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NOTIMP - Noticiário da Imprensa - 18/02/2018 / Trânsito no céu: "Uber" para viagens de helicóptero cresce 200% em SP



Trânsito no céu: "Uber" para viagens de helicóptero cresce 200% em SP ...  


Desde seu lançamento em São Paulo, em abril de 2017, a empresa norte-americana de voos de helicóptero por aplicativo Voom cresceu mensalmente mais de 200% em viagens e 220% em novos usuários. São "centenas de voos por semana" na capital paulista, segundo a companhia, que não quis abrir os números.

O sucesso foi tanto que agora deixou o fundo de inovação A³, da Airbus, para integrar a Airbus Helicópteros, consolidando-se como uma nova empresa da gigante europeia de aviação. Procurada, a empresa não deu mais detalhes sobre os resultados, mas confirmou a demanda:

"O transporte urbano terrestre e subterrâneo está atingindo seus limites e, naturalmente, a Airbus está buscando os céus para redefinir um terceiro eixo para soluções de transporte público", diz Matthieu Louvot, vice-presidente executivo de serviços aos clientes e suporte da Airbus Helicópteros.

Praticidade para ricos e apressados
O modelo, similar ao do Uber, permite solicitar um helicóptero com apenas uma hora de antecedência --basta o cliente dizer seu peso e o da sua bagagem para receber uma tarifa. Além de ser rápido para agendar, é bem mais barato que um táxi aéreo.

A praticidade de usar um aplicativo para voar por São Paulo é popular entre executivos.

Gustavo Boyde vive nos Estados Unidos e passa quatro dias em São Paulo a cada viagem de trabalho. Com pouco tempo disponível, gastar duas horas indo para o aeroporto é um luxo. "Por causa disso optei pelo helicóptero", diz, com a cidade literalmente aos seus pés. "O Voom entrou no meu orçamento de viagem, porque é fácil e econômico. (...) São duas horas que posso aproveitar para trabalhar, o que vale muito em prazos tão curtos como os meus".

"Quando meus amigos veem que vou de helicóptero brincam que eu fiquei rico, aí eu falo que é questão de 400-500 reais e eles ficam surpresos (...) Acho que quanto mais pessoas saibam o preço do serviço, ele vai crescer ainda mais", opina Lucas Amadeu, gerente de mercado que mora em São Paulo e que se tornou cliente do Voom pelo seu trabalho. Amadeu agora só vai de táxi para o aeroporto quando o mau tempo lhe impede de decolar.

A empresa quer mudar um pouco essa aura elitista e passar a competir com o táxi comum.

"Nosso objetivo é que o transporte em helicóptero seja acessível para muito mais gente, que os helicópteros sejam vistos como mais uma opção", diz Uma Subramanian, diretora-executiva do Voom.

O Estado de São Paulo, com 44,8 milhões de habitantes (12 milhões deles na capital), tem a maior infraestrutura para helicópteros do mundo: são 528 heliportos, quase a metade dos 1.086 do país, e 700 helicópteros registrados (32,8% da frota nacional), segundo a Associação Nacional de Aviação Civil (Anac).

Na cidade de São Paulo, há 5,9 milhões de automóveis, um para cada duas pessoas. No horário de pico há entre 330 e 576 km de engarrafamentos.

A Voom, que opera em oito helipontos e quinze rotas na região metropolitana da capital paulista, agora vai expandir a atuação no Brasil e, em breve, deve chegar à Cidade do México.



Acompanhe aqui o Noticiário relativo ao Comando da Aeronáutica veiculado nos principais órgãos de comunicação do Brasil. O NOTIMP apresenta matérias de interesse do Comando da Aeronáutica, extraídas diretamente dos principais jornais e revistas publicados no país.




JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO


Governo vai esperar aval do Congresso para iniciar intervenção no Rio

Apesar de militares nas ruas, regime não começou, diz Comando Militar do Leste

Nicola Pamplona Publicado Em 17/02 - 13h47

Apesar da presença de militares e tanques nas ruas do Rio, o porta-voz do Comando Militar do Leste, Carlos Frederico Cinelli, disse neste sábado (17) que as operações sob o regime de intervenção na segurança do Rio ainda não foram iniciadas.
Segundo ele, o interventor Walter Souza Braga Netto deve esperar a votação, pelo Congresso, do decreto de intervenção assinado nesta sexta pelo presidente Michel Temer para começar a pôr em prática a nova estratégia para a segurança no Estado.
A primeira sessão na Câmara dos Deputados para analisar o decreto está marcada para esta segunda (19). Depois, o texto ainda será apreciado pelo Senado.
Cinelli disse que eventuais operações que venham a ser realizadas nos próximos dias ainda são parte de planejamento anterior ao decreto, sob o regime de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

A presença de militares nas ruas neste sábado, disse, faz parte de um esquema de segurança para a visita de Temer, que participa de reunião com autoridades do Estado para apresentar o interventor.
A diferença entre os dois regimes é que, sob intervenção, o general Braga Netto assume o comando da segurança pública do Estado, com poder para gerir recursos e definir nomes para comandar as forças estaduais.
O interventor é como um governador da segurança pública, explicou Cinelli, em entrevista antes de reunião entre Temer, Braga Netto e autoridades fluminenses, no Rio.
Na GLO, as Forças Armadas atuam em parceria com o governo estadual, que é quem define as estratégias.
A intervenção foi decretada na sexta com o argumento de que o Rio perdeu as condições de gerenciar a área. Em crise financeira, o Estado vem experimentando crescimento nos índices de criminalidade.
Nesta manhã, autoridades das Forças Armadas que atuam em parceria com o governo do Estado na GLO estão reunidas para começar a traçar estratégias para a intervenção na segurança pública do Estado.
CRIVELLA
O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), que estava em viagem ao exterior desde domingo, também participa do encontro.
Crivella foi para a Europa alegando que buscaria soluções para a segurança da capital. Ele estava fora da cidade durante parte do carnaval e do temporal de quarta (14) à noite, que gerou grandes transtornos à população.
Bastante criticada, a viagem custou cerca de R$ 130 mil. Crivella chegou ao Rio na manhã deste sábado.
Além de Temer, participam da reunião no Rio, os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Moreira Franco, entre outros.

Temer anuncia no Rio que criará Ministério da Segurança Pública

Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional devem passar para nova pasta

Leandro Colon / Nicola Pamplona Publicado Em 17/02 - 13h21 / Atualizado 17/02 - 15

O presidente Michel Temer anunciou em reunião no Rio de Janeiro a criação do Ministério da Segurança Pública.
A formação da pasta foi decidida nos últimos dias pelo governo. O presidente aproveitou para confirmá-la durante a reunião no Rio neste sábado (17) para tratar da intervenção federal na segurança do Estado.
 Em pronunciamento após a reunião, Temer disse que a nova pasta vai coordenar o trabalho de segurança pública em todo o país.
"Isso vai acontecer na próxima semana, no mais tardar na outra semana. Já conversei com os presidentes da Câmara e do Senado", disse o presidente.
O assunto já vinha sendo tratado pelo governo nos últimos meses, mas ganhou força com a onda de violência vivida pelo Rio durante o Carnaval.
Pelo esboço feito pelo Palácio do Planalto, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Força Nacional iriam para o controle da nova pasta, o que esvaziaria o Ministério da Justiça.
O nome do novo ministro ainda não foi anunciado. Um dos mais cotados é o de José Mariano Beltrame, ex-secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro.
A criação da nova pasta faz parte de estratégia do presidente de criar uma marca para seu governo na área de segurança pública. Segundo pesquisa interna do MDB, o tema é um dos que mais preocupam os brasileiros para o processo eleitoral deste ano.
Segundo a Folha apurou, o ministério será de caráter extraordinário, ou seja, com prazo de validade, podendo ser extinto quando arrefecer a crise na segurança pública.

VERBAS
Na reunião, Temer ouviu de autoridades e políticos fluminenses que a situação da segurança no Rio não poderá ser resolvida sem o aporte de verbas federais para reorganizar a polícia do Estado.
"A questão não deve ser só colocar as forças armadas nas ruas, isso seria resolvido pela GLO (Garantia da Lei e da Ordem). É preciso reorganizar, requalificar, reequipar a polícia", afirmou o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM).
"Certamente, se é uma intervenção, a responsabilidade do orçamento é da União", disse ele, que citou como exemplo o contrato de manutenção de viaturas policiais, que hoje não funciona por falta de recursos do governo federal.
O assunto foi tratado na reunião, que teve entre os presentes o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, mas não houve definição sobre verbas. Segundo os participantes, Meirelles não se manifestou.
O presidente Temer, porém, disse que a presença de Meirelles e do ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, seria um indicador de que o governo está ciente da necessidade de recursos.
"Para dar certo, vai precisar de uma injeção pesada de recursos na reorganização da polícia e na capacidade de investimentos sociais do Estado", reforçou o deputado estadual Carlos Osório (PSDB).
Os participantes dizem que não houve qualquer detalhe operacional da intervenção nem foram citados nomes para o comando das forças de segurança estaduais. Na sexta, o secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, pediu exoneração de cargo.
O general Braga Netto, que assumiu o comando da intervenção, classificou como "fake news" as informações de que já teria decidido por mudanças no comando das corporações da segurança estadual.

Polícia aos "cacos" é o desafio de fogo em intervenção no RJ

Novo comando vai esbarrar em estrutura sucateada e salários atrasados

Edição Impressa Publicado Em 18/02 - 2h00

A intervenção federal na segurança pública do Rio, decretada na sexta-feira (16) pelo presidente Michel Temer, poderá esbarrar no sucateamento da estrutura das forças policiais, que tem se agravado nos últimos anos.
Os 45 mil homens da PM e outros 10 mil da Polícia Civil serão o principal instrumento de trabalho do general do Exército Walter Souza Braga Netto, indicado como interventor federal no Estado. Ele é que definirá o plano de segurança que será colocado em prática pelas polícias locais.
Os detalhes da intervenção ainda não estão fechados, mas sabe-se que os militares trabalharão em conjunto com as polícias, já que, pela Constituição, as Forças Armadas não têm poder das polícias.
Polícias que vivem rotina de deficit de pessoal e escassez de armamentos e coletes à prova de balas. Faltam investimentos em investigação, formação de novos policiais e estrutura de apoio médico e psicológico para os agentes.
Hoje, os policiais estão com o 13º salário do ano passado em atraso. Nem todas as bonificações de trabalho fora da escala foram pagas até agora.
A falta de estrutura atinge em cheio o moral da tropa policial e torna os agentes vítimas da criminalidade. Somente neste ano, 16 PMs foram assassinados no Estado foram 134 em 2017.
A inédita intervenção, a primeira na segurança de um Estado após a Constituição de 1988, é mais um capítulo na grave crise na segurança do Rio, o que provocou, em setembro do ano passado, o envio de tropas do Exército para ajudar no patrulhamento e atuar em operações especiais.
Isso não impediu que ações de criminosos fechassem as três principais vias expressas da cidade no início deste mês.
A diferença é que, agora, um homem do Exército estará no comando de toda a segurança do Estado. Poderá intervir na nomeação de delegados e chefes de batalhão, na distribuição de verbas das corporações e na organização de patrulhas de rua da cidade.

MODELO
O general Braga Netto terá sob o seu comando uma equipe acostumada a um modelo de combate à criminalidade e ao tráfico de drogas perseguido no país desde os anos 1990, com constantes confrontos em áreas populosas das cidades e que se mostrou ineficiente, segundo especialistas ouvidos pela Folha.
Isabel Figueiredo, integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, questiona se o general terá capacidade de lidar com questões presentes na segurança pública e inexistentes nas Forças.
O conteúdo do decreto é vago. Fica tudo na mão do interventor, do planejamento que ele fará. Quem ao lado dele entende de segurança pública, de presídios? Não está claro, afirma Figueiredo.
A atual relação entre as forças estaduais e federais no Rio não tem sido amistosa.
Houve resistência inicial à atual presença dos militares, por exemplo. Nos bastidores, a cúpula da segurança preferiria que, em vez de tropas, o governo federal mandasse recursos para equipar as polícias e colocar salários em dia.
Um ex-comandante do Bope e coronel da ativa da PM prevê que, inicialmente, a tropa irá acatar as ordens do interventor federal. No entanto, caso não haja menção à solução dos problemas estruturais, a tropa passaria a uma espécie de resistência passiva ao novo comando.
O que ele [general] vai encontrar, além dos problemas estruturais de sempre, é uma polícia desmoralizada, sem salário, sem pagamentos por trabalho extra e sem metas, diz a antropóloga Alba Zaluar, que pesquisa a segurança pública há mais de 30 anos.
O modelo de combate ao tráfico é também criticado pelo coronel Íbis Pereira, ex-comandante da PM do Rio.
Segundo ele, a política de segurança não está voltada para as grandes apreensões de drogas, mas para o varejo, que acontece dentro das favelas, onde há cada vez mais armas. Se essa realidade não mudar, disse ele, a intervenção não terá eficácia.
SEM CONSENSO
Entre policiais da ativa e analistas do setor ouvidos pela Folha, não há consenso sobre a eficácia da medida.
O presidente da Associação dos Delegados da Polícia Civil do Rio, Rafael Barcia, vê como positiva a intervenção pelo fato de que uma decisão foi tomada em meio à crise.
Mas ele ressalta a necessidade de se pensar em mudar o modelo de policiamento no Estado, focado na presença ostensiva, e não nas ações de inteligência.
O governador Luiz Fernando Pezão reconheceu que faltou planejamento do Estado para a segurança do Carnaval, quando foram registrados crimes violentos.
Já o então secretário de Segurança, Roberto Sá, que entregou o cargo após a intervenção, disse que o gargalo ocorreu pela falta de veículos da polícia. A diferença nos discursos expôs a falta de coordenação das autoridades locais e de estrutura das corporações.

A guerra de Temer e o Exército no Rio


Edição Impressa Publicado Em 18/02 - 2h00

O Rio de Janeiro não tem governo. Melhor do que estar sob o controle dos presidiários Sérgio Cabral (MDB) e Jorge Picciani (MDB), decerto.
Mas a máquina pública ainda está tomada pelo vírus do MDB. Há conluio entre comandantes da PM e o crime organizado, já disse Torquato Jardim, ministro da Justiça de Michel Temer (MDB). A chefia do Tribunal de Contas foi para a cadeia. Falido, o Rio vive de favor federal e em guerra civil molecular.
Por que não houve intervenção no governo inteiro?
Porque seria um desvio da ofensiva política do governo federal. Desde que a reforma da Previdência estrebuchava, fins de 2017, Temer e turma previam uma "agenda positiva" para 2018, baseada em segurança pública. Seria um mote eleitoral do governismo, de Rodrigo Maia (DEM) inclusive. Mas isso era um plano agora menor e pretérito.
O colapso de Luiz Fernando Pezão (MDB) juntou a fome com a vontade de comer. No Planalto, se diz que de fato não havia mais alternativa a uma baderna criminosa geral. Sim, Temer e turma vão tentar fazer propaganda da intervenção militar na segurança do Rio até outubro. Cuidar do desastre do governo inteiro tiraria o foco da campanha, prejudicaria a tentativa de capitalizar efeitos provisórios da intervenção ou da paz temporária do cemitério.
Vai dar certo, do ponto de vista do governismo?
A pergunta interessa não apenas a Temer e turma, pois a intervenção redefine a conversa política do país. O blá-blá econômico fica à margem, a não ser em caso improvável de fracasso ou sucesso extremado da recuperação do PIB. A reforma da Previdência não volta, mesmo que Temer e turma quisessem, pois suspender a intervenção para votá-la é pedalada constitucional escandalosa.
O Exército não gostou da decisão atabalhoada; militar gosta de planos. Além do mais, desde o final do Império detesta a ideia de servir de polícia ocasional sob ordem da elite. Cansado de missões esporádicas, que acha caras, infrutíferas e desmoralizantes, ainda pede mais poderes e salvaguardas a Temer. Acha que vai conter a desordem, mas apenas para passar logo o bastão a quem possa criar um "sistema de segurança pública eficiente".
Circula outra vez clichê tolo de que o Exército, "treinado para a guerra e combater o inimigo", nada sabe de segurança pública. O Exército não treina para fazer ou investigação ou policiamento sistemáticos. Mas manutenção de paz e ordem é competência de parte da tropa. Os militares passaram 13 anos fazendo justamente isso no Haiti.
Não é de modo algum um prognóstico de sucesso. Temer não tem plano de segurança, e o Exército não substitui uma polícia eficaz.
Mas o Exército não vai ao Rio se fazer de polícia, segundo um general no Rio, mas para criar condições de uma reforma de fundo. Diz o general que pode haver, sim, confronto com bandidos, com alto risco de danos colaterais. Que se vai intervir nos presídios, isolar e tornar incomunicáveis os comandantes presos do crime. Que "muito provavelmente" será necessário trocar comandos da PM e delegados por oficiais, reequipar a polícia e levantar o moral da tropa fluminense.
E se o Exército fracassar? "Resta o Estado de sítio, uma guerra de verdade, um fracasso da nação", diz o general.

O risco ao contrário

Os ideólogos da intervenção pensam em política e deixaram o Exército com o risco

Janio De Freitas Publicado Em 18/02 - 2h00

A intervenção federal no Rio, como está feita, é mais contra o Exército do que contra os delinquentes a serem combatidos. E, não constando que os ideólogos da intervenção Moreira Franco, Raul Jungmann e o general Sergio Etchegoyen tenham descoberto novas formas de ação anticriminalidade, não há por que supor ao menos redução da mortandade, tão logo acabe a usual retração dos delinquentes quando há novidade na repressão.
Mais necessária é a intervenção na chefia da Polícia Federal. Mas nos dois casos Michel Temer faz prevalecerem os seus interesses. Contra sustar as boas interferências na PF para sua condição de suspeito e acusado; e a favor de uma medida extrema e controversa que lhe traz muitas vantagens políticas. O país e os Estados são capítulos à parte.

O Exército está em operações no Rio desde julho de 2017. Se, passados sete meses, quem assinou aquele envio da tropa assina, agora, a intervenção para a mesma garantia da ordem, não é preciso recorrer a números para concluir pelo insucesso do Exército.
Isso pode ficar debitado ao seu despreparo para ações fora de sua finalidade. A intervenção elimina tal álibi, ao estabelecer que todo o sistema de polícia e segurança do Rio passe à responsabilidade do Exército na pessoa de um general. Assim como todas as respectivas atividades.
No nível a que chegou o poder de ação do crime organizado, a repressão não conta com outra tática que não o enfrentamento direto. Do qual, pelo que se conhece, o esperável está em duas hipóteses: ou mortes a granel ou resultados muito aquém do desejado (e necessário).
A primeira ocorrência deixaria o Exército sob repulsa interna e externa, com possíveis consequências internacionais para o país. A segunda ocorrência será a derrota, que é o inferno dos militares. E não será menos do que isso para o Exército.
A única novidade da intervenção é a intervenção. Feita em cima das pernas. Nada foi estudado da situação atual, que já difere da vigente há um mês, nem discutido sobre um modo de agir diferente dos pouco ou mal sucedidos de até agora.
Os ideólogos da intervenção pensaram em política. E deixaram o Exército, que tem se mantido exemplar no Estado de Direito, com todo o risco.
A criação do Ministério da Segurança, pretendida por Temer, vem do mesmo tipo de propósitos pessoais, compartilhados no Planalto por muitos pendurados em acusações e inquéritos.
Esse ministério não teria utilidade: o que conteria já existe. Dar maior autonomia à Polícia Federal, já existente, é um objetivo falso. O pretendido é o oposto: juntar todos os setores ligados a investigações e processos sob um mesmo comando, para facilitar manipulações sem conflito de orientação entre eles. Vem daí a crise que começa a formar-se na PF.
Inicia-se uma fase nova de ação do Planalto, para servir aos interesses de defesas pessoais e ataques à decência.

JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO


Servidores do sistema penal aprovam intervenção, mas dizem que não serão subservientes

Em comunicado, sindicato que representa funcionários públicos afirmou que não vai acatar "caprichos e vaidades" dos interventores

Fernanda Nunes E Marcio Dolza, O Estado De S.paulo Publicado Em 17/02 - 15h45

RIO – Os servidores do sistema penal do Rio de Janeiro se posicionaram favoravelmente à intervenção federal na Segurança Pública do Estado anunciada nessa sexta-feira, 16, pelo governo federal.
O apoio, porém, é condicionado à valorização dos profissionais que já atuam nas penitenciárias. Em comunicado, o sindicato que representa desse grupo de funcionários públicos, o Sindisistema Penal RJ, afirmou que, embora aceite a intervenção, vai atuar para frustrar interferências que possam gerar conflitos.
Ainda acrescentou que os profissionais contratados pelo Estado não vão acatar "caprichos e vaidades" dos interventores e garantiram que vão dar todas as informações pedidas pelas forças armadas, desde que os militares demonstrem estar comprometidos com o "respeito e valorização dos inspetores penitenciários".
O sindicato também ressaltou os problemas estruturais nas prisões, como superlotações e o quadro reduzido de trabalhadores.
"A crise tão propagandeada de que o sistema penitenciário tornou-se o ‘escritório do crime’ não pode ser imputada aos inspetores penitenciários, pois estes vêm demonstrando um nível de controle das unidades prisionais acima da média, se comparado a outros entes federados", afirma.
Os servidores públicos do sistema penal creditam a crise na segurança do Rio à "omissão do Estado brasileiro para com o sistema" e afirmam que não serão “subservientes a caprichos ou vaidades que nos imponham responsabilidade” pelos problemas do sistema penal.
No comunicado, reivindicam o pagamento do 13º salário de 2017 e de promoções e autorizações para o uso de alguns armamentos permitidos a outras forças de segurança, como os de calibre 9 mm, além da convocação de aprovados nos concursos de 2003, 2006 e 2012. "Que a intervenção venha de forma positiva e com a valorização de todos os profissionais", traz o comunicado.

Maia garante aprovação de Câmara dos Deputados ao decreto de intervenção federal

Câmara marcou para segunda-feira, dia 19, a votação do decreto de intervenção federal na área de segurança pública do governo fluminense; Maia negou desconforto por não ter sido consultado por Temer sobre medida

Vinicius Neder , Roberta Pennafort, Renan Truffi, Publicado Em 17/02 - 15h57 / Atualizado Em 17/02 -

RIO - Após participar de reunião com o presidente Michel Temer e o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (MDB), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), garantiu a aprovação, nesta segunda-feira, 19, do decreto de intervenção federal na área de segurança pública do governo fluminense. Maia defendeu a intervenção e negou desconforto por nao ter sido consultado sobre a medida.
"Teremos apoio para aprovar o decreto da intervenção na segunda-feira à noite", disse Maia, no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, onde ocorreu a reunião com Temer.

Maia ponderou que, em dez meses, até o fim do ano, não será possível resolver a crise de segurança do Rio, mas que a intervenção é um bom início, pois será possível "requalificar" as polícias estaduais. Segundo o deputado, a crise fiscal do Estado causou déficit de segurança pública, e a sociedade do Rio esperava por essa medida.
"Decisão de intervenção é do presidente, mas apoio porque sensação da população é de pânico", afirmou Maia, classificando a decisão de Temer como "decreta".

Segundo Maia, a reunião deste sábado não discutiu questões operacionais nem ações previstas na intervenção. Para o deputado, a intervenção traz dois momentos, primeiro, de entrada ostensiva das Forças Armadas, e, depois, de reestruturação da área de segurança pública do Rio. A reunião serviu, portanto, para tratar de condições e motivações da intervenção, afirmou Maia.

Relatora
Maia escolheu a deputada Laura Carneiro (MDB-RJ) para ser relatora do decreto presidencial 9.288/2018, que formaliza a intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por Maia à reportagem do Broadcast Político. A decisão do democrata deve ser comunicada ao plenário nesta segunda-feira, 19, quando os deputados apreciarão a medida. A ideia é que a relatora já apresente um parecer e o tema entre em discussão imediatamente.
Para ser aprovado, o projeto de decreto legislativo precisa de maioria simples entre os presentes. Os trabalhos só podem começar com a presença de 257 deputados. Cinco oradores a favor e contra podem se inscrever durante a discussão em plenário.

Após ser aprovada na Câmara, a matéria seguirá para o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), que colocará o tema em regime de urgência. Se o decreto for mesmo aprovado na segunda-feira, 19, a expectativa é que os senadores possam apreciar o tema na própria terça, 20, ou quarta-feira, 21. 
No Senado, o decreto também precisa obter maioria simples para ser aprovado. Eunício Oliveira já indicou que deve escolher um relator favorável à matéria. São três os senadores do Rio de Janeiro na Casa: Romário (PODE-RJ), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Eduardo Lopes (PRB-RJ). Dos três, apenas o petista tem se posicionado de maneira crítica à medida.

Comissão parlamentar
O presidente da Câmara dos Deputados afirmou que criará uma comissão parlamentar para acompanhar a intervenção. Segundo Maia, a comissão será formada por técnicos e parlamentares. O número final de deputados na comissão ainda não está definido. "Vamos criar um observatório para acompanhar as ações da intervenção", disse.
Maia garantiu também que haverá votos suficiente para aprovar o decreto de intervenção na Câmara, na segunda-feira a noite. A relatora da matéria será a deputada Laura Carneiro (MDB-RJ), informou o presidente da Câmara.

"Violência faz Brasil viver processo de descivilização", diz pesquisador

Professor da Universidade de Cambridge acredita ser possível reduzir metade da violência homicida em 30 anos no mundo. Para isso, o foco terá de ser a América Latina, que concentra 17 dos 20 países mais violentos do planeta, entre eles o Brasil. Ao "Estado", ele falou sobre políticas na área da segurança e criticou a intervenção no Rio

Marco Antônio Carvalho, O Estado De S.paulo Publicado Em 17/02 - 18h38

Entrevista com
Manuel Eisner, diretor do Centro de Estudos da Violência da Universidade de Cambridge
 SÃO PAULO - O professor suíço Manuel Eisner, de 58 anos, tem uma mensagem que pode parecer exótica para os brasileiros: o mundo está ficando menos violento. Como diretor do Centro de Estudos da Violência da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e estudioso das causas e consequências da violência em diferentes sociedades, ele vai além: o mundo pode reduzir o atual nível de homicídios pela metade em 30 anos. Para isso, é fundamental contar com o engajamento de países da América Latina, onde estão 17 das 20 maiores taxas nacionais de assassinatos. Junto aos vizinhos, o Brasil pertence a uma concentração de violência que não encontra similar em todo o mundo, e está vendo a situação piorar. É um processo de descivilização, comenta Eisner. Para começar a reverter a situação, as estratégias elaboradas pelo professor em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), da Organização das Nações Unidas (ONU), preveem, primeiro, um “estado de direito efetivo”, com combate à corrupção de oficiais públicos, aprimorando a legitimidade por meio de instituições inclusivas. Segundo, deve-se contar com a atuação de coalizões de lideranças visando a enfatizar a civilidade e o respeito. De forma mais específica, ele pede mudanças no sistema de justiça criminal, com ataque à impunidade nos casos de homicídio, por exemplo. Eisner diz duvidar da eficácia da intervenção federal no Rio, assim como de projetos como os que estão em discussão no Congresso Nacional, como mais armas nas ruas e penas mais longas para criminosos: “Assegurar-se que a punição é justa, provável e rápida importa muito mais.” Leia abaixo a entrevista concedida ao Estado:
O que leva o senhor a acreditar que é possível reduzir o índice mundial de assassinatos pela metade em 30 anos?
Pelo mundo, muitas sociedades foram bem sucedidas em reduzir substancialmente a violência, especialmente o homicídio, nos últimos 30 para 40 anos. Com frequência, essas reduções chegam a 60-80% - o que significa que os cidadãos vivem com melhor segurança nas suas vidas cotidianas. Isso inclui, por exemplo, Cingapura, Itália, Estados Unidos e Rússia. O que eles fizeram corretamente? E como podemos aprender com eles? Na maioria dos países, a queda nos homicídios foi uma parte de uma tendência mais abrangente, incluindo quedas nos crimes patrimoniais, bullying nas escolas, abuso de álcool e casos de gravidez na adolescência. Em outras palavras, o comportamento da população jovem melhorou em vários aspectos. Uma possível razão é auto-disciplina, planejamento de longo prazo e um senso cívico de responsabilidade encorajado em casa, nas escolas e na vizinhança. Também em vários países parece que a combinação de tecnologias de segurança com a melhoria no policiamento desempenhou um importante papel.
Por outro lado, onde o mundo ficou mais violento?
A maior parte do mundo passou por uma queda nos homicídios ao longo das três últimas décadas. A única exceção foi a América Latina, onde vários países vivenciaram uma dramática queda na segurança pública diante de já altos níveis de violência existentes. Como resultado desses padrões, 17 dos 20 países mais violentos do mundo estão hoje na América Latina. Por quê? Não há resposta simples. Mas fatores que contribuem para essa mistura tóxica incluem a herança de décadas de política violenta e ditatorial, o efeito devastador do tráfico de drogas, a deportação de um grande número de criminosos pelos Estados Unidos para a América Central, a fraqueza do Estado, e os altos níveis crônicos de desigualdade.
O Brasil ultrapassou a marca das 61 mil mortes violentas em 2016. No ano seguinte, viveu uma crise carcerária com massacres que somaram mais de 170 assassinados em uma disputa entre facções rivais. Como a violência brasileira se parece com a vista no restante da América Latina?
Acredito que a atual situação no Brasil é melhor descrita como uma guerra crônica de pequena escala, que permeia a vida das pessoas na maior parte do País. O Brasil perde mais cidadãos para a violência a cada ano do que os Estados Unidos durante toda a guerra do Vietnã. Cerca de 800 mil brasileiros foram assassinados desde o ano 2000, o que equivale a eliminar toda a população, por exemplo, da cidade de João Pessoa.
O Brasil teve relativamente um alto nível de violência no século 19, em parte por causa da escravidão, mas também por causa do código de honra e justiçamento que caracteriza sociedades que têm Estados fracos. No entanto, nos anos 1870 a taxa de homicídios já eram bem mais baixa do que são hoje, sugerindo que o Brasil está vivenciando um processo de descivilização. Por volta de 1950, a Venezuela era tão violenta quanto a Cingapura, mas enquanto os homicídios caíram nesta, os crimes subiram naquela. Como resultado, o risco atual de um jovem morrer assassinado na Venezuela é 500 vezes maior do que na Cingapura.

O que liga o tipo de violência vista no Brasil aos casos vistos em outros países onde há alto nível de criminalidade?
Sociedades violentas não têm somente assassinatos, elas também possuem um diferente tipo de assassinato. Nesses locais, são geralmente homens jovens matando homens jovens em um contexto de conflitos sobre reputação, drogas ou sexo. Em todas essas sociedades, o assassinato é parte de um política violenta, geralmente ligadas a gangues e cartéis criminosos. É sobre defender o território, eliminar o oponente, assustar outros, proteger um negócio lucrativo e obter dinheiro de proteção.
O governo federal decidiu por uma intervenção federal no Rio de Janeiro. Qual a efetividade de uma medida com uso das Forças Armadas?
No México, o Estado tem tentado intervenções militares similares para lidar com o problema da violência e das drogas. A evidência científica sugere que essas intervenções fizeram o problema piorar, e não melhorar. Assim, a decisão similar no Brasil pode parecer uma boa jogada para o público no curto prazo, mas poderá não atingir nada. A escalada do crime e o problema com gangues no Rio provavelmente requer uma estratégia de longo prazo focada no fortalecimento das polícias, assim como na aplicação de estratégias eficazes nas áreas da educação, saúde pública e planejamento urbano. Ao menos, deve ser considerada uma avaliação independente da intervenção militar. Ainda há o risco de que muito dinheiro seja desperdiçado em abordagens que causam mais mal do que bem.
Mesmo com recorde de violência, o Brasil debate no Congresso medidas como facilitar o acesso a armas (por meio da revogação do Estatuto do Desarmamento) e endurecer penas para os criminosos. Qual a sua análise disso?
Como um outsider, eu não posso fazer recomendações para o Brasil ou para os congressistas brasileiros. No entanto, chama a minha atenção o fato de o Brasil caracterizado por uma cultura de falta de respeito pela lei, o que se espalha por todo o sistema: a chance de que um assassino ser preso é mínima, a corrupção está espalhada, e os agentes da polícia quase nunca são responsabilizados por execuções extrajudiciais. Sugeriria que o Brasil necessita de uma reforma que é mais profunda do que mais tempo de pena para criminosos ou mesmo mais armas nas ruas.
Duvido que penas mais longas terão um efeito positivo, ainda se as prisões brasileiras tivessem a capacidade de aprisionar pessoas mais tempo. Assegurar-se que a punição é justa, provável e rápida importa muito mais.
Não há evidência que facilitar o acesso a armas e matar pessoas em atos de legítima defesa têm efeitos positivos nas taxas de homicídio. Ao contrário. Um recente estudo sobre os efeitos de uma lei que deu imunidade às pessoas que usam a força letal em legítima defesa na Flórida mostrou que a lei levou ao aumento de 31% nas mortes por arma de fogo. Legislações restritivas para acesso a armas de fogo são ligadas a quedas no número de suicídio e homicídio em vários estudos. Todas as sociedades no mundo com taxas de homicídio muito baixas têm forte e efetivo controle sobre a distribuição ilegal, posse e uso de armas de fogo.
Sobre a crise no sistema carcerário, como ela deve ser abordada no âmbito de um programa de segurança pública?
Acredito que o sistema prisional no Brasil não tem uma, mas várias crises, cada uma das quais com uma causa diferente e que deve ser tratada de forma diferente. Uma grande proporção de detentos estão em uma situação de pré-julgamento (provisórios) e o tempo que se leva até o julgamento é muito longo. Então, o sistema judicial precisa se tornar mais eficiente. As prisões estão superlotadas, inseguras, dominadas por gangues que dão continuidade à atividade criminosa dentro da prisão, e sofre de incapacidade para atender as necessidades de saúde física e mental dos detentos. Há nela muitos criminosos primários com crimes de droga, que deveriam estar se tratando e não encarcerados. E finalmente, não há um suporte de qualidade depois que o detento é liberado, resultando num alto índice de reincidência.
Nas suas palestras, o senhor costuma dizer que entre os pilares da redução da violência está a garantia de que autoridades públicas e a sociedade estão comprometidas com o cumprimento da lei, melhorando a governança e os serviços públicos. O que quer dizer com isso?
Há evidência sugerindo que é essencial uma polícia profissional e efetiva que é vista trabalhando pela população mais do que contra ela, especialmente nas áreas mais necessitadas. Cidadãos devem ter uma boa razão para cumprir a lei, e sentir que ignorá-las não compensa. Serviços públicos inclusivos significam, por exemplo, escolas de alta qualidade para todos e que apoiem o potencial dos jovens, que são seguras, e que efetivamente lide com os problemas de comportamento.
Historicamente, redução de homicídios fazem parte do que chamo de ofensivas civilizacionais. Às vezes, elas são lideradas por líderes carismáticos, mas também a pressão social por meio de atores como o movimento das mulheres e por coalizões políticas, econômicas e religiosas são decisivas. Reforça a lei e a ordem é importante, mas ofensivas civilizacionais vão além: elas com frequência visam a reformar o Estado, promover um senso de responsabilidade e respeito, e encorajam uma boa educação parental.
O senhor geralmente fala sobre o esforço que tem de ser feito por líderes de várias áreas, inclusive na política, para por a redução dos homicídios como tema principal. Com que frequência o senhor vê políticos, especialmente dos países de terceiro mundo, desenvolverem políticas de segurança pública baseadas em evidências de estudos científicos?
Um dos principais obstáculos que vejo em muitos países é uma efetiva colaboração entre setores, principalmente entre o setor de saúde pública e o sistema de justiça criminal. Há muita evidência sugerindo que vários problemas associados com a violência, como o abuso de drogas e álcool, problemas de saúde mental, maus tratos contra crianças, e violência doméstica podem ser enfrentados por meio de uma abordagem da área da saúde. Infelizmente, muitos consideram essa abordagem como suave, enquanto muitos nos sistemas de saúde e educação olham para a polícia como repressiva e desinteressada em lidar com com problemas sociais e individuais. A realidade é que um trabalho colaborativo entre departamentos é uma importante base para uma redução da violência mais efetiva.
Além disso, o senhor fala sobre a necessidade de mudanças no sistema de justiça criminal. O Brasil por exemplo não sabe quantos homicídios são esclarecidos anualmente. Como a impunidade está ligada a níveis de violência mais altos?
Não há uma estatística nacional para a impunidade homicida, mas vários estudos analisaram essa questão em cidades brasileiras. Os dados mostram que cerca de 2 a 10% de todos os homicídios levam a uma condenação, mais de 90% de todos os assassinatos não são punidos pelo Estado por meio do cumprimento da lei. Como resultado, criminosos são encorajados a matar, é mais provável que jovens se vinguem, e é mais provável que a polícia se envolva com execuções extrajudiciais. Aumentar a probabilidade de punição é essencial para lidar com o círculo vicioso. Isso exigirá mais monitoramento e policiamento focado em áreas de maior criminalidade, uma polícia melhor treinada, mais investigação criminal e um julgamento mais rápido.
O Brasil atravessa uma crise econômica. O que a ciência diz sobre a relação entre períodos de instabilidade política e econômica e a sua relação com índices de criminalidade?
Períodos de crise econômica por si só não são suficientes para aumentar taxas de homicídio. Há mais evidência sugerindo relação entre conflito e violência criminal com períodos em que toda a elite política é notada como não confiável, corrupta e oportunista. Pode ser que a atual expansão do crime organizado no Brasil seja facilitado pelo cinismo que as pessoas sentem pelo Estado. No geral, acredito que provavelmente a maior crise em termos de segurança é a continuada expansão do crime organizado, a inabilidade para controlar o mercado de crack e cocaína, e generalizada disponibilidade de armas de fogo.

TCU, burocracia e eleições empurram leilões para 2019

Governo concentra no 4º trimestre licitações que somam R$ 45 bi em investimentos, mas analistas preveem adiamento para o ano que vem

André Borges, O Estado De S.paulo Publicado Em 17/02 - 17h00

O calendário de concessões e privatizações federais este ano concentra no último trimestre operações que somam investimentos de R$ 45 bilhões. Para economistas e especialistas do setor de infraestrutura, no entanto, é pouco provável que esses leilões de fato sejam realizados este ano. Primeiro, porque a programação coincide com o período eleitoral, de grandes incertezas políticas. Também pesam contra os processos de audiência pública, auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e trâmites burocráticos de licenciamento ambiental. Esse conjunto de fatores deve empurrar o cronograma para 2019.
“Esse calendário não é viável. Estamos falando de investimentos pesados e complexos, que demandam estudos aprofundados. O investidor precisa traçar cenários, mas ele nem sabe o que virá em outubro”, comenta Paulo Lins, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre FGV). “Acredito que nada disso acontecerá neste ano. Tudo vai parar perto das eleições.”
Para Adriano Pires, presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), parte dos projetos previstos pelo governo só tem chance de avançar no último trimestre do ano se houver candidaturas de peso à Presidência da República alinhadas aos planos do governo. “O calendário político vai ditar isso. Os investidores não são bobos. Tudo depende do candidato que estiver liderando as pesquisas.”

Os R$ 45 bilhões referem-se a investimentos assumidos pelos concessionários ao longo do período da permissão. Não é dinheiro para engordar o caixa do Tesouro Nacional. O último relatório de avaliação de receitas e despesas do governo federal prevê uma receita com concessões de R$ 20,244 bilhões este ano. O valor subiu R$ 1,35 bilhão em relação à estimativa anterior, que era de R$ 18,89 bilhões. Essa alteração incorpora a 15 ª rodada de concessões na área de petróleo e a 4ª rodada de áreas do pré-sal sob o regime de partilha – previstas ainda para o primeiro semestre –, além da redução das receitas no setor de aeroportos depois do processo de reprogramação de outorgas aprovados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
PPI. A escala do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) prevê para o último trimestre a oferta de 13 aeroportos, seis rodovias e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), na Bahia, que não tem sequer a definição sobre onde será seu terminal portuário. O pacote pré-Natal traz ainda a privatização da Casa da Moeda, das Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (CEA Minas), da Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais (Casemg) e da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa).
O PPI foi uma das primeiras iniciativas do governo Temer, em 2016, na tentativa de recuperar a economia incentivando investimentos privados em projetos de infraestrutura. Em agosto do ano passado, sob pressão para fechar as contas públicas, o governo anunciou a intenção de privatizar 57 empreendimentos, incluindo o aeroporto de Congonhas – depois retirado da lista –, a Eletrobrás e a Casa da Moeda. A expectativa era obter R$ 40 bilhões em bônus.

Viabilidade. Ainda há sérias dúvidas sobre a viabilidade de oferta de outros empreendimentos estratégicos, como a Ferrogrão, que tem previsão de ser concedida no segundo trimestre. A construção da ferrovia que ligaria Mato Grosso e Pará está estimada em R$ 15 bilhões. A etapa de consulta pública foi concluída pelo governo, mas o TCU não tem ainda parecer prévio sobre o projeto.
A exceção dos planos de concessão e privatização, segundo especialistas, fica por conta do setor elétrico e de petróleo. A privatização da Eletrobrás, apesar das dificuldades que enfrenta para avançar no Congresso, é vista com bons olhos pelo mercado, independentemente do cenário político, dada a qualidade dos ativos que estão nas mãos da estatal, praticamente metade do parque elétrico brasileiro.
No setor de petróleo, a projeção é de um megaleilão com a oferta de áreas do excedente da chamada cessão onerosa em meados de junho, com perspectiva de receitas que variam entre R$ 75 bilhões e R$ 90 bilhões. A expectativa do governo com esse certame é grande, porque pode resultar em outorgas bilionárias, com impacto direto no caixa.
Não é o que ocorre com os leilões de rodovias e ferrovias, por exemplo, onde o governo busca, basicamente, um investidor disposto a assumir o projeto e fazer investimentos ao longo das concessões.
“A grande jogada do governo neste ano é a extensão da cessão onerosa do petróleo. Isso sim é algo factível. Outros projetos de infraestrutura logística tendem a encontrar dificuldades”, disse Adriano Pires, do Cbie
As distribuidoras de energia no Norte e no Nordeste do País estão com leilão previsto para o segundo trimestre do ano também. Na semana passada, a assembleia-geral de acionistas da Eletrobrás aprovou a privatização das empresas e retirou um dos maiores entraves ao processo, deixando a dívida das companhias, de R$ 19,7 bilhões, integralmente com a holding.
Assim, as distribuidoras podem ser adquiridas “limpas” pelos novos investidores. A intenção é leiloar seis distribuidoras até 30 de abril.A secretaria do Programa de Parceiras de Investimentos (PPI) foi procurada para comentar o assunto, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.
Para lembrar. Auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) rejeitaram integralmente a minuta do edital e os estudos para a primeira concessão de rodovia prevista para este ano, a Rodovia de Integração do Sul (RIS). A conclusão é que o estudo que baseou a minuta, feito pela empresa candidata à concessão, “omitiu importantes investimentos” necessários para o trecho, apresentou “diversas inconsistências” e “assimetria de informações”, além de favorecer a inclusão de aditivos contratuais após a realização do leilão, favorecendo a empresa com o aumento de tarifas de pedágio.
Com base nas constatações sobre este projeto, o TCU decidiu que vai fiscalizar cada um dos contratos que o governo firmou desde 2015 seguindo a modelagem de Procedimento de Manifestação de Interesse Público (PMI), que repassa da União para a iniciativa privada a elaboração de estudos que asseguram a viabilidade das concessões.
O secretário de coordenação de projetos da Secretaria Especial do PPI, Tarcísio Gomes de Freitas, disse que o governo irá contestar a avaliação da área técnica do TCU. O governo também já deixou de usar o modelo de PMI nas concessões.

A intervenção e as dúvidas

Como restringir a intervenção apenas a um Estado se o problema é nacional e não respeita fronteiras?

Celso Ming, O Estado De S.paulo Publicado Em 18/02 - 04h00

O presidente Temer apressou-se a desmentir que tenha decretado a intervenção federal no Estado do Rio apenas para produzir cortina de fumaça que oculte o fracasso do projeto de reforma da Previdência, como pareceu. Não há indicações de que a população acredite nisso.
Mesmo que a intervenção tenha sido decidida por outras razões – por exemplo, para tentar reverter a baixíssima aprovação do governo – parece enterrada a reforma da Previdência. A pauta do Congresso tem como prioridade agora a discussão do decreto de intervenção, o que empurraria inevitavelmente o exame do Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Previdência Social, de importante impacto eleitoral, para mais perto das eleições.

O governo quer mostrar ação em outra direção e será cobrado por isso. A falta de resultados imediatos na área da segurança, além de desmoralizar a intervenção, poderia produzir desastre político, também de consequências eleitorais imprevisíveis.
Há apenas algumas semanas, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, tentava desencorajar uma decisão como a comunicada sexta-feira. Argumentava que uma intervenção em Pernambuco desembocaria necessariamente em outras. Agora, passou a defender a intervenção no Rio e abandonou sua posição anterior. Mas ficou difícil sustentar que outros Estados, como o Rio Grande do Sul e o Rio Grande do Norte, não precisem do mesmo tratamento, embora mostrem a mesma anomia na segurança pública e em outras.
A intervenção federal tem por objetivo declarado restabelecer a ordem pública e submeter o crime organizado. As bases da bandidagem serão atacadas e, com elas, o narcotráfico e suas condições de sustentação, assegura ele.
Mas há indicações de que esta não é uma operação planejada, o que, por si só, tende a comprometer seu sucesso. A convocação apressada das autoridades ligadas à área para avaliar a decisão, a rápida mudança de discurso do ministro Jungmann e o apelo a que a população encaminhe sugestões são indicação do grau de improvisação. Uma operação de guerra não se baseia em sondagens populares prévias. Simplesmente põe em marcha decisões amadurecidas pelo Alto Comando.
As Forças Armadas podem ter mapeado certos focos de atuação dos agentes desse estado de violência permanente, pelo menos no Rio e, eventualmente, no Espírito Santo. Mas sobram dúvidas de que a empreitada tenha êxito. Até agora iniciativas desse tipo fracassaram, porque as causas do câncer não foram extirpadas e porque, como outra vez, terão de contar com a colaboração da atual polícia, tão conivente com o crime e tão podre quanto a podridão que se pretende erradicar.
Uma das questões que a nova situação do Rio deve suscitar tem a ver com o âmbito geográfico da segurança que se quer ver restabelecida. Como restringir a intervenção apenas a um Estado se o problema é nacional e não respeita fronteiras? E como evitar que a bandidagem fuja momentaneamente do Rio e busque refúgio em territórios adjacentes e de lá passem a atuar, como aconteceu outras vezes?
Outra questão vai às causas mais profundas. A perda de controle da segurança não ocorreu apenas por gestão incompetente e corrupta das autoridades públicas. Ocorreu porque a droga e o crime viraram negócios tão lucrativos que compram a polícia, compram políticos, compram juízes, compram armamentos pesados, sustentam logísticas complexas, destroem o monopólio da força exercido pelo Estado e sustentam poderoso estado paralelo. Outras regiões do mundo, como Nova York, enfrentaram com sucesso problemas parecidos, com determinação, recursos e com uma polícia competente. Mas, por aqui, estamos a anos-luz de resultados assim.
E há as dúvidas que têm a ver com a economia. O novo adiamento da votação da PEC da Previdência passa o sinal de que o rombo das contas públicas continua se abrindo e, assim, tende a alargar as incertezas e a sabotar a ainda frágil recuperação econômica. Nesta sexta-feira, o mercado financeiro pareceu já contar com esse adiamento. Mas a essas incertezas podem juntar-se as outras, tanto as eleitorais de origem interna como as que estão se avolumando nos mercados globais.
Até agora, a população não sentiu a melhora dos indicadores da economia no dia a dia de suas vidas. Apenas em parte isso pode estar acontecendo porque a falta de segurança passou a ser preocupação central do consumidor e prejudicou outras percepções.
Um dos objetivos do governo com a intervenção parece ter sido criar clima favorável para que os resultados da economia sejam mais bem notados.
Enfim, muitas dúvidas pairam sobre esta decisão.

REDE GLOBO


Rafael Ristow encara um desafio na Academia da Força Aérea

O repórter do Mais Caminhos foi a Pirassununga (SP) e topou enfrentar as manobras no ar dentro de um avião T-25 universal; confira

Publicado Em 17/02 - 09h00

ImagemO Mais Caminhos está no ar, literalmente! No "Trilhas da Aventura" deste sábado (17), o repórter Rafael Ristow foi a Pirassununga (SP), para fazer uma visita a AFA ( Academia da Força Aérea ), local responsável por formar todos os oficiais de carreira da Força Aérea Brasileira (FAB).
Mas não foi apenas uma visita, nosso repórter foi viver uma aventura. Guiado pelo tenente aviador, Helton Furlan, Rafael Ristow entrou em um avião T-25 universal, usado na academia para treino dos internos, e fez um passeio nada linear. O voo foi recheado de manobras, loopings e muito mais. Será que ele encarou numa boa?

Confira o vídeo da matéria completa no link:

https://gshow.globo.com/EPTV/Mais-Caminhos/resumo/rafael-ristow-encara-um-desafio-na-academia-da-forca-aerea.ghtml

GLOBO NEWS


A intervenção federal no Rio de Janeiro


Exibição Em 17/02

Renata Lo Prete recebe, no GloboNews Painel, o general Heleno, da reserva e com experiência em ações de segurança no Rio e no comando da força de paz no Haiti; Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e Celso Rocha de Barros, cientista político e doutor em Sociologia pela Universidade de Oxford.

Veja a reportagem no link:

https://globosatplay.globo.com/globonews/v/6512023/

PORTAL UOL


Interventor não definiu futuro dos comandos das forças de segurança do Rio


Marina Lang / Colaboração Para O Uol, No Rio Publicado Em 17/02 - 18h25

Ainda não haveria uma decisão por parte do interventor federal no Estado do Rio, general Walter Souza Braga Netto, quanto a uma eventual troca dos atuais comandos da Segurança, segundo fontes que estiveram na reunião deste sábado envolvendo o miliar, o presidente Michel Temer e outras autoridades no Palácio do Guanabara, em Laranjeiras (zona sul do Rio).
Durante a reunião também não teriam abordadas estratégias operacionais de como as polícias e as Forças Armadas atuarão no território fluminense durante o período de intervenção.
O general Braga Netto teria dito: "é fake news [a informação de] que eu vou afastar a cadeia de comando", segundo afirmou uma fonte à reportagem. A afirmação teria sido motivada por rumores não confirmados por fontes independentes de que os comandantes seriam trocados ou entregariam seus cargos.
Como interventor, Braga Netto poderá eventualmente fazer mudanças nas estruturas das secretarias de Administração Penitenciária (Seap) e Segurança Pública, no comando das Polícias Militar e Civil, e no Corpo de Bombeiros.
Estiveram presentes na reunião, além do presidente Michel Temer e do general Braga Netto, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, membros da cúpula do Governo Federal, autoridades estaduais, membros do Judiciário e o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PTB). Temer, Meirelles, Crivella e o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (MDB) saíram sem falar com a imprensa.
Durante a reunião, Meirelles teria permanecido em silêncio, mas Temer teria dito aos participantes que a presença dele e do ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, ocorre porque eles estariam "conscientes de que o Governo Federal terá que empregar recursos" na intervenção federal.
Mesmo sem a definição da atuação operacional das Forças Armadas durante a intervenção, a reunião foi considerada produtiva pelos participantes.
"Foi uma reunião importante para que o presidente pudesse esclarecer às autoridades do Rio de Janeiro, aos representantes do Poder Legislativo estadual e federal, as intenções e o direcionamento do Governo Federal. Acho que ela foi positiva nesse sentido, mas ela não acrescentou nada objetivo do ponto de vista operacional dos próximos passos", declarou o deputado estadual Carlos Osorio (PSDB).
Segundo a Agência Estado, um dos objetivos da reunião teria sido fazer uma deferência ao governador do Rio para que não pareça que o governo federal está atropelando o estadual.
"O que o Governo Federal precisa entender é que não há alternativa para o Rio de Janeiro que não dê certo. É a nossa última bala de prata", declarou Osorio.
"Agora, para que dê certo, será necessária uma injeção pesada de recursos financeiros na reestruturação da Polícia Civil, da Polícia Militar do Rio de Janeiro e também na recuperação da capacidade de ação social do Estado. Se isso não for resolvido, o risco de dar errado é grande. Espero que o Governo Federal tenha saído daqui (da reunião) com essa consciência. Não adianta soldados e tanques apenas", afirmou o deputado tucano.
"É necessário que, junto aos soldados e tanques, venha o reequipamento da polícia local porque quem entende de Rio de Janeiro é a Polícia Civil e a Polícia Militar. A questão da segurança do Rio de Janeiro é mais complexa. Se não houver investimento na capacidade de Segurança do Rio de Janeiro e investimentos pesados na área social, nós perderemos essa oportunidade", disse.

Trânsito no céu: "Uber" para viagens de helicóptero cresce 200% em SP


Do Uol, Em São Paulo Publicado Em 17/02 - 10h35

Desde seu lançamento em São Paulo, em abril de 2017, a empresa norte-americana de voos de helicóptero por aplicativo Voom cresceu mensalmente mais de 200% em viagens e 220% em novos usuários. São "centenas de voos por semana" na capital paulista, segundo a companhia, que não quis abrir os números.
O sucesso foi tanto que agora deixou o fundo de inovação A³, da Airbus, para integrar a Airbus Helicópteros, consolidando-se como uma nova empresa da gigante europeia de aviação. Procurada, a empresa não deu mais detalhes sobre os resultados, mas confirmou a demanda:
O transporte urbano terrestre e subterrâneo está atingindo seus limites e, naturalmente, a Airbus está buscando os céus para redefinir um terceiro eixo para soluções de transporte público
Matthieu Louvot, vice-presidente executivo de serviços aos clientes e suporte da Airbus Helicópteros.

Praticidade para ricos e apressados
O modelo, similar ao do Uber, permite solicitar um helicóptero com apenas uma hora de antecedência --basta o cliente dizer seu peso e o da sua bagagem para receber uma tarifa. Além de ser rápido para agendar, é bem mais barato que um táxi aéreo.
A praticidade de usar um aplicativo para voar por São Paulo é popular entre executivos.
Gustavo Boyde vive nos Estados Unidos e passa quatro dias em São Paulo a cada viagem de trabalho. Com pouco tempo disponível, gastar duas horas indo para o aeroporto é um luxo. "Por causa disso optei pelo helicóptero", diz, com a cidade literalmente aos seus pés. "O Voom entrou no meu orçamento de viagem, porque é fácil e econômico. (...) São duas horas que posso aproveitar para trabalhar, o que vale muito em prazos tão curtos como os meus".
"Quando meus amigos veem que vou de helicóptero brincam que eu fiquei rico, aí eu falo que é questão de 400-500 reais e eles ficam surpresos (...) Acho que quanto mais pessoas saibam o preço do serviço, ele vai crescer ainda mais", opina Lucas Amadeu, gerente de mercado que mora em São Paulo e que se tornou cliente do Voom pelo seu trabalho. Amadeu agora só vai de táxi para o aeroporto quando o mau tempo lhe impede de decolar.
A empresa quer mudar um pouco essa aura elitista e passar a competir com o táxi comum.
Nosso objetivo é que o transporte em helicóptero seja acessível para muito mais gente, que os helicópteros sejam vistos como mais uma opção
Uma Subramanian, diretora-executiva do Voom.
O Estado de São Paulo, com 44,8 milhões de habitantes (12 milhões deles na capital), tem a maior infraestrutura para helicópteros do mundo: são 528 heliportos, quase a metade dos 1.086 do país, e 700 helicópteros registrados (32,8% da frota nacional), segundo a Associação Nacional de Aviação Civil (Anac).
Na cidade de São Paulo, há 5,9 milhões de automóveis, um para cada duas pessoas. No horário de pico há entre 330 e 576 km de engarrafamentos.
A Voom, que opera em oito helipontos e quinze rotas na região metropolitana da capital paulista, agora vai expandir a atuação no Brasil e, em breve, deve chegar à Cidade do México. (Com agências internacionais)

REVISTA VEJA


Para coronel da reserva, intervenção tem tudo para dar errado

Agora professor, Fernando Montenegro participou da ocupação do Complexo Penha-Alemão, em 2010, e vê corporativismo e atuação de facções como entraves

Por Pedro Paulo Rezende Publicado Em 17/02 - 12h57

A intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro tem todas as condições para dar errado. A corrupção política e policial, o corporativismo e as sólidas bases criadas pelas facções criminosas no estado serão apenas alguns dos muitos obstáculos que o comandante militar do Leste, general Walter Braga Netto, terá que enfrentar.
Quem alerta tem conhecimento de causa: o coronel Fernando Montenegro, da reserva do Exército Brasileiro e professor da Universidade Autônoma de Lisboa. Como comandante do Regimento Sampaio, uma das mais tradicionais unidades militares do país, participou da ocupação do Complexo Penha-Alemão, em 2010, e encarou os desafios impostos contra o Estado pelo governo paralelo montado pelo narcotráfico.

“Mesmo nos estados falhados, como a Somália, não existe território que não esteja ocupado por uma forma de governo”, alerta. “Aonde a autoridade oficial não chega, um poder paralelo se instala. É o que o professor Bartosz Stanislaws definiu como ‘buracos negros’. Foi o que ocorreu no Rio de Janeiro, onde existem 840 locais onde o Estado não tem qualquer ingerência.”
Nestas áreas funcionam mini países informais que dominam território e população e, de certa forma, exercem soberania. Este fenômeno não se restringe às favelas e pode ser observado em quase todo o Brasil em áreas historicamente abandonadas pela União, como acampamentos de agricultores sem-terra e garimpos. Aliadas a políticos corruptos, estas “mini nações” interferem diretamente na administração pública e drenam recursos do combate à violência.

Longe das ruas
Um bom exemplo deste fenômeno, de acordo com o coronel, seria a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Hoje, três mil integrantes da corporação exercem função administrativa na Assembleia Legislativa, dez deles lotados no gabinete de um parlamentar, o deputado estadual Paulo Melo (PMDB), que preso na Cadeia Pública de Benfica por corrupção. O candidato derrotado à Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo (PSOL), também mantém dez PMs sob sua tutela.
“Há um total descaminho de policiais que podiam atuar nas ruas e se encontram em situação administrativa”, afirma Montenegro. “A Secretaria de Segurança Pública é outro excelente exemplo. Lá, 500 policiais militares exercem função burocrática na maior estrutura do gênero do país. Claro, todos preferem ficar longe das ruas, ganhando boas gratificações e a salvo”, ressalta.
“Com o resgate desses efetivos e o fim das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) a vigilância ostensiva poderia ser reforçada em cerca de 4 mil agentes.” Para o especialista, as UPPs falharam porque não receberam o devido apoio financeiro federal e não foram complementadas por ações nas áreas de saúde e educação e hoje estão completamente isoladas e afetadas pela corrupção.
Um grande obstáculo para o sucesso da intervenção está nos limites impostos pela legislação às ações de garantia da lei e da ordem. “O Exército não tem ingerência direta sobre a polícia que, por corporativismo, se recusava a integrar esforços conosco”, conta o coronel. “No decreto está previsto que a não obediência a uma ordem será vista como crime militar, e a Justiça Militar é bem mais rápida que a civil, mas, na prática isto será de difícil implantação.”
Para ele, os desafios geográficos enfrentados pelas Forças Armadas e pelas polícias federais também dificultam o sucesso da missão do general Braga Netto. “Temos 17 mil quilômetros de fronteiras, muitos deles compartilhados com países produtores de drogas, como a Bolívia, a Colômbia, o Peru e a Venezuela”, lembra. “Os Estados Unidos possuem apenas dois mil em seus limites com o México e não consegue impedir o tráfico de pessoas e entorpecentes. Seria necessária uma ação integrada do Ministério das Relações Exteriores com os governos vizinhos nos planos estratégicos e operacionais.”
Segundo Montenegro, os chamados donos de morro montam uma estrutura bastante sofisticada que se entranha pelas comunidades, determina a vida econômica local e serve para eleger políticos que defendem os interesses do crime organizado.

Facções organizadas
“Há um departamento de informação e propaganda, que trabalha com o que nós militares chamamos de operações psicológicas. Organiza bailes funks e promove a organização criminosa por meio de contratação de artistas, músicas de apoio e de promoção do sexo e de vídeos distribuídos pelo YouTube e pelo WhatsApp. Cabe a eles marcar território com a sigla da facção e o nome do líder nos limites de atuação na comunidade. Com estas atividades, a distribuição de panfletos e a colocação de faixas conseguem novos recrutas, entre eles jovens que fizeram o Curso de Formação de Cabos do Exército e que possuem excelente formação militar.”
As facções também mantêm departamentos jurídicos, que atuam na obtenção de habeas corpus e negociam os chamados “arregos” (pagamentos de propinas a policiais e políticos); financeiros e logísticos, que tratam do fluxo de caixa, de matérias-primas e do suprimento de armas e munições; de produção, com gerentes diferentes para cada tipo de droga, e de distribuição, com vendedores no varejo e “vapores”, traficantes que levam o produto para áreas de maior renda e que atuam em festas e bares. “A coisa vai muito além do traficante armado com fuzil”, conta o professor.
“O sistema de alerta inclui crianças que usam celulares, rádios e outros sistemas, como fogos e pipas, para avisar os combatentes da chegada de policiais ou grupos rivais. A tomada de um morro segue o mesmo esquema de saque da Idade Média. O grupo se apropria do butim e dos equipamentos da facção derrotada. Há sempre muito dinheiro vivo, inclusive dólares e euros, porque as quadrilhas não usam o sistema bancário.”
Ao lado desta ação direta, as quadrilhas multiplicam seus recursos com a exploração de serviços, alguns deles regularizados, e a cobrança de taxas e impostos. Tudo o que sobe e desce o morro, do mototáxi aos botijões de água e gás, reverte para a facção. Centrais ilegais de TV a cabo e de internet também ampliam a renda dos grupos. “Ao chegarmos no Alemão, conseguimos convencer uma operadora a oferecer pacotes baratos para substituir a gatonet”, conta Montenegro, “mas, para nossa surpresa, as empresas de distribuição de gás e água eram legais, apesar de exploradas por familiares do dono do morro. Na Rocinha, o serviço é administrado pelo irmão do Marcinho VP.”

Comandante do Exército diz que intervenção exigirá "sacrifício"

Para general Eduardo Villas Bôas, até mesmo população do Rio de Janeiro deverá se sacrificar pela segurança do estado

Por Estadão Conteúdo Publicado Em 17/02 - 12h50

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmou que a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro exigirá “comprometimento, sinergia e sacrifício”.
Em comunicado interno divulgado na sexta-feira, o general diz entender que os poderes constitucionais, instituições e, eventualmente, até mesmo a população do Rio de Janeiro deverão se sacrificar para a intervenção.
O documento, divulgado em nome do chefe do Centro de Comunicação Social do Exército, general Otávio Santana do Rêgo Barros, diz ainda que Villas Bôas determinou que “todos os esforços convergissem para a concretização da missão atribuída” ao general de Exército Walter Souza Braga Netto, interventor nomeado pelo presidente Michel Temer.
O decreto que determina a intervenção federal no Rio foi publicado na sexta-feira e entrou em vigor imediatamente. Os detalhes da intervenção estão sendo discutidos em reunião neste sábado no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio.
A reunião conta com a presença do presidente Michel Temer, o interventor, ministros e o governador Luis Fernando Pezão.

Surpresa
O Comando Militar do Leste (CML) foi surpreendido pela decisão do governo federal de decretar a intervenção federal. Símbolo dessa surpresa é o fato de o general Braga Netto ter viajado com a família no Carnaval e só ter retornado ao Rio na Quarta-feira de Cinzas.
Eram 10 horas quando o general embarcou ontem para Brasília para se reunir com o Alto Comando do Exército. A viagem estava marcada para segunda-feira, quando seria realizada uma reunião ordinária. “Há uma semana, nós não tínhamos essa perspectiva da intervenção. Foi uma surpresa”, afirmou um general do CML.
Pela manhã, os generais do Comando não sabiam ainda qual o alcance da intervenção, qual seria o papel do interventor. “Não esperem nenhuma ação espetacular para hoje ou amanhã”, afirmou o general.
Há agora também um temor de que o ambiente político contamine a caserna em um ano eleitoral. “Teremos muito cuidado, pois o Exército é um instrumento de Estado e não de governo”, disse o general.

Barbalho usa avião da FAB para curtir fim de semana no Pará

Nas asas da alegria

Por Gabriel Mascarenhas Publicado Em 17/02 - 15h00

Helder Barbalho aderiu a uma prática corriqueira entre auxiliares de Temer. Recentemente, usou o avião da FAB para curtir uma parte do fim de semana em seu estado, o Pará.
(ATUALIZAÇÃO: O Ministério da Integração Nacional informa que todas as viagens do ministro Helder Barbalho em aviões da FAB têm como objetivo a participação em eventos oficiais e que no último fim de semana ele viajou ao Pará em avião de carreira).

O déficit de soberania da Amazônia

600 mil índios aldeados, de tribos diversas, são titulares de 13% do território nacional, enquanto os demais 200 milhões de brasileiros habitam apenas 11%

Por Ruy Fabiano Publicado Em 17/02 - 16h00

A crise venezuelana, que despejou de uma só vez cerca de 50 mil refugiados em Roraima, agravando a crise social do estado, expõe o desconcerto da política indigenista brasileira, que une a retórica esquerdista aos interesses geoestratégicos do capital internacional.
O general Augusto Heleno, que era o comandante militar da Amazônia, ao tempo da demarcação da reserva Raposa Serra do Sol, em 2008, advertiu para os danos econômicos e sociais da expulsão dos arrozeiros, cuja produção respondia por 8% do PIB do estado.

Expulsos, tornaram-se favelados em Boa Vista e a economia local empobreceu. Eram mais de 300 famílias, além de seus empregados, quase todos de etnia indígena, mas sem a grife de “aldeados”. Os 1,7 milhão de hectares da reserva – quase o estado de Sergipe – ficaram com os 20 mil índios aldeados.
Aos demais 500 mil habitantes, sobraram os 25% da área do Estado que escapou das demarcações.
“Alertei sobre a falta de critério daquela demarcação ideológica. Economistas avisaram que a expulsão dos arrozeiros era medida social e economicamente desastrosa”, relembra o general.
E acrescenta: “Hoje, a situação criada pela ditadura bolivariana de Maduro poderia ser contornada pela ampliação da cultura arrozeira e pelo consequente emprego de boa parte da mão de obra estrangeira que chegou a Roraima. Infelizmente, vêm aí mais improvisação e desordem urbanas”.
Os desacertos da política indigenista brasileira podem ser medidos em números: os 600 mil índios aldeados, de tribos diversas, são titulares de 13% do território nacional, enquanto os demais 200 milhões de brasileiros habitam apenas 11%. Os dados são do IBGE.
Acresce que, exatamente nessas terras indígenas, cuja extensão eles sequer abarcam, estão algumas das maiores reservas de minérios do planeta, fora do alcance do Estado brasileiro, mas não de grupos econômicos internacionais, que, via ONGs, estabelecem linha direta com as tribos, como se fossem nações independentes.
O comandante do Exército, general Villas-Boas, fala de “déficits de soberania” na região. Foi, quando comandante militar da Amazônia, surpreendido pela presença do rei da Noruega, Harald V, que, sem qualquer comunicado às autoridades brasileiras, foi hóspede dos yanomamis, entre 22 e 25 de abril de 2013. Só comunicou sua visita uma semana depois de deixar o país.
São mais de 100 mil ONGs, a maior parte estrangeiras, na Amazônia. Ditam a política indigenista, ao lado de órgãos da esquerda Católica, exercendo pleno domínio sobre a Funai.
Uma delas, a norueguesa Rainforest Foundation Norway, promoveu a visita do rei. A embaixadora daquele país, Aud Marit Wiig, defende o financiamento estrangeiro às comunidades indígenas. E ressalta que os da etnia Sami, sustentados por verbas de seu país, já têm hoje seu próprio parlamento. Daí para um assento na ONU é um passo. A Rainforest defende a ampliação das reservas.
E o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), da Igreja Católica, financia e incita invasões de índios a fazendas produtivas, algumas há mais de um século tituladas, segundo denúncia de uma CPI de 2015, da Câmara, presidida pelo deputado Alceu Moreira. Segundo ele, “esse crime é de laboratório e feito a muitas mãos”.
A solidariedade humana aos índios não se estende ao Nordeste. As vítimas das secas dispõem de exatamente zero ONGs para atendê-las. Lá, não há minérios: só humanos, sem direitos.

Maia acha possível votar Previdência e vai consultar o STF

Maia ressaltou que, em sua avaliação, a matéria pode ser discutida e votada, mas não promulgada

Por Da Redação Publicado Em 17/02 - 18h28

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse neste sábado (17) que entende ser possível discutir e votar a reforma da Previdência, mesmo com a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Porém, ressaltou que não seria possível promulgar a matéria, através de Proposta de Emenda à Constituição (PEC), pois a Constituição veda mudanças em seu texto se houver algum estado sob intervenção federal. Ele informou que vai discutir a matéria com o Supremo Tribunal Federal (STF).
Maia participou da reunião no Palácio Guanabara, entre o presidente Michel Temer, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e o general Walter Braga Netto, nomeado interventor federal na segurança pública fluminense. Também estiveram presentes os ministros Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência, Henrique Meirelles, da Fazenda, e o prefeito Marcelo Crivella. Ao fim do encontro, Maia falou sobre a Previdência.
“Eu vou continuar o debate da Previdência, com votação ou sem votação. Tem duas teses. Uma que você pode inclusive votar uma emenda constitucional, só não pode promulgá-la. Pois não pode emendar a Constituição. Têm ministros do Supremo que falaram que nem isso pode. Essa interpretação a gente vai ter que decidir”, disse Maia.
Maia ressaltou que, em sua avaliação, a matéria pode ser discutida e votada, mas não promulgada, enquanto durar a intervenção.
“A minha interpretação é que, lendo literalmente, não pode promulgar uma PEC. Você pode até votar a PEC, se for necessário. Eu acho que a decisão final vai ser que não pode votar. A minha leitura da Constituição, sem ser advogado, é que a única questão que não pode ser feita é promulgar. Mas eu acho que o ambiente majoritário do Congresso e do Judiciário vai ser que não pode votar. Eu só vou tratar de qualquer emenda constitucional depois que eu discutir com o Supremo”, disse.
Outra hipótese é a de ser editado um decreto suspendendo a intervenção por um determinado período, para que se possa aprovar a PEC da Previdência, mas o presidente da Câmara disse não ter opinião formada sobre isso. “Todas essas questões são muito novas, são polêmicas. Eu não vou responder o que eu tenho dúvida”.
Maia também ressaltou que o suporte financeiro da intervenção na segurança no Rio passa a ser responsabilidade do governo federal. “Tem um decreto de intervenção. Do meu ponto de vista, tudo aquilo que estiver fora das condições do estado, para dar condições e efetividade à ação da polícia, quem vai suprir é o orçamento federal. Se não, a GLO [Garantia da Lei e da Ordem] ampliada resolve o problema. O governo não tomou a decisão da intervenção, que nós apoiamos? Decreto de intervenção significa que você assumiu a gestão da segurança”, afirmou o presidente da Câmara.

Empulhação

Não adianta chamar o Exército e deixar a lei ao lado dos criminosos

Por J.r. Guzzo Publicado Em 17/02 - 07h02

As Forças Armadas, com o Exército à frente, são a organização mais respeitada do Brasil. Dão de 10 a 0 no Supremo Tribunal Federal, no Ministério Público, nos juízes que ganham o “auxílio-moradia”, na mídia e no Congresso Nacional. Ganham de longe de qualquer organização civil ─ sindicatos, empresas estatais ou privadas, confederações disso ou daquilo, clubes de futebol, OABs e similares. É melhor nem falar, então, da Igreja Católica e das CNBBs da vida ─ e muito menos desses lúgubres “movimentos sociais”, entidades de “minorias” e outros parasitas que vivem às custas do Tesouro Nacional. Enfim, as Forças Armadas têm mais prestigio que qualquer outra coisa organizada que exista neste país. Militar não rouba. Militar não falta ao serviço. Militar não é nomeado por político. É exatamente por essas razões ─ por ter nome limpo na praça, e valer mais aos olhos do público do que todos os três poderes juntos ─ que o Exército foi chamado para defender um Rio de Janeiro invadido, tomado e governado na prática por um exército de ocupação de criminosos. Mas é só por isso, e por nada mais: o governo chamou os militares, porque esta é a única maneira de tentar mostrar à população que está “fazendo alguma coisa” contra a derrota humilhante que lhe foi imposta pelos bandidos. O Exército não pode derrotar o crime no Rio de Janeiro. Nenhum exército foi feito para isso, em nenhum lugar do mundo. Pode haver algum alívio durante um certo tempo, mas depois a tropa tem de sair ─ e aí o crime volta a mandar, porque é o crime, e não o governo e sua polícia, quem manda no Rio de Janeiro.
O governo Michel Temer, no caso, é culpado por empulhação ─ mas só por empulhação. Pela situação do crime no Brasil, com seus 60.000 assassinatos por ano, recordes de roubos, estupros e violência em massa, e a entrega da segunda maior cidade do país à bandidagem, as responsabilidades vão muito além. A culpa pelo desastre, na verdade, é conjunta ─ o que não quer dizer, de jeito nenhum, que ela é dos cidadãos. Ela é de todos os que têm algum meio concreto de influir na questão e não fazem o seu dever. Como é possível enfrentar a sério o crime se temos leis, um sistema Judiciário e agentes do Estado que protegem ativamente os criminosos? Afinal, do jeito em que está a ordem pública no Brasil, eles têm praticamente o direito de cometer crimes. A maior parte da mídia mantém uma postura de hostilidade aberta à polícia ─ nada parece excitar tanto o fervor do noticiário do que as denúncias contra a “violência policial”. Obedece, ao mesmo tempo, a mandamentos de simpatia e compreensão perante os criminosos, sempre tratados apenas como “suspeitos”, vítimas da situação “social” e portadores prioritários de direitos. A maior parte dos 800.000 advogados do país é contra qualquer alteração que torne menos escandalosa a proteção e garantias fornecidas ao crime pelas leis atualmente em vigor. Policiais são assassinados em meio à mais completa indiferença ─ policial bom é policial morto, parecem pensar governo, oposição e quem está no meio dos dois. Os bispos, as ONGs, as entidades de defesa dos direitos humanos, as variadas “anistias” internacionais que andam por aí, as classes intelectuais, procuradores, juízes, políticos e mais uma manada de gente boa são terminantemente contra a repressão ao crime. Punição, segundo eles, “não resolve”. Sua proposta é esperarmos até o Brasil atingir o nível educacional, cultural e social da Noruega ─ aí sim, o problema estará resolvido.
A jornalista Dora Kramer, na sua coluna da última edição de VEJA, escreveu o que está para ser dito há muito tempo e ninguém diz: a cidade do Rio de Janeiro vive, hoje em dia, como se estivesse ocupada por uma tropa de invasão nazista. Nem mais nem menos. Um invasor do país tem de ser combatido com guerra, e não com decretos, criação de “ministérios de segurança” e a intervenção de um Exército que é mandado à frente de combate com as mãos amarradas. Não tem estratégia clara. Não tem missão definida. Não tem a proteção da lei. Não tem o direito de usar suas armas dentro da finalidade para a qual elas foram projetadas e construídas. Não tem meios adequados sequer para proteger os seus próprios soldados ─ muito menos, então, para atacar o inimigo. Enquanto for assim, o Rio continuará entregue aos invasores.

REVISTA ÉPOCA


Este drone já é capaz de seguir um ser humano

A startup Skydio criou um dispositivo que usa inteligência artificial para reconhecimento de espaços

Por época Negócios Online Publicado Em 17/02 - 15h51 / Atualizada Em - 15h

A startup Skydio conseguiu criar um drone que segue objetos ou pessoas de forma autônoma. Com um sistema de câmeras e sensores aliados à inteligência artificial, o dispositivo persegue e filma objetos em movimento, sem que ninguém o esteja operando. O CEO da startup, Adam Bry, testou o produto em um vídeo para o The New York Times, e o resultado impressiona. Trata-se de um drone chamado de R1 e cuja tecnologia permite voos autônomos e reconhecimento de objetos em um dado espaço. O resultado? O executivo foi perseguido pelo drone, apesar de tentar se esconder atrás de uma árvore.
O R1 é acionado a partir de um aplicativo de celular. O usuário determina qual objeto será usado como alvo, que pode ser, inclusive, um humano. Basta um toque sobre a imagem da pessoa na tela. A tecnologia, apesar de impressionante, levanta preocupações por acabar abrindo margem para perseguições de indivíduos por drones de forma não consensual e arbitrária.
O executivo diz que alerta seus clientes para serem "responsáveis" no uso do drone. Porém, mesmo as leis norte-americanas não são tão eficientes para barrar o poder destes veículos: embora haja uma ideia de que eles devem estar no campo de visão de seus proprietários, Bry afirma que há permissão para que ele vá mais longe por períodos determinados, desde que não interfiram no espaço aéreo.

O objetivo da Skydio, inicialmente, era desenvolver um dispositivo que se movesse sem a necessidade de um piloto. O projeto teve início em 2014, quando a companhia conseguiu investimento de US$ 70 milhões. "Nossa visão é que quase todos os casos de uso de um drone seriam melhores com autonomia do dispositivo", disse Bry. Ele fundou a empresa com o executivo Abe Bachrach. Ambos se conheceram durante a graduação no Massachusetts Institute of Technology (MIT).
O funcionamento dos drones foi possível graças à inteligência artifical e à técnica chamada de "deep learning" [aprendizado profundo de máquina]. A técnica já pode, inclusive, conduzir um carro em um ambiente barulhento e complexo. Através dela, o drone se torna capaz de reconhecer o espaço em que está voando, de forma a diferenciar as características dos objetos à sua volta.
Contudo, o R1 ainda tem dois problemas. O drone não funciona bem à noite ou sob a neve. E, devido ao processador que é necessário para impusioná-lo, o consumo de bateria é alto e um voo pode durar no máximo 16 minutos.

JORNAL CORREIO BRAZILIENSE


Poder aos militares


Natália Lambert Publicado Em 17/02

Na visão de especialistas, o presidente Michel Temer concedeu muito poder aos militares ao editar o decreto permitindo a intervenção federal no Rio de Janeiro. O diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, comenta que Braga Netto será um dos homens com mais poder no país. “Ele acumula o fato de ser comandante militar do Leste, chefe das polícias, secretário de segurança pública e secretário de administração prisional. Na prática, superpoderes. É temerário jogar essa responsabilidade para o Exército”, acredita.

No Exército, a novidade também não foi bem-vista. Segundo informações de bastidores no alto escalão, é preciso que os detalhes da intervenção garantam a proteção legal dos soldados que atuarão nas ruas e que um orçamento seja destinado a isso. “Não adianta querer sucesso se a policia não tiver equipamento, armamento, colete, gasolina para colocar nas viaturas”, pondera um comandante reservadamente. A Lei nº 13.491, sancionada por Temer em outubro do ano passado, transferiu da Justiça comum para a Militar o julgamento de crimes dolosos cometidos por militares contra civis durante esse tipo de operação. A legislação é vista por militares como uma forma de proteção, mas, na análise deles, ainda deixa brechas para punições indevidas e pode inibir atuações necessárias.

JORNAL VALOR ECONÔMICO


Alckmin defende intervenção no Rio, mas com prazo determinado


Por Folhapress Publicado Em 17/02 - 14h54

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse neste sábado (17) que a intervenção no Rio decretada pelo presidente Michel Temer (MDB) "é uma medida extrema". "Mas, havendo necessidade, há que se agir, não se pode ter omissão."
Ao inaugurar obras na capital paulista, o governador, que é presidente nacional do PSDB, disse que o partido "deverá votar favoravelmente" à medida, ainda que a liderança não tenha se reunido. "Tudo que puder ajudar a diminuir violência, preservar vidas, é nosso dever fazê-lo", justificou.
Para o tucano, Temer tem de estabelecer previamente a duração do ato. "Uma intervenção não pode ser indefinida, precisa ter prazo determinado, porque não é tarefa das Forças Armadas esse tipo de trabalho. Não pode uma exceção ter caráter permanente", argumentou.
Pré-candidato à Presidência, Alckmin disse que, sem combater as causas, a violência persiste. "O problema da segurança é no Brasil inteiro. O que causa tudo isso é tráfico de drogas e tráfico de armas", apontou.
"É preciso ação integrada, eu até propus uma agência nacional de inteligência, unindo as áreas do governo federal, Polícia Federal, Forças Armadas, Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Gabinete de Segurança Institucional. Sugeri até criar um Ministério da Segurança para ter foco voltado a isso, e a inteligência dos Estados."

PORTAL G-1


Piloto de 34 anos fica ferido após queda de aeronave no Norte de SC

Acidente ocorreu no distrito industrial da cidade por volta 16h40 logo após a decolagem.

Por G1 Sc Publicado Em 17/02 - 22h57

O piloto de 34 anos, morador de Irati (PR), ficou ferido após a queda de uma aeronave modelo trike na tarde deste sábado (17) no distrito industrial de Porto União, no Norte catarinense.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente ocorreu por volta 16h40 logo após a decolagem de uma pista que fica próximo de onde a queda foi registrada. A aeronave atingiu uma árvore e uma cerca que ficam em uma área de vegetação e de plantação de soja, o que podem ter contribuído para minimizar o impacto da queda.
De acordo com os bombeiros, que atenderam a ocorrência, a vítima foi encaminhada para o Hospital São Braz com suspeita de fratura nos braços, dores na coluna na região lombar e hematomas no rosto. O nome do homem não foi divulgado.
Os bombeiros comunicaram ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre o acidente, para apurar as possíveis causas da queda. O G1 tentou contato com o órgão, mas até esta publicação não obteve retorno.

AGÊNCIA BRASIL


"Algum desconforto vai existir", diz porta-voz do Exército sobre intervenção


Léo Rodrigues - Repórter Da Agência Brasil Publicado Em 17/02 - 13h58

O coronel Carlos Cinelli, chefe da comunicação do Comando Militar do Leste (CML), avaliou que a presença de militares do Exército em algumas regiões do Rio de Janeiro poderá gerar incômodo, o que seria natural. Para ele, será necessária a compreensão da população.
"Algum desconforto vai existir. Uma revista, por exemplo, poderá gerar algum transtorno a moradores. O que, eventualmente, já ocorria antes", disse. Segundo o coronel, a presença dos militares será notada de fato após a anuência do Congresso, o que não impede que ações pontuais já aconteçam.
A presença de um blindado hoje (17), próximo ao Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, onde o presidente Michel Temer está reunido com o governador Luiz Fernando Pezão e outras autoridades, chama a atenção de quem passa pelo local.
Eles discutem o planejamento para a intervenção militar, que foi determinada em decreto presidencial assinado ontem (16) e que ainda vai ser votado pelo Congresso Nacional na próxima semana.
O secretário de estado de segurança Roberto Sá foi afastado do cargo e o general Walter Braga Netto, que comanda o CML, foi nomeado interventor. Na prática, ele será o responsável pela segurança pública no estado enquanto durar a intervenção que, de acordo com o decreto, está prevista até o fim deste ano.
Ainda segundo Carlos Cinelli, operações que forem realizadas no curto prazo estavam planejadas antes da decisão. De acordo com o porta-voz do CML, o decreto assinado pelo presidente da República não elimina outro que estava em vigor desde junho do ano passado, quando foi implantada uma missão de Garantia da Lei e da Ordem (Glo). "Eu diria que um decreto dá maior sustentabilidade ao outro", disse. Para ele, o que irá ocorrer é uma ampliação da atividade dos militares.
Para essas ações do Glo, havia sido estruturado o comando conjunto composto por militares das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica). Subordinado ao CML, chefiado pelo general Walter Braga Netto, e assim continuará funcionando.
As missões de Glo só podem ser realizadas por ordem expressa do presidente da República. Elas ocorrem quando se avalia que houve esgotamento das estruturas tradicionais de segurança pública, em graves situações de perturbação da ordem que colocam em risco a integridade da população e o funcionamento regular das instituições. Nestas situações, as forças armadas passam a atuar com poder de polícia até o restabelecimento da normalidade.
Os militares realizam prisões em caso de flagrantes criminosos, criam barreiras no tráfego e pedem documentos com intuito de fiscalização, apreendem armas e drogas, retém carteiras de motoristas que cometem infrações graves, etc. Decretos de GLO já foram editados, por exemplo, para garantir a segurança no Rio de Janeiro durante a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), em 2012; na visita do Papa Francisco à Jornada Mundial da Juventude, em 2013; na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016.

JORNAL A TRIBUNA (ES)


Tropas das Forças Armadas já patrulham ruas do Rio de Janeiro

Após o decreto, homens do Exército reforçam o policiamento ao lado do Palácio Guanabara

Da Estadão Conteúdo Publicado Em 17/02 - 11h54 - Atualizado Em 17/02 -

Um dia após a publicação do decreto que determina a intervenção federal na Segurança Pública do Estado do Rio, tropas das Forças Armadas já foram vistas fazendo o policiamento na capital. Homens do Exército reforçam o policiamento ao lado do Palácio Guanabara, enquanto três militares foram vistos fazendo patrulhamento a pé no entorno do Aterro do Flamengo, na zona sul. Um caminhão e mais militares foram vistos na Praia de Botafogo, também na zona sul.
O Palácio Guanabara, na Rua Pinheiro Machado, em Laranjeira, na zona sul, é a sede do governo estadual fluminense, onde, por volta de meio-dia o presidente Michel Temer terá uma reunião com o governador Luiz Fernando Pezão (MDB), ao lado dos ministros da Defesa, Raul Jungmann, e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen. Também participará o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.
Por volta das 11 horas, um blindado estava estacionado em frente à sede do Fluminense Football Club, que é colada ao palácio. De outro veículo, cerca de 20 militares saíram para reforçar o policiamento.
A intervenção federal começou na sexta-feira, dia 16, e foi decretada até 31 de dezembro. Esta é a primeira vez desde a promulgação da Constituição de 1988 que o Congresso se debruçará sobre um pedido de intervenção federal em um Estado. Temer designou o general do Exército Walter Sousa Braga Netto, comandante do Comando Militar do Leste (CML), como interventor. Braga Netto terá o controle sobre a Polícia Militar, a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros. A medida é restrita à área de Segurança.
Já em frente ao Palácio Guanabara, um grupo de cerca de 20 pessoas aprovadas em concursos passados para a Polícia Militar (PM) e para o Corpo de Bombeiros aproveitou a presença das autoridades no local para fazer um protesto. Os manifestantes não chegaram a fechar a rua, mas carregam faixas, com frases como "Chega de enganação, queremos nossa convocação". O grupo representa cerca de 4 mil aprovados em concursos passados, mas que não foram convocados por causa da crise fiscal do governo do Rio.

PORTAL BRASIL


Mulheres chegam à Academia Militar das Agulhas Negras

Pela primeira vez na história do Exército, a turma de cadetes tem integrantes do sexo feminino. Agora, elas podem chegar ao comando do efetivo

Publicado Em 17/02 - 17h36

Em um fato inédito para o País, 33 mulheres integram a turma de cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman). A cerimônia deste sábado (17) marca uma nova etapa na formação destas militares, que foram as primeiras a cruzar o Portão Monumental da Aman. Ao longo da carreira, elas poderão chegar às patentes de general ou até ao comando da Força, num momento histórico para o País. 
Mulheres no Exército
Durante o período Imperial, o País teve a primeira militar mulher a integrar as Forças Armadas. Maria Quitéria de Jesus Medeiros se alistou como homem para lutar pela independência da então colônia portuguesa e chegou a fazer parte do Batalhão dos Voluntários do Imperador no século 19.
Guerra
Na II Guerra Mundial, 73 enfermeiras trabalharam em hospitais dos Estados Unidos de modo voluntário. Em seguida, elas foram condecoradas pela corporação pelos serviços prestados e receberam patentes.
Turma pioneira
Só em 1992 foram oferecidas 49 vagas a mulheres em turmas de formação de oficiais do exército. Quatro anos depois, o Serviço Militar Voluntário passou a aceitar candidaturas para áreas de saúde, como medicina, odontologia, farmácia e veterinária.
Serviço Militar
Até 2014, as mulheres não podiam ingressar no Serviço Militar Voluntário. Contudo, a partir de dezembro daquele ano, elas já podem se inscrever para graduação de cabo. Em 2015, mulheres somam 3,2% do efetivo do Exército. Ao todo, 6 mil oficiais e praças do sexo feminino integram a força.
Combatentes
Em 2016, o Exército lançou o edital que pela primeira vez oferecia oportunidade para que mulheres fossem combatentes. As selecionadas da área bélica passariam pela Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) para em seguida se formarem na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende (RJ).

OUTRAS MÍDIAS


MIDIA NEWS (MT) - MT terá a primeira Base Aérea de Combate a Incêndios Florestais da Amazônia

Base Aérea da Segurança Pública do Estado contou com parcerias locais

Da Redação Publicado Em 17/02 - 10h11

O município de Sorriso (400 km ao Norte de Cuiabá) terá uma intensa programação das Forças de Segurança Pública do Governo do Estado de Mato Grosso a partir desta segunda (19). Serão três atividades na cidade, sendo duas realizadas pelo Corpo de Bombeiros Militar.
A primeira é a Reunião dos Comandantes Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares da Amazônia Legal, a segunda é o Ciclo de Palestras de Incêndios Florestais e por último, em conjunto com outras Forças de Segurança, a Inauguração do Hangar do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e Grupo de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM).
A Reunião dos Comandantes Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares da Amazônia Legal é uma iniciativa do CBMMT de integrar as ações de prevenção e combate aos incêndios florestais por meio de projetos a serem propostos ao Fundo Amazônia.
O CBMMT é proponente de um dos 95 projetos realizados com recursos do fundo internacional para proteção da floresta.
A partir da experiência dos bombeiros de Mato Grosso, as corporações irmãs farão propostas similares, buscando integrar os esforços, otimizando os recursos.
O Ciclo de Palestras sobre Incêndios Florestais é um evento aberto para agricultores, pesquisadores, bombeiros e estudantes das ciências agrárias ou ambientais.
Diversos temas serão tratados, passando pela Gestão de Incêndios Florestais no Mato Grosso, Uso de helicóptero em operações de Incêndio Florestal, Força Aérea Brasileira em apoio ao Combate a Incêndio Florestal na Amazônia, Impacto do Fogo no Bioma Amazônico, entre outras palestras ministradas por profissionais de referência em suas áreas. O Ciclo de Palestras começa às 8h da terça (20.02), no Centro de Eventos Ari José Riedi.
Na quarta (21) serão inaugurados o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e a base do Grupo de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM) que funcionarão no aeroporto de Sorriso. O objetivo é de tornar as operações de segurança pública mais dinâmicas, com uma base descentralizada no Médio Norte. A estrutura foi construída em parceria com a Prefeitura Municipal, com recursos da Secretaria de Infraestrutura e Logística (Sinfra) e do Conselho de Segurança Pública do Município.
1ª Base Aérea de Combate a Incêndio Florestal da Amazônia
A Base do GAvBM é a primeira Base Aérea de Combate a Incêndios Florestais da Amazônia. A primeira do Brasil e a primeira entre os países com partes da floresta em seus territórios.
Os aviões que compõem o GAvBm foram adquiridos com o recurso do projeto financiado pelo Fundo Amazônia, iniciado em 2012, que tornou possível estruturar o Batalhão de Emergências Ambientais, que já é referência nacional em prevenção e combate a incêndios florestais.
A estruturação da base é o último produto a ser entregue no escopo do projeto do CBMMT proposto ao Fundo Amazônia.
A inauguração foi possível graças à união de forças que contou também com a iniciativa privada de Sorriso que contribuiu com o mobiliário que será usado pelos militares.
A base vai proteger o ambiente florestal e o rural que sofre com graves perdas econômicas quando atingido pelas chamas. Na ocasião será apresentado um novo projeto ao Fundo Amazônia para dar continuidade aos avanços conquistados na prevenção e combate aos incêndios florestais pelo CBMMT.
O investimento do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Segurança (Sesp-MT), contempla mais de R$ 30 milhões em aeronaves (incluindo do Ciopaer e do Corpo de Bombeiros) e equipamentos.
As duas aeronaves do GAvBM são do modelo Air Tractor 802F, equipadas com tanques de água especialmente adaptadas para o combate a incêndios florestais e urbanos. Além disso, serão disponibilizados cerca de 30 profissionais do Ciopaer, entre bombeiros militares, policiais civis e policiais militares, para atuar no novo hangar, e atender toda a população das regiões Médio-Norte e Norte de Mato Grosso.

O ANTAGONISTA - Jungmann minimiza insatisfação dos militares


Publicado Em 17/02 - 12h30

“O tema da Segurança se transformou numa emergência.”
Foi o que disse Raul Jungmann ao Globo na manhã deste sábado, antes de embarcar com Michel Temer para o Rio.
“É importante destacar que não haverá uma mudança do dia para a noite no Rio, é um processo enormemente complexo”, ressaltou o ministro da Defesa.

Jungmann minimizou o fato de os militares terem colocado na mesa, em conversas no Palácio do Planalto, a necessidade de um melhor regramento sobre a atuação das Forças Armadas.
“Apenas se comentou (na reunião) a possibilidade de, se necessário, fazermos novas regras, decreto ou portaria. Não está se pensando nisto neste momento. Se for necessário, faremos outra coisa (suplementar). Mas já temos o objeto definido no decreto.”
O ministro afirmou que a atuação dos militares está bem definida pelas normas legais vigentes.

BRASIL DE FATO - Deputada do Rio alerta para possível intervenção militar em mais nove estados

Jandira Feghali (PCdoB) acredita que medida de Temer vai além da retaliação à rejeição aos governos escancarada durante

Rede Brasil Atual Publicado Em 17/02 - 12h36

Em vídeo divulgado ontem (16) nas redes sociais, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) externou preocupação com a intervenção militar na Segurança Pública do Rio de Janeiro decretada por Michel Temer. Para ela, a medida vai além de uma resposta à rejeição ao governo federal, bem como ao governador Luiz Fernando Pezão (MDB) e ao prefeito Marcelo Crivella (PRB), que ficaram explícitas durante o carnaval.
“O carnaval foi a vitrine dessa insegurança, que jogou para o mundo o que está acontecendo no Rio de Janeiro. Mas é também a rejeição absoluta a estes três níveis de governo. Aí eles buscam algum grau de sustentação, que não será só no Rio. Estão anunciadas (medidas de intervenção) em mais nove estados”, disse a deputada.
Intervenção federal no Rio só fica abaixo de "estado de sítio" e "estado de defesa"
Jandira destacou sua preocupação com a violência trazida pelo protagonismo das forças armadas no país. “Forças Armadas não são policiais. São preparadas para a guerra, para matar. Não são forças de segurança do cidadão. A cidadania precisa de uma força pública que a proteja. Eu tenho muita preocupação com forças armadas sendo usadas como forças policiais. O Exército e as forças armadas poderiam entrar, mas ajudando no comando, na inteligência, na detecção cirúrgica do crime, do tráfico de armas e das drogas, e não nas ruas", defendeu.
"Quantos civis, quantos inocentes, podem, a partir da truculência dessas forças, ser assassinados em uma operação dentro das comunidades ou nas ruas? Tenho muito medo de pessoas, principalmente as mais pobres, serem assassinadas sem uma apuração correta, tendo suas casas invadidas, com pé na porta, e agressões”, acrescentou Jandira.
Para ela, não pode haver espaço para ingenuidade quanto ao protagonismo dado pela medida de Temer às Forças Armadas. "Depois vão criar um Ministério da Segurança Pública. E me pergunto se esse governo federal está preocupado com a vida do cidadão ou estão preocupados em ampliar os seus votos da bancada da bala e para sua agenda neoliberal e de retirada de direitos. Ou é para esvaziar a força da Polícia Federal quando ela quer ir para cima de Temer e do PSDB – o que nunca foi feito quando ela estava indo para as forças de esquerda. Agora que ela diz que vai pra cima de Alckmin e outros, querem esvaziar sua função. E nas vésperas do anunciado cumprimento da pena de Lula."
Ela ressaltou ainda acreditar que a medida de Temer visa ao “endireitamento” do processo eleitoral no país, com um candidato “mais fascistizador” da política brasileira. “Ou até mesmo nem ter eleição.”
Cortes
A parlamentar do PCdoB avalia que a grave situação do Rio de Janeiro resulta do corte de recursos para o setor e da falta de um plano integrado entre União, estado e município. O que se constata, segundo ela, é que não há recursos, nem inteligência, nem integração. “Esse governo, com sua agenda neoliberal, retirou direitos, congelou investimentos, aumentou a desigualdade, a fome e não atuou de fato na repressão de onde tem de reprimir. Por que na inteligência não se usam recursos para detectar lavagem de dinheiro, como se usou na Lava Jato? Por que o Banco Central e a Receita não utilizam para detectar os comandantes do mercado de drogas e armas?”, questiona.
Ela chamou as forças democráticas do país a ficarem atentas e mobilizadas, principalmente nesta segunda-feira (19), dia de resistência nacional contra a reforma da Previdência.
“Que tenhamos a capacidade de reconstruir uma política de segurança pública eficaz, com ordem pública, mas com democracia. Que as forças democráticas se levantem com a bandeira da democracia, e que a gente tenha eleições democráticas com a participação de todos os candidatos para que o povo decida o seu rumo. E que essa agenda neoliberal das reformas não tenha futuro e que a sua derrota aconteça dentro do Congresso Nacional."

REVISTA ENCONTRO (MG) - Betim inicia processo de construção de seu aeroporto

O Aeródromo Inhotim terá capacidade de receber grandes aviões, como o Boeing 737, que leva 150 passageiros

Por Encontro Digital Publicado Em 17/02 - 11h45

Enquanto a população de Belo Horizonte assiste ao impasse da retomada dos voos comerciais de grande porte ao aeroporto da Pampulha, a cidade de Betim acaba de anunciar o lançamento das obras do Aeródromo Inhotim. Com investimento estimado em R$ 140 milhões, a construção do novo aeroporto da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) foi autorizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), conforme informações da Prefeitura de Betim, e recebeu a licença ambiental do Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental em dezembro do ano passado. Depois de pronto, o aeródromo deve gerar mais de 640 empregos diretos e 800 indiretos para a cidade mineira, que é conhecida por ser sede da montadora Fiat. Em pleno funcionamento, o novo aeroporto poderá gerar até 21 mil postos de trabalho diretos e indiretos.
A ideia inicial é que o empreendimento atenda a demanda de visitantes, do Brasil e do exterior, que desejam conhecer o Instituto Inhotim, um dos maiores centros de arte contemporânea do mundo. O aeródromo também poderá receber voos executivos de menor porte, voos comerciais não regulares e de carga, além de servir de suporte para as atividades industriais da região de Betim.
De acordo com o presidente da Orion Consórcio Investidor, responsável pelo empreendimento, Luiz Tito, a novidade confere à região um importante equipamento comunitário. "Primeiro, pela segurança que gera, já que a região não tem um local de pouso, sequer para helicóptero, em situações de emergência. Ele também oferece um suporte para o parque industrial e comercial, localizados na própria Betim e em seu entorno", comenta o executivo.
Pesquisas feita pelo Orion apontam que a região tem uma demanda de, aproximadamente, três mil voos anuais, originados de diversos destinos. Com a construção do aeródromo, há a possibilidade de ampliação desse fluxo, o que vai trazer benefícios para Betim e cidades vizinhas. As atividades de turismo, comércio e de produção industrial serão ampliadas, gerando mais empregos e ampliando as atividades econômicas da região.
"Os moradores e empresários de cidades como Betim, Divinópolis, Itaúna, Mateus Leme, Igarapé, dentre outras, quando querem se deslocar para outras capitais, são obrigados a se submeterem aos serviços do aeroporto de Confins, distante até 150 km de algumas dessas, para ter acesso ao conforto de um transporte aéreo", diz Luiz Tito.

Estrutura
A construção do novo aeródromo será feita numa área de dois milhões de m², localizada no Distrito Industrial do Bandeirinhas, que fica a quatro km do centro de Betim e a 15 km do Instituto Inhotim. O projeto prevê que, futuramente, o empreendimento receba aviões de maior porte, como o modelo 737-800 da Boeing, que possuem 39 m do comprimento e 37 m de envergadura, e capacidade para aproximadamente 180 passageiros.
A pista de pouso e decolagem deve chegar a 1,8 mil m de extensão e 45 m de largura. Segundo adianta Luiz Tito, a pista poderá ser ampliada futuramente em mais 500 m, chegando próximo do tamanho do aeroporto da Pampulha, que tem cerca de 2,4 mil m de extensão. O terminal de passageiros ocupará uma área de 1,2 mil m² e terá dois jetways – pontes para embarque e desembarque de passageiros. Também serão construídos hangares para o abrigo de aeronaves de pequeno porte e de porte comercial.
"É incompreensível que uma região da importância econômica que a de Betim representa não tenha um recurso dessa natureza. Essa iniciativa é ainda mais valorosa pelo fato de ser implantada sem o comprometimento de um centavo sequer de recursos públicos. Todo o investimento no aeródromo será da iniciativa privada. Em síntese, Betim e sua região ganharão um aeródromo sem investir nada de seus respectivos orçamentos", explica Tito.

DIÁRIO DO VALE (RJ) - Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica tem inscrições abertas


Publicado Em 17/02 - 18h00

Brasília – Já estão abertas as inscrições para a 21ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA). A competição é aplicada em 13 mil escolas para alunos dos ensinos fundamental e médio. Os participantes da olimpíada recebem certificado e concorrem a 40 mil medalhas.
As escolas interessadas em participar da competição podem se inscrever até 18 de março no site oficial da olimpíada. As instituições de ensino que já participaram da edição passada da competição não precisam realizar um novo cadastro.
Alunos ou equipes dos ensinos médio ou superior que lançarem seus foguetes a mais de 100 metros de distância serão convidados para participar da Jornada de Foguetes. O evento ocorre na cidade de Barra do Piraí, Rio de Janeiro. A data ainda não está definida, mas segundo a organização, deve ser entre outubro e novembro deste ano.
A competição será marcada para o dia 18 de maio e selecionará os representantes do Brasil na Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA) e na Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA). No mesmo dia do torneio, ocorrerá a Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG).
As provas estão divididas em quatro níveis: três para os alunos do ensino fundamental e um para os do ensino médio. A avaliação tem dez perguntas em cada etapa: três de astronáutica e sete de astronomia. A maioria delas, porém, exige apenas raciocínio lógico. As medalhas são distribuídas de acordo com a classificação em cada um dos níveis.
Cerca de 60 alunos serão selecionados para participar da Jornada Espacial. Serão pré-selecionados somente alunos do ensino médio, de qualquer ano/série, com as melhores notas de Astronáutica e que ainda não tenham participado da jornada. Não há taxa de inscrição para escolas ou alunos participarem da OBA.
Mostra de foguetes
Em evento promovido pela Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, estudantes preparam lançamento de foguetes de garrafas PET Divulgação/Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica
Também está com inscrições abertas a Mostra Brasileira de Foguetes, uma olimpíada experimental, que consiste em construir e lançar, obliquamente, foguetes, a partir de uma base, o mais distante possível. Para participar da mostra, foguetes e bases de lançamentos devem ser construídos por alunos individualmente ou em equipes de até três componentes. Em 2017, o evento contou com a participação de 94 mil alunos
O evento avalia a capacidade dos estudantes de construir e lançar, o mais longe possível, foguetes feitos de garrafa PET, de tubo de papel ou de canudo de refrigerante. A mostra também é voltada para alunos dos ensinos fundamental e médio de escolas públicas e particulares de todas as regiões do país.
Segundo o regulamento, jovens que concluíram o ensino médio podem participar, desde que representando a instituição na qual se formaram, com a concordância da instituição. O desafio acontece dentro da própria escola e tem quatro níveis. A novidade deste ano é que professores também poderão construir e lançar foguete
A olimpíada e a mostra são eventos abertos à participação de escolas públicas ou privadas, urbanas ou rurais, sem exigência de número mínimo ou máximo de alunos. Os eventos são coordenados por uma comissão formada por membros da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e da Agência Espacial Brasileira (AEB).

ARIQUEMES (RO) - Acre segue fazendo história com novo transplante de fígado


Fonte Governo Do Acre Publicado 17/02 - 19h25

Enquanto muitos comemoravam o último dia de folia do carnaval, o acreano de Cruzeiro do Sul Odair Lima das Chagas celebrava o início de uma nova vida. Sim, foi na quarta-feira de cinzas, 14 de fevereiro, que o paciente de 26 anos, inscrito desde novembro do ano passado na Central de Transplantes, recebeu um novo fígado.
O procedimento foi conduzido pelo cirurgião hepático Tércio Genzini, uma das maiores referências em transplantes de fígado no Brasil e responsável pelas equipes de transplantes do Acre e do grupo Hepato de São Paulo.
O órgão transplantado foi doado por uma família de Cuiabá, capital de Mato Grosso, que perdeu um familiar de 42 anos vítima de traumatismo craniano encefálico e foi trazido ao Acre por uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB). Ao todo, já foram realizados 33 transplantes de fígado no Acre, fazendo com que o estado seja, proporcionalmente, um dos que mais realiza esse procedimento em todo o país. Na Região Norte, é o único estado com programa ativo de fígado.
Desde a criação da Central Estadual de Transplantes, há onze anos, o Hospital das Clinicas já realizou 323 transplantes de fígado, rim e córneas. Somando aos procedimentos viabilizados por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD) o Acre supera a marca de 600 transplantes realizados.



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