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Primeiros satélites do "GPS Europeu" a caminho do Espaço



Os dois primeiros satélites do sistema de navegação Galileo, já conhecido como o "GPS europeu", estão a caminho do espaço. O "PMF" e "FM2" vão transportar "os melhores relógios atómicos alguma vez utilizados para navegação".

Os dois satélites, "PMF" e "FM2", que vão ser lançados em órbita pelo foguete russo Soyuz ST-B, formam o núcleo da "constelação" Galileo, o sistema "aberto" e civil de navegação da União Europeia, que se quis diferenciar dos sistemas norte-americano (GPS) e russo (Glonass).

A operação, encarada como um marco para a história espacial europeia, é o primeiro passo para que em 2014 o sistema de navegação patrocinado por Bruxelas esteja operacional e a competir com outros sistemas de navegação militares.

O programa Galileo, uma iniciativa conjunta da Comissão Europeia (CE) e da Agência Espacial Europeia (ESA, sigla em inglês), é um projecto de construção de um sistema civil de navegação por satélite, com cobertura mundial, baseado em 30 satélites.

O lançamento aconteceu às 7.30 horas locais (11.30 em Portugal continental), segundo as informações disponibilizadas no site da Arianespace, que transmitiu em directo, através da Internet, a partida do Soyuz ST-B. No mesmo endereço é possível aos internautas acompanhar a viagem do foguete russo.

Os satélites "PMF" e "FM2", como são designados pela ESA, vão transportar, entre outros elementos, "os melhores relógios atómicos alguma vez utilizados para navegação", descreveu a agência europeia, citada pela Lusa.

Cada satélite terá uma duração útil de 12 anos, referiu ainda a ESA, que anunciou, para 2012, o lançamento de mais dois satélites da "constelação" Galileo.

O lançamento ocorre após anos de adiamentos e problemas orçamentais e ao fim de quase uma década de discussões desde que França e Rússia que firmaram a cooperação nos lançamentos das naves Soyuz, em 2003.

O foguete russo foi adaptado para permitir que a empresa europeia de lançamentos Arianespace, que opera o cargueiro Ariane-5, leve para órbita uma carga de 3,2 toneladas.

"Estamos no final de um episódio e no início de outro", disse o chefe-executivo da Arianespace, Jean-Yves Le Gall, em entrevista à Reuters.

A Rússia deve receber dezenas de milhões de dólares por cada lançamento, dinheiro que ajudará a financiar suas actividades espaciais. Ao mesmo tempo, a presença dos foguetes russos na base espacial europeia de Kourou, perto do Equador, ajudará a Arianespace a reduzir custos.

"O Soyuz vai lançar satélites médios que não poderiam ser lançado pelo Ariane-5. O foguete russo vai permitir que lancemos mais frequentemente para o espaço a partir da Guiana Francesa e com custos mais reduzidos", explicou Le Gall.

O foguete Soyuz ST-B, uma versão actualizada da emblemática nave russa que transferiu a tripulação da estação russa MIR e da Estação Espacial Internacional, será responsável por colocar os dois satélites em órbita, aproximadamente a 23600 quilómetros de altitude.

A participação do Soyuz ST-B nesta operação, que será pela primeira vez lançado de território europeu, marca um novo capítulo na cooperação espacial entre a Europa e a Rússia.

O sistema de navegação Galileo deu os primeiros passos em 1999 e chegou a estar seriamente ameaçado na sequência do fracasso das negociações com o sector privado, em 2007. Os diversos atrasos fizeram disparar o custo total do programa, que já superou os 5500 milhões de euros.

Em Janeiro passado, a CE anunciou que precisava de 1,9 mil milhões de euros adicionais para desenvolver o sistema entre 2014 e 2020, garantindo na mesma altura que os serviços do Galileo iam permitir poupar "até 90 mil milhões de euros".

Os parceiros europeus defenderam então que o novo sistema apresenta vantagens ao nível da gestão do transporte (aumento da segurança, agilização das operações), mas também para áreas como a agricultura, pesca, saúde ou na luta contra a imigração ilegal.

Além disso, a "actual dependência do sistema GPS levanta questões de natureza estratégica, uma vez que os sistemas utilizados não estão sob controlo europeu", explicou ainda a CE, citando sectores como a "política externa" ou a "segurança comum" dos 27 Estados-membros.

A prova da importância destes sistemas é o facto de a China estar também a desenvolver um sistema de navegação próprio, composto por 35 satélites.

Fonte: JORNAL DE NOTÍCIAS / NOTIMP









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