determinadas áreas para ver as possíveis falhas, mais de perto.
A chefe de qualidade da Airbus, Nathalie Ducombeau, ressalta a importância do uso dos drones. “O uso dessa nova tecnologia oferece melhores condições de trabalho e melhora a segurança e o conforto dos inspetores de qualidade”
O uso tem dois objetivos principais, otimizar o tempo e evitar acidentes. As inspeções com o equipamento demoram no máximo 15 minutos, já no modo convencional levava até duas horas.
A segurança é o outro motivo, já que sem o drone, os funcionários precisariam ficar a metros de altura, o que poderia vir a causar algum acidente. Quando o equipamento faz a inspeção o funcionário fica no chão, apenas inspecionando o serviço do drone.
Um teste em nível industrial está sendo feito na linha A330 e a Airbus estudo implementar os drones em outros processos da empresa.
PORTAL SPUTNIK BRASIL


Turquia alega que derrubada do Su-24 russo foi decisão do piloto

O vice-presidente do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP) do governo da Turquia, Yassin Aktay, declarou nesta quinta-feira (21) que foi o próprio piloto turco que tomou a decisão de derrubar o caça russo Su-24.

Em entrevista à agência Sputnik, O deputado observou que a violação do espaço aéreo por 17 segundos por parte do caça russo é inaceitável, mas que a decisão de derrubar o avião foi tomada no ar.
“Estas decisões são tomadas pelo piloto, ele regula as regras do uso da força. Mas ele pode decidir pela possibilidade de não abater o caça, que violou o espaço aéreo”, disse ele.
Em 24 de novembro, um jato da Força Aeroespacial da Rússia foi derrubado por um caça turco, em espaço aéreo sírio, quando participava de uma operação contra terroristas na Síria. O incidente provocou forte tensão entre os dois países, com trocas de acusações e rompimento de parcerias. No mês passado o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, se desculpou pela tragédia, que teve como consequência a morte de um dos militares russos a bordo. Em carta endereçada ao líder russo, Vladimir Putin, na ocasião, Erdogan confirmou a abertura de um processo contra um suspeito de envolvimento na derrubada do Su-24.



PORTAL G-1


Em operação antiterror, PF prende 10 pessoas suspeitas de ligação com EI

A operação batizada de "Hashtag" foi deflagrada a 15 dias da Rio 2016. Ministro da Justiça informou que PF cumpriu mandados em 10 estados.

Camila Bomfim E Filipe Matoso Da Tv Globo E Do G1

A duas semanas do início da Olimpíada do Rio, a Polícia Federal (PF) realizou na manhã desta quinta-feira (21) uma operação sigilosa de combate ao terrorismo que prendeu 10 pessoas em 10 estados, informou o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, em entrevista coletiva concedida em Brasília.
Foram as primeiras prisões no Brasil com base na recente lei antiterrorismo, sancionada em março pela presidente afastada, Dilma Rousseff. Também foram as primeiras detenções por suspeita de ligação com o grupo terrorista Estado Islâmico, que atua no Oriente Médio, mas tem cometido atentados em várias partes do mundo.

As prisões, segundo o Ministério da Justiça, ocorreram no Amazonas, no Ceará, na Paraíba, em Goiás, no Mato Grosso, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Paraná e no Rio Grande do Sul, informou a assessoria do Ministério da Justiça. O governo e PF não divulgaram os nomes dos suspeitos.
O suposto chefe do grupo, informou Moraes, é de Curitiba. Um dos presos foi detido na área rural do município gaúcho de Rolante, em uma localidade chamada de Açoita Cavalo. Ele tem 26 anos.
De acordo com a Polícia Federal, o juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara da Justiça Federal do Paraná, expediu 12 mandados de prisão temporária por 30 dias, sendo que as detenções podem vir a ser prorrogadas por mais um mês.
Em entrevista coletiva concedida em Brasília no final da manhã desta quinta, Alexandre de Moraes anunciou que a PF já havia cumprido 10 dos 12 mandados de prisão. Ele destacou que os dois alvos da operação batizada de "hashtag" que ainda não tinham sido presos estavam no "radar" dos policiais e que, provavelmente, seriam detidos em breve. Cada um dos suspeitos foi preso em um estado diferente.
"Hoje, culminou na primeira operação onde uma suposta celula terrorista no Brasil foram presos 10 indivíduos. Isso é muito importante, que passaram a partir do nosso rastreamento de simples comentários sobre o Estado Islâmico", relatou Alexandre de Moraes na entrevista concedida na sede do Ministério da Justiça.
"Atos preparatórios"

O ministro da Justiça também relatou na coletiva que os suspeitos presos nesta quinta-feira vinham sendo monitorados pela PF há alguns meses. De acordo com Moraes, os detidos comemoraram atentados terroristas recentes cometidos pelo mundo, como o de Paris, em novembro de 2015, e os de Orlando (EUA) e Nice (França) neste ano.

O titular da Justiça explicou que os alvos da Operação Hashtag foram presos porque passaram dos comentários em redes sociais e mensagens de texto para "atos preparatórios" para atentados terroristas.
"A partir do momento que passaram para atos preparatórios, a partir do momento que saíram daquilo que é quase uma apologia ao terrorismo, para atos preparatórios, foi feita prontamente a ação do governo federal, realizando, em 10 estados, 10 prisões desses supostos terroristas que se comunicavam via internet, via grupos, Whatsapp e Telegram, observou o ministro.
"Várias mensagens mostram a degradação dessas pessoas, comemorando o atentado em Orlando e em Nice, comentando o atentado anterior que ocorreu na França, postando e circulando entre eles as execuções que foram relizadas pelo Estado Islâmico", complementou o ministro.
WhatsApp

Moraes foi questionado na entrevista sobre como foi possível monitorar as conversas do grupo por meio do WhatsApp, na medida em que o aplicativo usa criptografia para inviabilizar o acesso às mensagens dos usuários. Nesta semana, a Justiça Federal do Rio de Janeiro chegou a bloquear o Whastapp sob a alegação de que a empresa proprietária do aplicativo, o Facebook, se recusava a cumprir uma decisão judicial de fornecer informações para uma investigação policial.
"Qualquer mecanismo de investigação não deve ser falado numa entrevista coletiva para avisar um suposto terrorista sobre como se investiga. Esta pergunta [sobre como foi possível monitorar o WhatsApp] atrapalha não só esta como outras investigações. [...] Há a necessidade de uma regulamentação geral para que a Justiça consiga informações online, interceptações e dados do WhatsApp, porque isso facilitaria. Só que as investigações têm outros meios também", respondeu o ministro.
Juramento ao EI

Alexandre de Moraes informou na coletiva que alguns dos suspeitos presos nesta quinta chegaram a prestar um juramento, via internet, ao Estado Islâmico. Essa espécie de "batismo", de acordo com o ministro, foi feito sem que eles tivessem sequer conversado pessoalmente com integrantes do grupo terrorista.
"Aparece uma gravação e a pessoa repete [o juramento]. Não existe uma interação", enfatizou.
"A pessoa que faz esse juramento passa a achar que faz parte do Estado Islâmico", acrescentou Moraes.

O ministro observou ainda que nenhum dos detidos viajou para fora do país para encontrar com representantes do grupo terrorista.
"Até o momento, tudo que foi investigado foi o único contato que alguns deles tiveram, o batismo [...] Eles não saíram aqui do país para nenhum contato pessoal."
"Célula amadora"

Segundo Alexandre de Moraes, é possível concluir, com base nas informações dos serviços de inteligência brasileiros, que o suposto grupo terrorista era uma "célula absolutamente amadora" do Estado Islâmico, porque não tinha "nenhum preparo".
O ministro citou como exemplo mensagens do líder do grupo de que era necessário aprender artes marciais e atirar com armas.
"E mais, qualquer célula organizada não iria procurar comprar armas pela internet", ironizou o ministro.
Conforme o titular da Justiça, o grupo não tinha contato pessoal, e só se falava pelos aplicativos WhatsApp e Telegram. Além disso, quando o líder dava as ordens, "cada um tinha que cuidar de si".
"Aparentemente, era uma célula absolutamente amadora e sem nenhum preparo, porque as mensagens eram "vamos treinar artes marciais", "vamos começar a aprender a atirar"", comentou Moraes.
Moraes destacou ainda que, por se tratar uma "célula desorganizada", a questão da segurança pública "é muito mais importante e gera mais preocupação que o terrorismo".
"Mas obviamente que não podemos, nenhuma força de segurança, ignorar isso. [...] Só o fato de começarem atos preparatórios, não seria de bom senso aguardar para ver, e o melhor era decretar a prisão deles", completou.
Temer

Nas últimas semanas, o presidente em exercício, Michel Temer, tem divulgado manifestações em vídeo, por meio das redes sociais, para tranquilizar turistas e atletas em relação à segurança do evento esportivo que será aberto no dia 5 de agosto. No último pronunciamento, divulgado na última segunda-feira (18), o peemedebista que a segurança dos Jogos Olímpicos estará "muito reforçada" (assista ao vídeo acima).
Na terça-feira (19), o ministro da Justiça também tentou tranquilizar os atletas e turistas que irão ao Rio para a Olimpíada. Ele afirmou que o atentado em Nice, na França, ocorrido na semana passada, não alterou o patamar de risco de atos terroristas durante a Olimpíada. Moraes havia dito na ocasião que a classificação de risco é de probabilidade “absolutamente mínima” de terrorismo.
O titular da Justiça também havia ressaltado que os serviços de inteligência brasileiros estão atuando em cooperação com o de outros países, inclusive da França e Estados Unidos, para evitar ataques durante a Olimpíada.
Credenciamento

O Centro Integrado Antiterrorismo (Ciant), que tem sede em Brasília, fez um monitoramento nos pedidos de credenciamento para a Olimpíada. O Ciant descobriu que 40 pessoas estão com alertas a respeito de cooperação internacional. O Fantástico mostrou, no último domingo (17), que quatro delas têm comprovadamente ligação com o terrorismo.
Elas tiveram as credenciais negadas e estão sendo monitoradas pelos serviços internacionais de inteligência. Os nomes, as nacionalidades e as acusações estão sob sigilo. O Ciant, que monitora todos os tipos de credenciamento, descobriu ainda que 61 brasileiros com mandado de prisão por crimes diversos entraram com pedido de credencial.
Na Copa do Mundo do Brasil, em 2014, houve 350 mil pedidos de credenciais. Na Olimpíada de Londres, 450 mil. Já para Olimpíada do Rio, aproximadamente, 460 mil inspeções foram feitas, sendo que, deste total, o Ciant recomendou ao comitê olímpico brasileiro que fossem negados credenciais para quase 11 mil pessoas.

Prisão de suspeitos de ligação com o Estado Islâmico no Brasil repercute na imprensa estrangeira


O anúncio do Ministério da Justiça, nesta quinta-feira (21), sobre a operação da Polícia Federal que prendeu dez brasileiros suspeitos de ter ligação com o Estado Islâmico, a duas semanas do início da Olimpíada do Rio, repercutiu na imprensa internacional. Essas foram as primeiras prisões no Brasil por suspeita de ligação com o grupo terrorista, que atua no Oriente Médio, mas que tem cometido atentados em várias partes do mundo.
A correspondente do canal americano CNN, no Rio de Janeiro, Shasta Darlington, falou sobre a grande movimentação de tropas policiais na cidade – que realizava treinamentos antiterrorismo - e que o governo anunciou a intensificação da segurança para os Jogos. O canal ressaltou o caráter aparentemente amador e sem preparação do grupo formado no Brasil, revelado pelo Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.
A rede britânica BBC destaca que os presos brasileiros não são membros efetivamente do Estado Islâmico, mas que tentaram contato com o grupo. A matéria também diz que apesar da apreensão mundial pelas Olimpíadas no Brasil, motivadas principalmente pelo atraso nas obras, zika e a crise política, o país recebeu recentemente o aval do Comitê Olímpico para receber os jogos.
O jornal britânico "The Guardian" também noticiou a prisão e ressaltou relembrou a descoberta do Ansar al-Khilafah Brazil, um canal brasileiro no aplicativo de mensagens Telegram com ligação com EI.
O "El Pais", da Espanha, destacou a tentativa de compra de uma arma AK-47 pela internet por um dos investigados e o perfil de risco dos suspeitos: “brasileiro, recém-convertido ao Islã, frustrado pelo tom pacifista das mesquitas do país, buscando propaganda radical do Estado Islâmico na Internet.

Ministro diz que forças de segurança serão "implacáveis" contra o terror

Raul Jungmann voltou a comentar prisão de 10 suspeitos de ligação com EI. "Cruzaram linha entre apologia e ato preparatório", disse ministro da Defesa.

Alessandro Ferreira E Gabriel Barreira G1 Rio

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, garantiu nesta quinta-feira (21) que as autoridades de Defesa e segurança do Brasil já estavam monitorando os membros do grupo preso durante a manhã pela Polícia Federal. Qualquer um que tente o mesmo, segundo ele, pode pegar até 8 anos de cadeia por atos preparatórios de terrorismo.
"Eles cruzaram a linha entre apologia e ato preparatório (...) Estamos monitorando as redes sociais, todas elas, e qualquer ato preparatórios de terrorismo, cruzar a linha vermelha entre apologia ao terrorismo e esses atos, nós seremos implacáveis em conter e prender os responsáveis", disse o ministro, durante um exercício de simulação de sequestro de uma embarcação das Barcas, realizado pela Marinha próximo a Boa Viagem, em Niterói, Região Metropolitana.
O ministro afirmou ainda que a fase dos testes das Forças Armadas no Rio acaba no domingo (24), e que Ministros da área de defesa e segurança serão transferidos para o Rio a partir do dia 2 de agosto.
"Haverá sempre um ministro de plantão aqui para a eventual tomada de qualquer decisão. Iniciaremos a olimpíada juntos e terminaremos juntos", afirmou ele.
Amadorismo
Mais cedo, ele afirmou que a organização dos presos é "de um amadorismo, de uma porralouquice", pedindo desculpas pelo termo.
"Vocês chegaram a ver o vídeo deles? Não sei se chegaram a ver. Mas é de um amadorismo, me perdoem o linguajar um tanto vulgar, mas, de uma porralouquice. Porque, de fato, é um grupo que não tem, digamos assim, nenhuma tradição, algo que você pudesse ter um preparativo histórico, eram jovens", comentou.
Raul Jungmann explicou também que agências de inteligência de outros países estão ajudando a monitorar possíveis ameaças terroristas, em especial do Estado Islâmico (EI), e que até o momento nenhum indício concreto foi encontrado.
"Nós não temos nenhuma informação de que membros do Estado Islâmico se deslocaram para cá para fazer qualquer tipo de atividade. E não só a nossa inteligência, mas a da França, dos Estados Unidos, da Inglaterra, Israel e assim por diante. Fica claro que o meio de contato são as redes sociais".
Jungmann reafirmou que a informação de um plano para atentar contra a delegação francesa não é verdadeira. O ministro admite que o mundo vive uma "histeria" em relação ao terrorismo, mas destaca que o foco são os países centrais que travaram uma guerra contra o Estado Islâmico.
Embora admita que o EI busque propaganda e que os Jogos Olímpicos podem ser um alvo, ele afirmou que o episódio da prisão deve servir como um alerta de que a segurança no Brasil tem funcionado, mas que "seria ilegítimo dizer que não há uma preocupação". Jungmann ponderou ainda que, apesar de o grupo ser amador, "não poderia não ser preso", já que, graças à Lei Antiterror, preparar atos de terrorismo configura crime.
Ainda segundo o titular da pasta de Defesa, a investigação sobre os presos desta quinta-feira corre em segredo de Justiça e o caso não foi informado antes porque seria como avisar ao grupo que vinha sendo monitorado. "Em compensação, a partir do vazamento da informação, o estado veio a público explicar o acontecimento", disse Jungmann.

Marinha e FAB fazem buscas a veleiro argentino desaparecido entre RS e SC

Embarcação deveria chegar em La Plata no dia 14, o que não aconteceu. Marinhas do Uruguai e Argentina também participam das buscas a barco.

G1 Rs

A Marinha e Força Aérea Brasileira (FAB) fazem buscas a um veleiro argentino que desapareceu no litoral do Sul do Brasil. A embarcação, de nome Taipan, saiu de Florianópolis, em Santa Catarina; em 9 de julho e deveria chegar em La Plata no dia 14. Como a embarcação não chegou ao destino, o proprietário do barco, Cristian Ernesto Bratulich, estranhou a situação e pediu ajuda. Até a tarde desta quinta-feira (21), nenhum vestígio da embarcação foi encontrado.
As buscas estão concentradas em uma área entre Florianópolis, em Santa Catarina; e Chuí, no Rio Grande do Sul. Estão sendo utilizados um helicóptero e um navio da Marinha e um avião da FAB. As marinhas do Uruguai e da Argentina também fazem buscas. O veleiro possui aproximadamente 10 metros de comprimento e o proprietário não soube informar quantos tripulantes estavam a bordo.
A Marinha do Brasil salientou em nota que, após ter sido informada, acionou a Rede Nacional de Estações Costeiras, que realiza chamadas via rádio VHF; emitiu Aviso Rádio Náutico alertando todas as embarcações que estão na área, caso o veleiro tenha sido avistado. Além disso, foram comunicadas as Capitanias dos Portos da região e as Marinas e Iate Clubes de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul e também foi acionado os Serviços de Salvamento Marítimo do Uruguai e da Argentina.


Militares simulam ataque terrorista no aeroporto em São José, SP

Local pode receber voos em caso de emergência de outros aeroportos. Aeroporto tem capacidade de até 1,7 mil passageiros por dia.

Camilla Motta G1 Vale Do Paraíba E Região

As Forças de Segurança coordenaram uma ação que simulou um atentado terrorista ao aeroporto de São José dos Campos (SP) nesta quinta-feira (21). O local pode receber voos desviados em caso de emergência dos aeroportos de Campinas e de São Paulo, uma das principais portas de acesso aos turistas estrangeiros que vêm ao Brasil para a Olimpíada Rio 2016. Além disso, a região vai receber na próxima semana a tocha olímpica.
O treinamento, que ocorre no mesmo dia em que dez foram presos em uma ação antiterror por suspeita de ligação com o EI, envolveu militares do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Baep), do 46º batalhão, agentes da tropa de choque, da prefeitura, da Defesa Civil, do grupamento aéreo, bombeiros, socorristas e 50 atores.
Na ação, eles reforçaram os protocolos em caso de atentados na passagem da tocha ou durante os jogos, em agosto. O exercício simulou dois atos, sendo uma explosão com um homem-bomba na área dos guichês no saguão e outro dentro de uma aeronave.
No simulado, os agentes usaram o mesmo aparato, com armas e aparelhos de comunicação, que estarão disponíveis durante o trabalho. Apesar de ser no aeroporto, o exercício também atende eventuais situações em pontos de aglomeração como shoppings e restaurantes.
"São até 24 voos que podemos receber em caso de emergência nos aeroportos de São Paulo e Campinas. Esse simulado integra a equipe de socorro em caso de tragédias. A população não está preparada para atentados porque não temos ocorrência de terrorismo, mas as pessoas são importantes porque podem nos ajudar a identificar suspeitos, inclusive pela internet e ajudarem denunciando", disse o Major Marcelo de Oliveira Garcia da PM.
O aeroporto de São José dos Campos tem capacidade para a passagem de até 1,7 mil passageiros por dia e pouso e decolagem de até dez aeronaves.
Risco
Para o delegado da Polícia Federal em São José dos Campos, Vinícius Lopes Sobreira, apesar da PF ter assistência antiterrorismo há muitos anos, apenas agora, com a Olimpíada, é que é necessária uma atenção especial. "Agora há um perigo real, estamos nos preparando porque infelizmente corremos risco com a Olimpíada", disse ao G1.
Na região, Aparecida foi classificada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) como área de possível ameaça terrorista. O grau de classificação de risco não foi informado pelas autoridades. A cidade vai receber a delegação russa de ginástica rítimica.
De acordo com o capitão Antônio Carlos Bernardes, dos bombeiros, o treinamento começou há três meses. "Estamos tomando cuidado para todas equipes estarem integradas, cada um tem seu protocolo específico. A mesma estrutura montada aqui vai atender todos os locais em caso de atentado. Estamos preparados", concluiu.
JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO


Após preços subirem 700%, TCU suspende licitação da Telebras


Dimmi Amora

Uma licitação para compra de equipamentos da Telebras, estatal de telecomunicações, cujos preços aumentaram mais de 700% entre um ano e outro, foi suspensa pelo TCU (Tribunal de Contas da União) nesta quinta-feira (21).
De acordo com despacho do ministro Bruno Dantas, a compra de "elementos de comunicação na rede de banda larga em banda Ka a ser implementada com o Satélite Brasileiro Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas - SGDC" não deve ter seu contrato assinado com os vencedores da concorrência até que o tribunal analise os dados solicitados à estatal.
Na quarta-feira, o governo trocou o presidente do órgão, Jorge Bittar, ex-deputado pelo PT, por Antonio Loss, executivo do setor que já trabalhou na Oi.
O Brasil está construindo um satélite para fazer comunicações. Após o escândalo de espionagem americana sobre agentes públicos brasileiros, o governo decidiu fazer um satélite próprio com sua estatal, o que está sendo construído na França. O Brasil tem que construir aqui estações terrenas para gerenciar esse equipamento e a licitação era para comprar antenas para esse trabalho.
A suspeita do TCU, que agiu após denúncia de um dos concorrentes, é que o aumento de preço seria injustificado, a licitação teria sido vendida por empresa que não poderia participar da disputa e que tinha entre seus integrantes um ex-dirigente da própria estatal.
De acordo com os documentos apresentados pelo órgão de controle, a Telebras tentou fazer a compra desses equipamentos no ano passado. Três empresas disputaram dois lotes da concorrência.
A vencedora do primeiro lote, a Advantech, apresentou oferta de R$ 53 milhões. O lote dois teve como menor preço a oferta do Consórcio EMC, pelo valor de R$ 1,4 milhão. Os valores, ofertados em dezembro do ano passado, chegariam então a R$ 54,4 milhões.
De acordo com o TCU, as duas empresas teriam pedido renegociação dos valores após a disputa e não teriam assinado os contratos, o que fez a licitação de 2015 ser cancelada pela Telebras.
Uma nova disputa foi iniciada em junho deste ano e teve como concorrentes as mesmas três companhias. Mas, dessa vez, os valores ofertados foram muito superiores. No primeiro lote, o valor da menor oferta foi de R$ 86,4 milhões e no segundo, R$ 329,8 milhões. O valor total chega portanto a R$ 416,2 milhões, mais de sete vezes o valor inicial. Os dois foram vencidos pela EMC.
O TCU pediu para a Telebras explicar se houve e qual a necessidade para a mudança nos equipamentos num prazo de tempo tão pequeno.
Segundo a assessoria da Telebras, a empresa não foi notificada ainda do TCU, mas não há contrato assinado com a empresa que apresentou a menor oferta.

MINISTÉRIO DA DEFESA


Ministro da Defesa conhece como será a atuação de Infantaria da FAB durante as Olimpíadas


Brasília - A poucos dias do apronto operacional das tropas militares para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, visitou, nesta quarta-feira (20), estruturas militares da Força Aérea que estarão no RIOGaleão - Aeroporto Internacional Tom Jobim.
O ministro foi recepcionado no aeroporto, pelo comandante do III Comando Aéreo Regional (III COMAR), major brigadeiro-do-ar José Euclides da Silva Gonçalves, pelo coordenador geral de Defesa de Área (CGDA), general de Exército Fernando Azevedo e Silva, e pelo delegado da Polícia Federal, Fábio Andrade.
Jungmann conheceu as novas instalações e as áreas reformadas do Aeroporto Internacional, como o sistema de Raio X e as salas onde funcionará o gerenciamento da segurança. Também pôde ver como será a disposição e deslocamento dos militares da Policia da Aeronáutica (PA) dentro do aeroporto e nas imediações.
A Força Aérea atuará na área com uma tropa de cerca de 500 militares nas missões de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), segurança e patrulhamento das vias de acesso ao aeroporto do Galeão, policiamento ostensivo e controle do tráfego. “Nossa tropa de Infantaria trabalhará em apoio aos órgãos de segurança pública reforçando a segurança dentro e fora do aeroporto. Esses homens foram treinados e estão prontos para garantir a máxima segurança aos usuários do aeroporto em qualquer situação”, afirmou o major brigadeiro Euclides.
O ministro da Defesa também conheceu o Centro de Operações RIOGaleão, onde funciona todo o sistema de gerenciamento aeroportuário e que concentrará todas as equipes envolvidas. Na Sala Apron Control, foi possível ver de perto como é controlado todo o esquema de pouso e decolagem do aeroporto, modernizado já pensando no período olímpico.
Atuação da FAB
Uma das áreas de atuação da FAB durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 será a manutenção da segurança e defesa do Aeroporto Internacional e em suas imediações. Uma tropa formada por homens vindos dos batalhões de Infantaria de Brasília, Boa Vista, Porto Velho, Belém, e dos batalhões do Rio de Janeiro, começará a atuar neste domingo (24 de julho). Essas ações serão realizadas em apoio aos órgãos de Segurança Pública, como Polícia Federal, Polícias Militar e Civil, Guarda Municipal e a concessionária RIOGaleão.
Além da área do aeroporto, a tropa também será responsável pela segurança nas vias de acesso à Ilha do Governador, para garantir o deslocamento das comitivas que desembarcarão e embarcarão na Base Aérea do Galeão. Estão previstos 100 movimentos de chegada de chefes de Estado, dignitários e família olímpica na BAGL. A FAB é responsável pelas operações de ações aeroportuárias e espaciais, pelo receptivo e deslocamento dessas comitivas para saída dentro do tempo previsto e em segurança da Ilha do Governador.

Rio 2016: Jungmann visita instalações militares para os Jogos


Alexandre Gonzaga

Rio de Janeiro - O ministro da Defesa, Raul Jungmann, em visita nesta quinta-feira (21) ao Comando de Defesa Setorial (CDS) de Deodoro, afirmou mais uma vez que as Forças Armadas estão preparadas para cumprirem sua missão de garantir a segurança e defesa dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. "No início da próxima semana completaremos todo o efetivo de 22 mil militares na cidade do Rio de Janeiro", disse Jungmann. Ele ainda declarou que as Forças Armadas e agências públicas estão trabalhando de forma integrada, seja nos centros de comando e controle ou nos centros de enfrentamento ao terrorismo.
No CDS Deodoro, o ministro conheceu o Centro de Controle de Operações Terrestres Móvel, estrutura militar móvel que amplia a capacidade de comando e controle do CGDA/CDS, e ainda o Centro de Controle de Operações Interagências.
Em conversa com jornalistas, o ministro comentou a prisão feita pela Polícia Federal de um grupo suspeito de planejar atos terroristas durante os Jogos. "Os suspeitos já vinham sendo monitorados e as prisões ocorreram pelo fato de terem ultrapassado um limite e foram enquadrados na lei antiterrorismo, do qual fui relator", disse Jungmann.
O ministro iniciou as visitas, hoje pela manhã, pelo Comando de Defesa Setorial da Barra, onde 2.500 militares fazem a segurança no entorno das instalações olímpicas. Coube ao general Rolemberg Ferreira da Cunha, chefe do CDS Barra e comandante da 12ª Brigada de Infantaria Leve (Aeromóvel) de Caçapava (SP), explicar ao ministro as atividades desenvolvidas pela tropa.
Em seguida, o ministro conheceu o Hospital de Campanha, instalado para atender os militares em regime de 24 horas. O hospital é equipado com laboratórios e oferece serviços médicos e odontológicos, entre outros.
No Parque Olímpico, acompanhado do executivo do Comitê Rio 2016, Sidney Levy, o ministro da Defesa viu as instalações do International Broadcasting Center, que reúne emissoras de TV de todo mundo. Ele também foi ao Centro de Mídia Impresso e ao Main Operation Center, que organiza e planeja as competições olímpicas.
A programação encerrou-se com a simulação de um sequestro nas barcas que fazem a travessia Rio-Niterói. Militares da Marinha fizeram uma ação contraterrorismo, resgatando os reféns e as vítimas.
As visitas foram acompanhadas pelo coordenador geral de defesa de área, general Fernando Azevedo e Silva, pelo comandante de Operações Terrestres, general Araken de Albuquerque, e oficiais generais da Marinha, Exército e Aeronáutica.
PORTAL GLOBO.COM


Aviação agrícola exige preparo e cuidado na aplicação de defensivos

GLOBO RURAL

Wilhan Santin

Conheça a rotina de alguns dos 1.500 profissionais que sobrevoam as plantações brasilieras
Todos os dias, Bruno Gomes Tagliari, de 34 anos, levanta às 5 horas e, antes mesmo do café da manhã, olha o céu para conferir como está o tempo. Se o clima é bom, ele se prepara para encarar mais um dia de trabalho na lavoura. Mas Bruno não suja as botas no campo: está sempre nas nuvens, pilotando avião.
Na pista de terra no meio do canavial, ele checa o equipamento, confere os comandos da cabine, o óleo do motor, os freios, as rodas. Enquanto isso, um técnico agrícola já preparou o defensivo agrícola que será aplicado na lavoura e o bombeou para o tanque de 1.980 litros da aeronave.
Em seguida, o piloto recebe um relatório agronômico do produto que vai aspergir, programa o GPS – equipamento fundamental no serviço –, liga o motor e levanta voo. Em instantes, estará voando a apenas 5 metros de altura em relação à lavoura, a 230 quilômetros por hora, com as mãos no manche, os pés nos pedais, controlando o leme de direção, que está na parte traseira da aeronave, e os olhos atentos para qualquer imprevisto, sobretudo fios elétricos, pássaros e árvores.
Bruno está entre os 1.500 profissionais brasileiros que, segundo levantamento do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), sobrevoam as lavouras aspergindo defensivos, fertilizantes, além de lançar sementes nos campos. A aviação agrícola acompanha o ritmo do crescimento do agronegócio brasileiro. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), 2.035 aviões agrícolas estão registrados no órgão atualmente. Em 2011, eram 1.695.
É um trabalho para poucos, que exige perícia, atenção intensa e uma boa dose de conhecimentos sobre agricultura. Bruno conta, com bom humor, que se considera um verdadeiro tratorista do ar. No curso que pilotos comerciais fazem – depois de já terem mais de 370 horas de voo – para se habilitar como pilotos agrícolas, boa parte da grade teórica aborda mais os assuntos relacionados às lavouras do que à aviação.
Bruno sonhava em ser um piloto de caça, mas acabou indo para a aviação civil. “Daí, optei por ser piloto agrícola porque gosto da interação homem-máquina. No nosso caso, não existe piloto automático. Temos de agir o tempo inteiro”, explica.
Agir o tempo todo significa também desviar de pássaros. Na região onde Bruno voa, urubus e gaviões-carcará são os obstáculos mais comuns. “É preciso ter técnica, calma e precisão. Sempre desviar para cima, pois o animal vai mergulhar”, comenta o piloto.
O técnico de solo também informa ao piloto qualquer adversidade que possa atrapalhar o voo. Tudo é controlado ao máximo, inclusive para evitar que se repita uma situação que o piloto viveu em 2011. Trabalhando na região de Campo Grande (MS), ele colidiu com um fio de eletricidade. Felizmente, conseguiu controlar o avião e não caiu. O fio se rompeu e levou junto quatro cabeças de postes.
Acidente
Dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) mostram que, entre 2010 e 2015, aconteceram 132 acidentes com aviões agrícolas no Brasil, nos quais 29 pessoas morreram. Ainda não há dados dos primeiros três meses de 2016, mas somente em um acidente registrado em Londrina, no dia 20 de janeiro, morreram seis pessoas.
Um avião agrícola havia decolado do Aeroporto 14 Bis, no fim da tarde, com destino ao interior de São Paulo. Pouco depois, com problemas, o piloto tentou retornar à pista. Não deu. Ele caiu antes, em uma rodovia estadual, atingindo em cheio uma Kombi com trabalhadores da construção civil que voltavam de uma obra. Todos os que morreram estavam no veículo. O piloto teve ferimentos, mas já está bem. O Cenipa ainda investiga as causas do acidente.
Segundo dados do Cenipa, 65% dos acidentes que ocorreram entre 2010 e 2015 foram registrados em quatro Estados: Rio Grande do Sul (19,7%), São Paulo (18,94%), Mato Grosso (17,42%) e Paraná (9,8%).
O especialista em prevenção de acidentes aeronáuticos, o major-aviador do Cenipa, Daniel Moreira Peixoto, de 35 anos, diz que a atividade realizada pelos pilotos de aviões agrícolas “tem margem restrita de erros”. Mesmo assim, ele não considera os voos de alto risco. “Todo voo tem seu risco”, argumenta.
Questionado se considera alto o número de acidentes no Brasil, ele diz que não. “O número absoluto não diz muita coisa, porque nós não conseguimos mensurar quantos acidentes evitamos. Mesmo no ano de 2014, quando tivemos mais acidentes (29), será que não evitamos outros 2.900? Acreditamos que o trabalho de prevenção deve ser constante e o trabalho de conscientização também”, justifica o militar.
Com a experiência de quem é piloto de aviação agrícola desde 1980, Rolemberg Vidotti, de 60 anos, concorda com o major-aviador Peixoto. “O voo que fazemos é trabalhoso, intenso, mas não se torna de alto risco quando atuamos preventivamente, seguindo normas de segurança, atuando com treinamentos”, diz ele.
Ele é proprietário da Viagro, empresa à qual pertencia o avião que se envolveu no acidente em Londrina. “Foi uma tragédia. Um piloto muito preparado, tanto que vai continuar trabalhando conosco, comandando um avião com toda a manutenção rigorosamente em dia. Se a Kombi tivesse meio segundo para frente ou para trás, não haveria a colisão. Infelizmente, acidentes acontecem em qualquer tipo de aviação, mesmo quando se faz tudo certo.”
Botinudo e ninja
Rolemberg começou a voar quando um ditado era comum na aviação agrícola: “Piloto bom é aquele que suja o pneu do avião com folhas de soja”. Quem contratava exigia que se voasse muito baixo. Hoje, estudos técnicos mostram que o ideal é voar de 3 a 5 metros da lavoura. “Evoluímos muito. A aviação agrícola de hoje é ambientalmente correta e eficiente, principalmente com o advento do GPS, que dá ao piloto, em tempo real, as informações exatas de onde ele já pulverizou”, destaca Rolemberg.
Também experiente, voando desde 1993, José Marcelo Morandi, de 45 anos, que trabalha em uma área de cana-de-açúcar no município de Jaguapitã, no norte do Paraná, diz que o piloto agrícola, para ser feliz na profissão, tem de ter o espírito do homem do campo, “ser botinudo”, nas palavras dele. “E tem mais uma coisa. Há quem diga que piloto agrícola tem de ser ninja. O dia em que ele se achar ninja, estará derrotado na profissão. É preciso ser consciente, concentrado e gostar do que faz”, destaca José Marcelo.
Na última vez em que o Sindag fez um levantamento, em 2014, havia apenas seis mulheres pilotando aviões agrícolas no Brasil. Uma delas é Juliana Aparecida Torchetti, de 36 anos. Mineira de Belo Horizonte, filha de um encanador e de uma costureira, ela se apaixonou ainda menina por aviação. Olhava os aviões e ficava imaginando como objetos tão pesados podiam voar, sonhando com o dia em que poderia pilotar um daqueles.
Primeiro fez o curso de comissária de bordo. Trabalhou seis anos em uma companhia aérea e utilizou o dinheiro para bancar os cursos de piloto. Formada, aos 26 anos, aprimorou-se até ser contratada por uma grande companhia.
Durante dois anos, voou pelo Brasil levando dezenas de passageiros a cada viagem. Depois, passou outros dois anos pilotando grandes aviões de carga. “Porém, eu sempre quis pilotar aviões agrícolas. Sou da capital, mas, quando criança, ia para o sítio de familiares da minha mãe no interior. Então gosto de estar na lavoura. E gosto também do estilo de voo, de estar sozinha na cabine, sem auxílio de piloto automático”, relata Juliana.
Há três anos, ela trocou a aviação de carga pela agrícola. Atualmente, trabalha no Triângulo Mineiro, em áreas de cana-de-açúcar, e vai espantando a surpresa daqueles que se admiram em ver a cena rara de uma mulher comandando um avião agrícola.
Sobre os riscos da atividade, Juliana diz que, sim, eles existem, mas são superados com profissionalismo. “Temos de acabar com esse estereótipo, segundo o qual piloto de aviação agrícola é maluco. Tudo em nosso voo é controlado, desde a presença de obstáculos até a aplicação, com margem de segurança para trabalhadores, animais, suspensão e deriva do produto. Nada é aleatório”, diz ela.
Um piloto de aviação agrícola dificilmente tem trabalho nas lavouras o ano todo. Os serviços variam de acordo com o calendário agrícola de cada região do país. Mas, em um mês bom, dá para faturar entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.
Na média, o presidente do Sindag, Nelson Paim, estima que o rendimento mensal em um ano fique na casa dos R$ 8 mil, considerando que, em alguns meses, o profissional não vai conseguir trabalho, por causa do período de entressafra. “O trabalho no Centro-Oeste coincide com o mesmo período de safra do Nordeste e do Sul.
Então, em média, eles trabalham de quatro a seis meses por ano”, diz. Atualmente, o custo médio do trabalho de avião por hectare gira em torno de R$ 15,30 a R$ 25, dependendo da região agrícola. O setor deve faturar em torno de R$ 1,3 bilhão em 2016.
AGÊNCIA BRASIL


Imprensa dos Estados Unidos destaca prisão de supostos terroristas no Brasil


José Romildo - Correspondente Da Agência Brasil

As emissoras de rádio, TV e os jornais norte-americanos estão dando grande destaque à notícia de que a Polícia Federal (PF) do Brasil prendeu hoje (21) um grupo suspeito de planejar um ataque terrorista durante os Jogos Olímpico do Rio de Janeiro, que começam em duas semanas.
Em manchete na página da internet, o Wall Street Journal informou que "polícia do Brasil prende dez suspeitos de planejar ataque e dois estão sendo procurados."
Com destaque em sua página na internet, a agência de notícias Reuters disse que "o grupo é suspeito de pertencer ao Estado Islâmico e que seus integrantes são todos cidadãos brasileiros", que fizeram contato pela internet e trocaram por WhatsApp e Telegram. A Reuters divulgou uma declaração do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, de que o grupo estava " planejando adquirir armas para cometer crimes no Brasil e até no exterior".

Ministro
De acordo com o Los Angeles Times, o grupo descoberto estava montando uma "trama ligada ao Estado Islâmico. Já a rede de televisão CBS informou que as autoridades brasileiras afirmaram que as 12 pessoas pessoas suspeitas de planejar ataques terroristas queriam usar "armas e táticas de guerrilhas".
Citando declarações do ministro Alexandre de Moraes, o The Washington Post publicou que apenas quatro dos suspeitos se conheciam pessoalmente, embora tenham declarado lealdade ao Estado Islâmico e discutido a prática de tiro e artes marciais, conforme esclareceu o ministro da Justiça. Segundo o jornal, Moraes afirmou que um dos suspeitos iniciou as negociações por email para comprar um rifle de assalto AK-47 na internet.

O jornal norte-americano informou ainda que armas pequenas são facilmente encontradas no Paraguai, país que tem fronteira com o Brasil. A publicação acrescentou que Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tem se preocupado com a facilidade com que um terrorista, do estilo "lobo solitário", ou seja, pessoa sem vínculo com organizações internacionais, pode comprar armas no Paraguai e levá-las para o Brasil.
Para o jornal, o tráfego entre as cidades fronteiriças Ciudad del Este (Paraguai) e Foz de Iguaçu (Brasil), funciona muitas vezes sem fiscalização. Acrescentou que, com frequência, os veículos não são sequer parados, o que contribui para o aumento do contrabando de armas.
PORTAL UOL


PF prende grupo que planejava atentado terrorista nos Jogos


Beatriz Farrugia Fonte: Ansa

A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (21) a prisão de um grupo que preparava atentados terroristas durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que começam no próximo dia 5 de agosto.
Ao menos 10 brasileiros, em 10 estados diferentes do Brasil, foram presos na Operação Hashtag, que expediu 12 mandados de detenção temporária por 30 dias, podendo ser prorrogados por mais 30. Os outros dois suspeitos ainda não foram detidos, mas estão sendo monitorados. Nenhum nome foi divulgado para manter o sigilo da investigação. Há um menor de idade na célula. Em uma coletiva de imprensa nesta manhã, o ministro da Justiça e da Cidadania, Alexandre de Moraes, disse que os detidos são brasileiros que conversavam através de redes sociais, entre elas o Telegram. Moraes ressaltou que o grupo não se encontrava pessoalmente e apenas dois membros se conheciam. Alguns já tinham realizado o "batismo" virtual, declarando apoio à organização extremista Estado Islâmico (EI, também chamado de Isis ou Daesh) nas redes sociais. "O máximo que houve foi uma comunicação entre os membros do grupo e um deles queria ir para o exterior, onde o Estado Islâmico atua, para fazer contato com eles. Mas o próprio membro admitiu que não conseguiria viajar por falta de dinheiro", disse Moraes.
O ministro também informou que um membro da célula tentou comprar um fuzil AK-47 no Paraguai e que todos discutiam possibilidades de atentados. A Polícia Federal realizou as prisões sob acusação de atos preparatórios de terrorismo, com base na lei antiterrorismo, sancionada em março pela presidente afastada, Dilma Rousseff. "Houve um pedido do líder do grupo para os demais para pensarem em possibilidades de financiamento das ações", explicou Moraes. Segundo o ministro, por muito tempo a célula terrorista falava apenas em atentados no exterior. A possibilidade de cometer ataques no Brasil surgiu justamente com a proximidade dos Jogos Olímpicos. Ameaças - Na última segunda-feira (18), a reportagem da ANSA divulgou a notícia de que um grupo no país, autoproclamado "Ansar al-Khilafah Brazil," declarou lealdade ao Estado Islâmico e submissão ao líder do califado, Abu Bakr al-Baghdadi.
Nos últimos dois dias, a especialista norte-americana em contraterrorismo Rita Katz, que trabalha no SITE Intelligence Group, disse que um canal no Telegram estava dando instruções para atentados nos Jogos Olímpicos do Rio. Entre as técnicas recomendadas, estão envenenamento, sequestros de reféns, acidentes de tráfico, divulgação de falsas ameaças, esfaqueamento e ataques a meios de transporte públicos. As mensagens nas redes sociais também pediram para que os chamados "lobos solitários" (pessoas que atuam sozinhas em ataques) se dirijam ao Brasil. Os posts das útimas 48 horas no Telegram sugerem até que os ataques nos Jogos do Rio sigam os modelos do atentado de 1972 em Munique. As Olimpíadas do Rio de Janeiro ocorrerão entre os dias 5 e 21 de agosto. Devido ao massacre em Nice, na França, quando Mohamed Bouhlel atropelou uma multidão e matou 84 pessoas, o governo brasileiro adotou medidas extras de segurança para os Jogos.
A estimativa é de que cinco mil homens da Força Nacional de Segurança Pública e 22 mil oficiais das Forças Armadas (14,8 mil do Exército, 5,9 mil da Marinha e 1,3 mil da Aeronáutica), além do contingente fixo do Rio de Janeiro, atuem durante as Olimpíadas. Apenas duas edições dos Jogos Olímpicos sofreram atentados terroristas na história. Em 1972, em Munique, 11 membros da delegação de Israel foram feitos reféns e mortos pelo grupo terrorista palestino Setembro Negro. Cinto terroristas também morreram e outros três foram presos na ocasião. Em 1996, durante os Jogos de Atlanta, uma bomba explodiu no Parque Centenário. Duas pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas.

Como vale-lanche e He-Man levaram esgrimista para primeira Olimpíada


Leandro Carneiro

Tais Rochel chegou à esgrima há 26 anos. Quando ainda era uma criança, ela resolveu seguir os passos do irmão, fã de He-Man, e acabou entrando para a modalidade. Agora, após bater na trave três vezes, ela tem a primeira chance de disputar uma Olimpíada.
“O que aconteceu é que na verdade meu irmão mais velho curtia o He-Man e meu pai teve a ideia de associar o He-Man a esgrima porque a gente era sócio do Banespa e a esgrima era conhecida lá. Meu pai falou: "se gosta de He Man, vai fazer esgrima". Na época, eu era novinha e até curtia a She-Ra, como ficava assistindo meu irmão quietinha, a técnica falou: "se você começar a fazer esgrima, eu te dou vale-lanche depois do treino". Aí comecei a fazer”, falou a atleta ao UOL Esporte.
Antes de ter sua primeira oportunidade, Tais quase chegou a disputar três Jogos Olímpicos. Desde 2004, ela tenta uma vaga na equipe brasileira.
“Eu desde os 18 anos estava tentando ir para as Olimpíadas. Eu sempre bati muito na trave. Nas Olimpíadas de Atenas, não fui pelo teste de corrida. Em Pequim, fiquei entre as três do pré-olímpico, mas não estava preparada. Em Londres, bati super na trave, na final do pré-olímpico fiquei em segundo. Agora, finalmente eu consegui. Sempre foi uma coisa sonhada. Não é que caiu de paraquedas, sempre me preparei. Principalmente depois que Rio foi eleito sede, eu passei a me dedicar para a classificação”, disse.
Virar estilista é o plano B
Em Pequim, a preparação de Tais não foi boa por um motivo. Ela dividia o tempo dos treinos com a carreira alternativa dela, a de estilista. Moda pode ser o caminho da esgrimista depois do Rio de Janeiro.
“Estou repensando na despedida porque recebi proposta da Aeronáutica. Então, estão analisando meu currículo, eu posso estender um pouco mais a carreira na esgrima. Como tive algumas lesões, estou um pouco indecisa. O que tenho certeza é que depois da Olimpíada darei uma boa relaxada”, afirmou.
“Apesar de estar fora do mercado porque fiquei focada na Olimpíada, fiz pós na Itália em moda. De certa forma, tentei não sair totalmente do mercado. Meu currículo acredito que seja bom, fiz curso na Itália, em Nova Iorque, se meu plano A do esporte tiver acabado, vou partir para o meu plano B e acredito que vou ser bem-sucedida porque são as duas coisas que mais amo, esgrima e moda”, completou.
A carreira de Tais na esgrima teve um problema em 2011, quando ela foi flagrado no exame antidoping. Um medicamento para asma fez com que ela perdesse os Jogos Pan-Americanos daquele ano, um ano antes do embarque.
“Esse negócio é super superado. Acho que isso me deu mais força para continuar naquela época e eu passei por cima”.

Presos por terrorismo usavam nomes árabes na web, diz juiz


Ansa

SÃO PAULO - O juiz Marcos Josegrei da Silva, que autorizou a prisão de 10 suspeitos no âmbito da operação "Hashtag", concedeu coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (21) e disse que havia a possibilidade "concreta" de o grupo se envolver em crimes ligados ao terrorismo.
No entanto, segundo o magistrado, que trabalha na 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (PR), ainda não há um "contorno completo" do papel de cada um na suposta célula - os homens teriam entre 20 e 40 anos. O juiz federal afirmou que os crimes analisados são: conduta de integrar ou promover organização terrorista e iniciar atos preparatórios tendentes à prática de terrorismo.
"Pela análise dos elementos de prova até então trazidos para o inquérito policial, se concluiu que há possibilidade concreta de que os indivíduos incidam em um dos crimes que eu mencionei", explicou Josegrei da Silva.
Além disso, o juiz acrescentou que os homens presos faziam uma "exaltação" constante de atentados terroristas, com postagens de vídeos e fotos de execuções públicas, mas esclareceu que o objetivo das detenções é investigar se seu comportamento na vida real é condizente com sua postura na internet.
De acordo com o ministro da Justiça Alexandre de Moraes, o grupo conversava por meio das redes sociais, incluindo Telegram e WhatsApp, e não se encontrava pessoalmente. Alguns já teriam realizado o "batismo" virtual, declarando apoio ao Estado Islâmico (EI). Dois deles têm condenações por homicídio, e um manifestou vontade de comprar um fuzil ilegalmente no Paraguai.
"Não é um prejulgamento, ninguém foi condenado. Não se está dizendo que há uma célula terrorista no Brasil", salientou Josegrei da Silva. Todos os homens usam nomes árabes na web, embora não tenham essa ascendência. Ameaças - Na última segunda-feira (18), a reportagem da ANSA divulgou a notícia de que um grupo no país, autoproclamado "Ansar al-Khilafah Brazil," declarou lealdade ao Estado Islâmico e submissão ao líder do califado, Abu Bakr al Baghdadi.
Nos últimos dois dias, a especialista norte-americana em contraterrorismo Rita Katz, que trabalha no SITE Intelligence Group, disse que um canal no Telegram estava dando instruções para atentados nos Jogos Olímpicos do Rio. Entre as técnicas recomendadas estão envenenamento, sequestro de reféns, acidentes de trânsito, divulgação de falsas ameaças, esfaqueamento e ataques a meios de transporte públicos.
As mensagens nas redes sociais também pediram para que os chamados "lobos solitários" (pessoas que atuam sozinhas em atentados) se dirijam ao Brasil. Os posts dos últimos dias no Telegram sugerem até que eventuais ataques nos Jogos do Rio sigam o modelo do atentado de 1972 em Munique.
Devido ao massacre em Nice, na França, quando Mohamed Bouhlel atropelou uma multidão e matou 84 pessoas, o governo brasileiro adotou medidas extras de segurança para os Jogos. A estimativa é de que 5 mil homens da Força Nacional de Segurança Pública e 22 mil oficiais das Forças Armadas (14,8 mil do Exército, 5,9 mil da Marinha e 1,3 mil da Aeronáutica), além do contingente fixo do Rio de Janeiro, atuem durante as Olimpíadas.

JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO


Polícia Federal prende grupo que se preparava para atos de terrorismo no Rio

Operação foi batizada de “Hashtag”

André Magnabosco, De Brasília

A Polícia Federal prendeu um grupo que já estava em atos preparatórios para ações terroristas durante os Jogos Olímpicos. Foi a primeira prisão com base na lei antiterror. O ministro Alexandre de Moraes dá detalhes do assunto. Dez pessoas em dez estados foram detidos. A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira a Operação Hashtag, a partir da qual pretende investigar possível participação de brasileiros em organização criminosa de alcance internacional, como uma célula do Estado Islâmico no país. Foram expedidos 12 mandados de prisão temporária por 30 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 30. É o período necessário para a conclusão dos Jogos Olímpicos do Rio.

A quebra de sigilo de dados e telefônicos revelou indícios de que os investigados "preconizam a intolerância racial, de gênero e religiosa, bem como o uso de armas e táticas de guerrilha para alcançar seus objetivos", segundo a PF. Por questão de segurança e para "assegurar o êxito da operação", a PF decidiu não revelar o nome dos presos. "O processo tramita em segredo de Justiça", informou a PF em nota.

"Estamos aqui para seguir um protocolo internacional de divulgação com absoluta transparência para anunciar operação da PF. A operação começou com a integração da Abin, com a PF, com agências de informação internacionais, isso culminou na primeira ação. Foram presos dez indivíduos que passaram de simples comentários sobre simples comentários sobre Estado Islâmico para atos preparatórios. A partir do momento que começaram para atos preparatórios foi feita prontamente a atuação por parte do governo federal. Governo preparou simultaneamente prisões em dez estados desses terroristas que se comunicavam pela internet, por Telegram e Whastapp", disse o ministro Moraes, ao destacar que sigilo é importante para a continuidade das investigações.

O ministro afirmou que as investigações identificaram simpatizantes, apologistas e até mesmo membros “batizados” do Estado Islâmico. Por meio das redes sociais, eles já estariam realizando atividades preparatórias específicas para os Jogos Olímpicos. Alguns dos indivíduos já estariam comprando armas do modelo AK-47 importadas do Paraguai. A inteligência da Polícia Federal rastreou o pedido e acabou efetuando prisões dessa forma.

"É um assunto delicadíssimo, que exige a devida transparência. Porém, a transparência não pode afetar as investigações nem a sociedade. Qualquer nova informação relevante será passada à imprensa, para que não sejam divulgadas informações errôneas que levem ao pânico desnecessário."

AK-45

Alexandre de Moraes conta como o Brasil se prepara para combater o possível terrosrismo durante a Olimpíada do Rio, que começa dia 5 de agosto, com a cerimônia de abertura. O País vai receber chefes de Estados do mundo todo para a competição. "Estamos monitorando vários indivíduos, mas a partir do momento que isso passa para atos preparatórios, isso passa também para uma atuação mais drástica.

Todos os detidos são brasileiros, diz. "Isso mostra a eficácia da segurança brasileira e da integração entre Forças Armadas, Abin e PF." Moraes disse ainda que houve um batismo do Estado Islâmicos dos suspeitos presos nesta quinta, que teria sido único contato deles com EI. "Os suspeitos começaram a fazer treinamento de artes marciais e a se preparar com munição de armas. Um dos suspeitos entrou em contato com um site clandestino do Paraguai para comprar o fuzil AK-45, mas não há informação se ele conseguiu comprar a arma. O fato de ele estar querendo comprar o fuzil, no entanto, é um ato preparatório que deve ser combatido."

O ministro condenou a participação dos brasileiros nesse tipo de conduta. "A troca de mensagem mostra lamentavelmente a degradação dessas pessoas comemorando atentados em Orlando e Nice, lugares dos últimos atentados terroristas. De alguns dias para cá, partiram não só de atos preparatórios, mas para o agravamento do discurso. Eles reafirmaram que o Brasil não fazia parte da coalizão do EI, mas consideraram que, com a proximidade da Olimpíada, o País fazia parte do alvo. Nos grupos de WhatsApp e de Telegram, nenhum membro do grupo falava diretamente com membros do Estado Islâmico."

De acordo com as investigações, um dos integrantes do grupo chegou a dizer que gostaria de viajar para o exterior, mas desistiu por falta de dinheiro. Dos 12 mandatos, dez pesoas já estão presas e outros duas já foram localizados e devem ser presas ainda nesta quinta.

NOTA OFICIAL


O Juízo da 14ª Vara Federal de Curitiba, por meio da Seção de Comunicação Social Da Seção Judiciária do Paraná, esclarece que:

A Operação "Hashtag", deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (21/7), investiga possível participação de brasileiros em organização criminosa de alcance internacional, como uma célula do Estado Islâmico no país. Foram expedidos 12 mandados de prisão temporária por 30 dias podendo ser prorrogados por mais 30. Informações obtidas, dentre outras, a partir das quebras de sigilo de dados e telefônicos, revelaram indícios de que os investigados preconizam a intolerância racial, de gênero e religiosa, bem como o uso de armas e táticas de guerrilha para alcançar seus objetivos.

Os artigos 3º e 5º da Lei 13.260, de 16 de março de 2016, que disciplina o terrorismo prevêem como crime:

Art. 3º: "Promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por interposta pessoa, a organização terrorista" e art. 5º: Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito".

Para assegurar o êxito da Operação e eventual realização de novas fases, os nomes dos presos, atualmente sob custódia da Polícia Federal, não serão divulgados neste momento. O processo tramita em segredo de Justiça.

SEÇÃO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
JUSTIÇA FEDERAL DO PARANÁ
OUTRAS MÍDIAS


RÁDIO CULTURA FOZ (PR)


Samek recebe em Brasília a medalha Mérito Santos Dumont

O diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, e outras 161 personalidades civis e militares, do Brasil e do exterior, receberam na manhã desta quarta-feira (20), na Base Aérea de Brasília (DF), a medalha Mérito Santos Dumont.
ImagemParticiparam da cerimônia os ministros da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella, e da Indústria e do Comércio, Marcos Antônio Pereira. Todos foram condecorados.
Também estavam presentes, de acordo com informações da Agência Brasil, representantes das Forças Armadas e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski.
No total foram condecoradas neste ano 639 pessoas em 23 municípios brasileiros e em outros 24 países.
Sobre a medalha
A medalha Mérito Santos Dumont foi criada em 1956 para comemorar os 50 anos do voo do avião 14 Bis e é entregue a militares que se destacaram na profissão e também a civis que tenham prestado notáveis serviços à Aeronáutica.

A entrega é feita no aniversário de nascimento do aviador, que é o Pai da Aviação e patrono da Aeronáutica. Dumont nasceu em 20 de julho de 1873 e morreu em 1932, aos 59 anos de idade.

Secretaria da Educação do Estado de São Paulo


Inscrições abertas para curso pré-vestibular gratuito do ITA para alunos do Ensino Médio

Inscrições vão até 21 de agosto; aulas serão ministradas em São José dos Campos
Para auxiliar os alunos do Ensino Médio que se preparam para o vestibular, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) oferece um curso pré-vestibular gratuito voltado à jovens de baixa renda. Para participar do processo seletivo, os estudantes devem se inscrever até 21 de agosto, no site oficial do evento. Ao todo, são ofertadas 520 vagas.
O programa tem duração de um ano, com início programado para janeiro de 2017, no ITA, em São José dos Campos. As aulas serão ministradas por professores voluntários, alunos do ITA e de outras instituições renomadas, como USP, Unicamp e Unesp. O material didático utilizado em sala será oferecido pelo Sistema Ari de Sá (SAS), parceiro do programa desde 2013.

PORTAL AMAZÔNIA.COM


Espaço aéreo de Manaus será monitorado pelo Exército durante Olimpíada 2016

Cerca de 300 militares e cinco helicópteros serão responsáveis pela ação durante os seis jogos na cidade
Izabel Santos
MANAUS - Centros de treinamento, hotéis, pontos turísticos e a Arena da Amazônia estão entre os locais que serão monitorados pelo 4º Batalhão de Aviação do Exército (4ºBAVEX) durante os jogos olímpicos em Manaus. Segundo o comandante da tropa, tenente-coronel Fábio Costa, 300 militares e cinco helicópteros, dois modelo Pantera e três Black Hawk serão responsáveis pela ação. O último sobrevoo de reconhecimento das áreas foi realizado nesta quinta-feira, (21), em um perímetro de 50 quilômetros.
"O Exército tem um centro de operações localizado no Comando Militar da Amazônia [CMA], nós fazemos parte dessa tropa e aqui [na sede do 4ºBAVEX ficaremos prontos para atuar em qualquer situação de emergência e urgência que for necessário", diz o tenente-coronel. Os treinamentos foram realizados desde o início do ano. Em janeiro e fevereiro para operações diurnas, e em março e abril para operações noturnas.
A cidade vai receber seis jogos em rodadas duplas nos dias 4, 7 e 9 de agosto. Dois são do torneio feminino com Brasil, África do Sul, Estados Unidos e Colômbia. Os outros quatro são da competição masculina envolvendo as seleções da Suécia, Colômbia, Nigéria e Japão.
Ataques terroristas
O comandante garante que eles também estão preparados para enfrentar ações terroristas, e que o treinamento para a situação faz parte da formação da tropa. "Não estamos voltados tão somente para isso, mas é uma das possibilidades e estaremos prontos para qualquer coisa", garante.
O Batalhão também poderá atuar no comando e controle, escolta de comboios, infiltração e deslocamento de tropas e transporte de feridos junto com as tropas do CMA. São cerca de 300 homens entre pilotos, mecânicos, pessoal de busca de salvamento, equipes de abastecimento de aeronaves, segurança, apoio de solo e administrativo. Além de atuar em Manaus, o 4ºBAVEX também vai ceder aeronaves para Brasília e Belo Horizonte.
Sobre as dificuldades que devem surgir durante o evento, o comandante avalia que o maior desafio "é descobrir qual é o cenário a ser empregado". "Para isso, nós treinamos todas as ferramentas que hoje temos disponível como infiltração e exfiltração de tropa, treinamento com voo diurno e noturno utilizando óculos de visão noturna, pousos em regiões pré-determinadas na cidade. Isso nos dá as ferramentas necessárias para que a gente atue e tudo transcorra com tranquilidade", explica.
O comandante de Policiamento Metropolitano da Polícia Militar do Amazonas, coronel Franclildes, acompanhou a ação. Para ele a maior preocupação é a aglomeração de pessoas. O acesso a Arena da Amazonia vai contar com 40 baias e dois pontos de revista no perímetro de um quilômetro que cerca o local. "Nossa preocupação é com o controle dos acessos, os cadastramentos e o credenciamento de todas as pessoas que vão acessar o perímetro interno", disse.

OLHAR DIGITAL


Avião do Facebook que leva internet ao mundo passa por primeiro teste

Rodrigo Loureiro
O Facebook anunciou hoje o teste bem-sucedido do Aquila, avião de longa distância movido com energia solar. A aeronave funciona como um drone gigantesco e foi desenvolvida pela própria empresa de Mark Zuckerberg que possui uma área específica para a criação de novas tecnologias.
O objetivo da companhia com o avião é possibilitar que regiões afastadas do planeta possam se conectar à internet. Para isso, o Facebook planeja enviar sinal de internet para receptores no solo com um sistema de transmissão a laser com o avião.
Satisfeita com o feito, a empresa informa que o voo representa um marco no projeto e é o primeiro dos chamados “checks funcionais”. Ela disse também que ele se manteve no ar durante 96 minutos, o triplo do planejado inicialmente. O consumo do avião foi de 2 mil watts de energia no voo de altitude, quantidade considerada baixa. O consumo é equivalente a um secador de cabelo ou um microondas.
Os próximos passos agora serão fazer o Aquila voar “mais rápido, mais longe e mais alto”. A previsão é de que ele consiga atingir altitudes entre 60 e 90 mil pés.

CARTA CAMPINAS (SP)


Rodrigo Gomes Rba

Militares ganham licença para matar durante as Olimpíadas, diz Justiça Global

A proposta aprovada na quarta-feira (6), na Câmara dos Deputados, de criação de um foro especial para militares das Forças Armadas que pratiquem crimes dolosos – quando há intenção – contra a vida, durante a Olimpíada no Rio de Janeiro, no mês que vem, foi recebida com muita preocupação pela ONG Justiça Global. Para a pesquisadora Lena Azevedo, o projeto traz grandes riscos para a população e é parte de um processo de militarização da sociedade. “O projeto é de uma excepcionalidade que não se justifica. É uma licença para matar”, afirmou.
De acordo com o Projeto de Lei 5.768/2016, do deputado Esperidião Amin (PP/SC), será julgado por tribunal militar qualquer crime doloso praticado contra civil, por um militar do Exército, da Marinha ou da Aeronáutica, no cumprimento “de atribuição que lhe for estabelecida pelo Presidente da República ou pelo Ministro de Estado da Defesa”, ou em ação que envolva a segurança de instituição, missão ou atividade militar. Nesse pacote se inclui a segurança da Olimpíada no Rio, tanto no enfrentamento a um ato terrorista como a distúrbios civis.
O autor justificou que é preciso garantir segurança jurídica aos militares que atuam nessas operações, algo que não estaria garantido pelo Decreto-Lei 1001, de 1969. “Estando cada vez mais recorrente a atuação do militar em tais operações, nas quais, inclusive, ele se encontra mais exposto à prática da conduta delituosa em questão, nada mais correto do que buscar-se deixar de forma clarividente o seu amparo no projeto de lei.”
Lena ressaltou que esse tipo de “exceção” já foi aplicado à ocupação dos complexos de favelas da Maré e Alemão, pelo Exército. E teve como resultado a falta de transparência, a impunidade de militares acusados de homicídio doloso e processos arbitrários contra moradores das comunidades. Como exemplo ela cita o caso do jovem Vitor Santiago Borges, que ficou paraplégico e perdeu uma perna após o carro em que estava ser alvejado por tiros de fuzil, disparados por militares, na Maré, em fevereiro de 2015.
“A família nunca recebeu nenhuma informação e quando foi buscar descobriu que não existia nenhum processo sobre o caso na Justiça Militar. Ele figurava como testemunha de um processo por desacato a autoridade contra o dono do carro que ele estava no dia em foi vitimado. Os militares quase o mataram e nem sequer foram responsabilizados por isso”, comentou Lena.
A pesquisadora também ressaltou que houve vários processos por desacato a autoridade movidos por militares contra moradores das favelas, nos quais 25 pessoas foram condenadas, somente na Maré. “É impressionante. Em pelo menos sete casos havia testemunhos consistentes de que os militares usaram spray de pimenta, balas de borracha, agressões físicas contra as vítimas. Mas a Justiça Militar não levou esses relatos em consideração”, afirmou.
Na Justiça comum, casos de desacato frequentemente são convertidos em prestação de serviço à comunidade. Mas na Justiça Militar, a pena varia de seis meses a dois anos, com possibilidade de conversão a monitoramento, que obriga a pessoa a se apresentar periodicamente a um juiz militar. Que foi o que ocorreu com a maioria dos casos.
Para ela, ao se estender esse foro especial até o final do ano, a proposta desrespeita o princípio de garantia da Lei e da Ordem, descrito no próprio Código Penal Militar. Esse princípio vale somente no período do evento a que se dá segurança, como no caso de eleições, ou se o governo do Rio de Janeiro se declarasse incapaz de garantir a segurança, por uma greve da polícia, por exemplo.
A Olimpíada começa em 5 de agosto. E se encerra no dia 21 do mesmo mês. Mas o foro especial valerá para casos ocorridos até 31 de dezembro deste ano. “Esse processo vai trazer uma série de prejuízos à população, como já ocorreu no processo de pacificação no Alemão e na ocupação da Maré para a Copa do Mundo, mas que durou um ano e meio. Serão 23 mil militares com salvo-conduto para matar, em seis a oito favelas que ficam no ‘trajeto olímpico’, entre aeroportos, principais vias e o parque olímpico”, concluiu.




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