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"Paranoia" com a Amazônia






Tatiana Sabadini.

Uma preocupação estratégica "paranoica" com a defesa da Amazônia e do pré-sal, planos de reequipamento das Forças Armadas e o interesse constante dos militares brasileiros por tecnologia são apenas alguns dos temas tratados em dois documentos reservados da diplomacia dos Estados Unidos sobre o Brasil, divulgados ontem pelo site Wikileaks. As mensagens, enviadas a Washington em janeiro de 2009, pelo então embaixador no Brasil, Cliford Sobel, expõem reservas e desconfianças quanto ao reforço do poderio bélico do país e à capacidade orçamentária do governo para colocar seus objetivos em prática.

O enviado americano, um empresário ligado ao Partido Republicano e indicado para o posto por George W. Bush, foi substituído no governo Obama por Thomas Shannon. Em uma das mensagens tornadas públicas, Sobel critica o recém-criado Plano Nacional de Defesa. "Na visão do governo, o Brasil deve controlar sua própria segurança sem ter que sair de suas fronteiras para poder equipar suas forças", escreveu o ex-embaixador. A estratégia à qual ele se refere é a troca de tecnologia, também conhecida como off-set.

Na prática, se o governo brasileiro se interessa em comprar um avião estrangeiro, o país fabricante precisa mostrar como a turbina é desenvolvida, por exemplo – o conhecimento tecnológico faz parte de negociação. Uma fonte do alto escalão do Exército Brasileiro disse à reportagem que os americanos têm resistência a fazer esse tipo de acordo. Grande parte das transações militares entre os dois países consiste em armamento de menor porte.

Os EUA costumam oferecer manutenção do material bélico que exportam, mas relutam em transferir tecnologia. Os negócios, segundo escreveu Sobel em uma das mensagens, deveriam ser feitos com cautela. "O plano parece ser mesmo de uma parceria estratégica que prima pela troca de defesa e transferência de tecnologia, mas nós deveríamos estar abertos para cooperações de segurança em áreas de interesse mútuo."

Sobel também aponta uma excessiva preocupação do governo Lula em defender com forças militares a Amazônia e as reservas petrolíferas da costa, principalmente na camada do pré-sal, e classifica o sentimento como uma paranoia. "Não há nenhuma ameaça às reservas, mas os líderes brasileiros e a mídia têm citado as descobertas de petróleo no mar como razão urgente para melhorar a segurança marítima", diz.

Fonte: ESTADO DE MINAS, via NOTIMP

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Embaixador vê 'paranoia' em Defesa do País

Plano brasileiro é "irrealista", relata americano.

Andrei Netto

Documentos confidenciais redigidos pela Embaixada dos EUA em Brasília e revelados ontem pelo site WikiLeaks questionam como o Estado encontrará recursos para custear os projetos. O ex-embaixador Clifford Sobel também descreve a Amazônia como um caso de "paranoia" por parte do governo brasileiro, que põe a região como um dos pontos centrais da política de Defesa.

Sobel faz elogios às novas ambições de segurança externa do Brasil, mas adverte para o risco de desperdício de recursos no Plano Nacional de Defesa, assim como para objetivos irrealistas, como a defesa da costa - contra a qual não pesariam ameaças conhecidas.

A análise assinada pelo ex-embaixador americano classifica de "elefante branco" o projeto de construção de submarinos nucleares, cuja tecnologia de construção é vendida ao Brasil pela França - um concorrente da indústria bélica americana.

Os telegramas escritos em janeiro de 2009 por Sobel buscavam explicar a Washington o Plano Nacional de Defesa, elaborado pelo ex-secretário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, e aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em linhas gerais, Sobel vê com otimismo o projeto, estimando que o reequipamento das Forças Armadas e a reorientação da política militar do país, se concretizados, podem fortalecer o Brasil na América Latina, sua capacidade de enviar forças de paz ao exterior e de contribuir como "parceiro" dos EUA.

Mas é em suas considerações sobre as ameaças imaginadas pelo governo brasileiro que o conteúdo dos relatórios é mais ilustrativo.

Mesmo com o desenvolvimento econômico, que inclui a descoberta de jazidas de petróleo no pré-sal, Sobel não vê razão para amplos investimentos em uma frota de submarinos nucleares para monitorar a costa do Brasil. "Não há informação sobre possíveis ameaças a instalações petrolíferas que a Marinha possa ser solicitada a enfrentar", pondera o embaixador.

Fonte: O ESTADO DE SÃO PAULO, via NOTIMP




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